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Manual da DGS quer ajudar a combater a obesidade

Excesso de peso "é provavelmente o principal problema de saúde pública em Portugal", alerta a Direção Geral de Saúde.
11.10.17
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No Dia Mundial do Combate à Obesidade, a Direção Geral de Saúde lançou um manual que pretende ajudar na luta contra o excesso de peso. Segundo a DGS, mais de metade da população portuguesa adulta sofre com esta doença.

Em comunicado, a DGS diz que "o manual pretende ser um contributo" do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável no combate à obesidade.

"O excesso de peso, que inclui a pré-obesidade e a obesidade, é provavelmente o principal problema de saúde pública em Portugal", lê-se no comunicado.

"Mais de 50% da população adulta" sofre com esta patologia, que tem "implicações sérias" em doenças como "diabetes, cérebro e cardiovascular, osteoarticular e a generalidade dos cancros."

Com este novo instrumento dedicado à luta contra a obesidade, vai ser possível conhecer o panorama da doença em Portugal, "refletir sobre os melhores indicadores a utilizar nos diagnósticos" e "apresentar algumas orientações" para o seu tratamento.

A Associação dos Doentes Obesos e Ex-Obesos (Adexo) quer novas medidas para melhorar a qualidade de vida dos doentes obesos. Num comunicado divulgado pela LUSA, Carlos Oliveira disse que apesar da doença ser reconhecida, as ações implementadas são "insuficientes para melhorar o acesso à qualidade de vida dos doentes obesos."

Entre as medidas propostas pela associação está a fidelização aos seguros de saúde e seguro para empréstimo de compra de habitação, mas também medidas relacionadas com o diagnóstico e tratamento da obesidade.

Obesidade em Portugal
Especialistas dizem que existe um "forte insucesso" no tratamento às doenças associadas à obesidade e alerta para a ausência de um plano nacional "minimamente consensual".

Apostar na prevenção promovendo "hábitos alimentares e atividade física saudáveis" bem como "assegurar uma terapêutica adequada" são apontadas pelos profissionais de saúde como estratégias essenciais no combate ao excesso de peso.

Exercício físico como remédio
Em vez de uma embalagem de comprimidos, os médicos vão poder passar receitas para a prática de exercício físico. A medida entra em vigor em janeiro de 2018, mas os especialistas já podem começar a avaliar o nível de atividade física dos utentes.

Alguns centros de saúde vão receber este projeto-piloto que vai envolver equipas de médicos de medicina desportiva em colaboração com outros profissionais de saúde.

Em entrevista ao Observador, o diretor do Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física referiu que as consultas são dirigidas a pessoas com obesidade ou diabetes, problemas cardio-cérebro vasculares mas também doenças oncológicas.

Promover a atividade física é o grande objetivo destas consultas. Segundo Pedro Teixeira, é necessário contrariar os dados do último Inquérito Nacional Alimentar e da Atividade Física que revelaram que mais de dois terços dos portugueses pratica pouco ou nenhum exercício físico.

Falta de qualidade das refeições escolares
"O excesso de peso atinge mais de um quarto das crianças e adolescentes portugueses" revelou o Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física.

As cantinas escolares recebem milhares de crianças e adolescentes diariamente. Nos últimos dias as refeições confecionadas têm sido alvo de críticas tanto por pais como educadores.

À Lusa, o presidente da Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais (Ferlap) alerta que a falta de qualidade da comida nas escolas é um problema a nível nacional e que as direções escolares deviam estar mais atentas.

"Há escolas onde é possível contar os grãos de arroz que estão no prato. Na semana passada uma mãe contou que houve uma refeição apenas de arroz de feijão", alertou Isidoro Roque.

Contactado pela Lusa, o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) admitiu existirem falhas em algumas escolas. Manuel Pereira disse que as queixas acontecem quando as refeições são confecionadas por empresas privadas e não pela própria escola onde são servidas.

O presidente da ANDE garantiu que tem vindo a alertar o ministério da Educação para a necessidade de confecionar as refeições nas escolas, mas não têm tido qualquer "feedback."

Perante as sucessivas queixas apresentadas pelas associações de pais sobre a má qualidade e quantidade das refeições, a Bastonária da Ordem dos Nutricionistas alertou para a "falta de vigilância" das refeições escolares.

 Em declarações à Lusa, Alexandra Bento duvida que as empresas consigam garantir a qualidade das refeições quando o valor ronda os 1,50 euros por aluno. "É possível conseguir o equilíbrio nutricional" mas "além dos géneros alimentares ainda têm de pagar funcionários e equipamentos", advertiu.

A bastonária adianta ainda que os problemas poderiam ser resolvidos com a integração de uma equipa de nutricionistas que fiscalizasse as refeições confecionadas pelas empresas privadas.

No dia em que se comemora o Dia Mundial do Combate à Obesidade, a Associação dos Doentes Obesos e ex-Obesos adianta que todos os anos morrem cerca de 1500 pessoas devido ao excesso de peso. Apesar dos números, Portugal "foi o primeiro país europeu a reconhecer a obesidade como doença e o único com regulamentação" para a mesma.

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