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Solidariedade tirou jovem da prisão

Durou uma semana a estada de Nuno Ribeiro na prisão das Caldas da Rainha. O jovem de 22 anos, condenado a 69 dias de cadeia por não ter pago a multa de 312 euros, que lhe tinha sido aplicada por ter ‘grafitado’ declarações de amor na parede da escola, saiu ontem em liberdade. "É uma lição de vida para não repetir. Aprendi qualquer coisa", revelou ao CM.
03.03.11
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Solidariedade tirou jovem da prisão
Maria Leopoldina ficou feliz ao reencontrar o filho, libertado ontem pelo meio-dia Foto Carlos Barroso

Foi graças à solidariedade de uma leitora do CM que Nuno voltou mais cedo a casa, em Peniche. Era meio-dia quando reencontrou a família.

Nuno confessou ter ficado "um bocado triste" por ter sido preso, considerando que foi "uma medida extrema", mas relatou que na cadeia foi bem recebido. "Quando apareci no jornal e depois nas televisões, o pessoal passou a comentar mais e a dizer que era uma injustiça eu estar ali". O jovem partilhou a cela com quatro reclusos. "Foi uma semana tranquila, não houve desacatos, o pessoal mostrou-se amigo e solidário e mostrou algum descontentamento, porque vemos muita pessoa fora que devia estar lá dentro e eu é que fui lá parar". Nuno contou ter estranhado "ver alguns homens presos por terem sido apanhados a conduzir sem carta". De qualquer forma, assegurou: "Graffitis foi só daquela vez, nunca mais".

Durante o tempo de permanência na cadeia, Nuno "jogava à bola, ia ver os jogos de cartas ou pingue--pongue e via televisão para passar o tempo". Não foi obrigado a fazer serviços. Agora, o jovem de Peniche quer começar a trabalhar. "Encontrar um emprego é do que eu preciso".

'CIGANO' FOI TRAÍDO PELA ASSINATURA

Estava-se em Agosto de 2007. Nuno Ribeiro, com 18 anos, era aluno do 10º ano na Escola Secundária de Peniche. De noite, acompanhado de três amigos, pulou a vedação e pintou uma parede. "Tínhamos bebido um bocado", sustenta. "Tinha uma paixão por uma rapariga e ela tinha acabado o namoro comigo. Fiquei em baixo e queria mostrar o que sentia. Pintei umas frases, nem me lembro as palavras que usei. Tinha algumas asneiras, infelizmente", recorda. O que denunciou Nuno foi a assinatura no graffiti: ‘Cigano'. Foi condenado a pagar 312€. Como não podia pagar, fez trabalho comunitário. "Estive uma semana no Stella Maris, a fazer limpezas e arrumações, mas desleixei-me".

OFERTA DE AJUDA DO ESTRANGEIRO

O caso do jovem Nuno Ribeiro foi noticiado pelo CM na terça-feira e no mesmo dia apareceu a solução para o libertar. Entre os diversos leitores que manifestaram disposição de pagar o valor da multa que o levaria a sair da prisão, uma moradora em Peniche foi até à casa da família e entregou em mão 330 euros, por ter ficado sensibilizada com o caso. "Como é que a nossa Justiça permite que por causa de uma coisa simples um jovem vá para a cadeia, quando há quem ande a assaltar e não vá lá parar?", questionou. A onda solidária não parou e até do estrangeiro apareceram ofertas, de dinheiro e trabalho, o que deixou emocionada a família do jovem. Maria Leopoldina, mãe de Nuno Ribeiro, contou que está a trabalhar numa fábrica. "O meu marido está no fundo de desemprego e temos mais um filho. Não tínhamos hipótese de pagar", explicou. Ontem, exprimiu "agradecimento a todos os que se ofereceram para ajudar".

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