ROSÁLIA VARGAS: PREOCUPA-ME MUITO PEDIR

Rosália Vargas, directora da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, lamenta as dificuldades levantadas a um programa fundamental.
17.08.03
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Correio da Manhã – Os jovens portugueses são avessos às áreas científicas. Como incentivá- los?
Rosália Vargas – É um problema na maior parte dos países do mundo, especialmente na Europa. O programa Ciência Viva tem sido apontado como um exemplo de um conjunto integrado de acções dirigidas, quer à escola, quer para a população em geral através de grandes campanhas de divulgação como é o caso da Ciência Viva no Verão. Todos estes programas, no seu conjunto, envolvem fortemente os jovens e, a prová-lo, temos o grande número de estudantes envolvidos nessas actividades e são eles mesmos que dizem "hoje vamos ter uma aula ciência Viva" ou "posso levar os meus pais?" quando se referem as actividades de Verão. Mas todo este trabalho exige que se continue e não se podem colher frutos em menos de uma geração.
– O programa cobre apenas três áreas. Estão previstas mais?
– Está apenas a referir-se às actividades de Verão. Começámos em 1997 com a Astronomia, depois no ano seguinte alargámos à Geologia, mais tarde foi a vez da Biologia e o ano passado os Faróis. Na verdade são grandes áreas do conhecimento da Terra e da Vida que se prestam a abordagens interdisciplinares.
– O público aderiu aos Faróis?
– A aceitação do público foi total. Todas as acções programadas para os faróis ultrapassaram a sua capacidade máxima de inscrições, o que prova que há público interessado em conhecer melhor este bonito património cultural e científico do País.
– E novos projectos?
– O Ciência Viva é um viveiro de ideias, vão sempre surgir novos projectos e, o que também é importante, nunca abandonamos os mais antigos. É assim como um soma e segue que se alimenta de fortes vontades e de uma enorme motivação para fazer sempre melhor, mas não posso esconder que está a ser muito difícil.
– Acha que a ciência tem futuro em Portugal?
– O Ciência Viva tem trabalhado nesse sentido com a atenção direccionada para as camadas mais jovens, nomeadamente do ensino básico e secundário. Mas preocupa-me que o apoio aos projectos do ensino experimental das ciências na escola tenha sido brutalmente interrompido já há dois anos. Preocupa-me também que seja preciso pedir, pedir e continuar a pedir e a justificar o óbvio, para que o Ministério da Educação autorize destacamentos de alguns, poucos, professores para os centros. Que recebem por ano muitos milhares de alunos que devem ter cada vez mais a oportunidade de aceder a exposições mas também a laboratórios e a falar com cientistas. Qualquer inversão do enorme trabalho que todos – professores, alunos, investigadores, cidadãos – têm feito nestes últimos anos, no que respeita à cultura e divulgação científica, provocará um atraso de décadas.

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