Morta chamada para operação

Quando abriu a caixa do correio na segunda-feira, Crisálida Moreira nem queria acreditar: o SIGIC (Sistema Integrado de Gestão de Inscritos em Cirurgia) enviara um vale-cirurgia para Maria do Céu Sousa, a sua prima. Mas o vale chegou tarde: Maria do Céu morreu em 31 de Dezembro de 2007, com 87 anos.

01.08.08
  • partilhe
  • 0
  • +
Morta chamada para operação
A família de Maria do Céu Sousa indignou-se com a falha dos serviços hospitalares Foto Pedro Catarino

"Sinto-me tratada abaixo de cão", desabafa Crisálida, que vive no Bairro de São Vicente, em Lisboa e que recorda os últimos meses de vida da familiar. Em Outubro, Maria do Céu foi internada no Hospital Curry Cabral. Foi-lhe diagnosticado um tumor na coluna e problemas nos rins. A meio de Dezembro, foi operada de urgência a uma perfuração intestinal. Acabaria por falecer na manhã do último dia do ano, mas a família só foi informada quando se deslocou ao hospital para a visitar, à tarde.

Agora, foi a vez de o vale-cirurgia chegar. O SIGIC pretendia saber se a doente queria ser operada no hospital de origem ou se preferia o Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Entroncamento. Crisálida Madeira já apresentou queixa no livro de reclamações do Curry Cabral.

O administrador do HCC, Manuel Delgado, reconheceu ao CM ter havido "uma falha grave de comunicação dos serviços de informação com o SIGIC, que não devia ter acontecido".

O Hospital vai enviar um pedido de desculpas por escrito à família de Maria do Céu Sousa.

pub

pub

Ver todos os comentários
Para comentar tem de ser utilizador registado, se já é faça
Caso ainda não o seja, clique no link e registe-se em 30 segundos. Participe, a sua opinião é importante!