Vítimas de fogos retiradas à força

"Ameaçaram algemar para sairmos", conta Beatriz Florêncio.
Por Ana Palma e João Mira Godinho|10.08.18
Eram 04h00 da manhã quando a GNR bateu às portas, em Casais, Monchique, para nos retirar de casa. Deram murros e pontapés nas portas e janelas. Até ameaçaram as pessoas que as levavam algemadas se tivesse de ser". A descrição é de Beatriz Florêncio, uma das pessoas que viveu "momentos de terror" quando viu as chamas a galgarem na sua direção. Estava em casa da mãe, local onde pensou "sentir-se mais segura".

Os militares, que tinham recebido ordens para evacuar a aldeia de Casais, acabaram, contudo, por "levar apenas algumas pessoas, sobretudo as mais idosas e frágeis", revelou Beatriz, que confidenciou ter-se "escondido com as filhas" para que a GNR não a levasse. "Se eles soubessem que eu tinha crianças comigo não me tinham lá deixado ficar. Ainda me tentaram arrombar a porta, mas não conseguiram", relatou.

A atuação ‘musculada’ dos militares tem sido, nalguns casos, a única forma de obrigar a população a abandonar as zonas de risco, deixando para trás as suas casas e bens. Em alguns casos, conforme garante o vereador José Chaparro, da Câmara de Monchique, os habitantes foram mesmo "algemados e levados à força" pela GNR: "Eu não vi, mas tenho testemunhas disso. Algumas pessoas têm condições para combater o fogo, mas são levadas à força das suas casas." Segundo o autarca este tipo de atuação parece resultar "dos fogos de Pedrógão Grande". Face às as mortes registadas no ano passado, a ordem parece ser agora "evacuar primeiro as pessoas", quando "podiam ter ficado e salvar os bens".

pub

pub

Ver todos os comentários
Para comentar tem de ser utilizador registado, se já é faça
Caso ainda não o seja, clique no link e registe-se em 30 segundos. Participe, a sua opinião é importante!