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Tanque salva 12 pessoas do inferno das chamas

Maria do Céu conta o horror vivido na aldeia do Nodeirinho e como teve a ideia que salvou familiares e amigos.
Por Pedro Zagacho Gonçalves|18.06.17
As imagens do incêndio de Pedrógão

Maria do Céu ainda não está refeita do pesadelo da última noite. Residente em Nodeirinho, muito perto do local onde mais de 30 pessoas morreram carbonizadas dentro dos carros, quando tentavam fugir ao inferno do fogo de Pedrógão Grande, a mulher já é considerada uma heroína, depois de ter salvo crianças e idosos da aldeia, metendo-os dentro de um tanque de água.

Maria do Céu salvou 12 pessoas depois de ter a ideia quando tentava salvar a mãe, de 85 anos. "O meu marido disse para pôr a minha mãe na carrinha, mas como ela não consegue subir sozinha só me dizia ‘deixa-me morrer aqui’. Acabei por pegar nela com o meu filho e levei-a para aqui", conta. Seguiram-se vários idosos e crianças. "Íamos pondo agua em cima uns dos outros, para cima do carros. Havia uma rapariga que só de estar aqui já tinha os braços queimados", relata Maria do Céu, que descreve ao CM e à CMTV que o calor era "impossível".

Todos na aldeia contactaram o INEM e os bombeiros, mas os acessos estavam cortados e a ajuda era necessária em todo o lado, pelo que acabou por não chegar a Nodeirinho. "Se não fosse o tanque tínhamos morrido todos. Era horrível, parecia um filme de terror", conta em lágrimas Maria do Céu.

Mulher pediu ajuda depois de ver a filha e a mãe a morrer num carro

Maria do Céu perdeu muitos amigos e vizinhos. Eram mais de uma dezena de corpos queimados em Nodeirinho. "Eram todos meus amigos, muito amigos. Um jovem de 21 anos ainda não apareceu, já se sabe o que lhe terá acontecido...e tantas pessoas carbonizadas", conta Maria do Céu.

A força do vento que se levantou tornou qualquer fuga impossível. "Ficámos toda a noite dentro do tanque, perto de seis horas", explica.

Foi perto das 03h30 que surgiu uma figura na aldeia: a mãe de Bianca, a menina de quatro anos que morreu carbonizada com a avó dentro de um carro na ‘estrada da morte’.

"Era uma jovem de 39 anos, vinha queimada nos dois braços a gritar que a filha e a mãe estavam a morrer dentro do carro lá em cima. Pediu-nos por tudo para lá irmos mas não conseguíamos", lamenta Maria do Céu.

Os habitante da aldeia trataram da mãe de Bianca, que entrou em hipertermia, antes de a levarem até aos bombeiros, que a encaminharam para Coimbra.

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