“Rajada de vento e fogo atingiu a minha mulher”

Glória Correia, de 76 anos, sofreu queimaduras graves quando tentava salvar a casa, em Alferce, com o neto.
Por Ana Palma e Rui Pando Gomes|13.08.18
Lágrimas, dor, revolta e milhões de euros de prejuízo numa paisagem que antes era verde e agora é negra. Na serra de Monchique, o inferno das chamas andou à solta e causou 41 feridos. Uma mulher de 76 anos foi a única a ficar ferida com gravidade, quando salvava a casa do fogo, no Alto de Baixo, junto à localidade de Alferce.

"Ela estava com o neto, com uma mangueira, a tentar apagar as chamas. Mas veio uma rajada de vento e fogo e ela foi apanhada mesmo à porta de casa, que não conseguiu abrir com a aflição. Ficou com queimaduras na cara, braços e numa perna", revelou ao CM o marido, Diogo Correia, de 80 anos, com quem a vítima está casada há 57. Glória Correia está hospitalizada em Lisboa e o marido diz que ela "já está melhor".

A violência das chamas obrigou à retirada de centenas de pessoas das suas casas e outras fugiram pelos seus próprios meios. Na Quinta das Hortênsias, nas Caldas de Monchique, uma família teve de fugir já debaixo de fogo. Um anexo da casa principal sofreu danos avultados. Os carros da família arderam todos, bem como os animais e a horta.

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