É UMA RELAÇÃO ÍNTIMA

Anabela Mota Ribeiro, apresentadora de televisão, será a primeira cara a surgir no ecrã do novo canal estatal, 2:. A partir das 21h00 de hoje, a profissional estará no ar com ‘Magazine’, um programa cultural.
05.01.04
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– Correio da Manhã – Tem algum ‘sabor especial’ saber que vai ser a primeira cara a surgir na 2:?
– Anabela Mota Ribeiro – Não tinha pensado nisso, para ser sincera.
– Mas este projecto tem um significado especial?
– Este projecto tem um significado particular para mim, porque é a primeira vez que vou fazer um programa com estas características. Em todos os meus projectos anteriores de televisão, se exceptuarmos o ‘Falatório’ no qual me revi bastante e gostei imenso de fazer, tinha uma relação mais diletante. Neste estou muito investida, porque enquanto espectadora assistiria e isso é uma coisa que me motiva, pensar que estou a trabalhar numa coisa na qual me posso rever e com a qual me posso identificar absolutamente. Sinto-me cada vez mais confortável no universo da cultura. Se perceber que trabalho é que tenho desenvolvido nos últimos anos, sobretudo na escrita no ‘DNa’, as entrevistas que me dão mais gozo e aquelas que resultam melhor são as que envolvem pessoas do universo da cultura. Tenho uma ligação profunda com as artes e não apenas enquanto espectadora ou utilizadora. É uma relação íntima. E quando me convidaram para fazer este projecto fiquei muito contente e com muita vontade de fazer algo que me podesse encher as medidas.
– O que vai ser este ‘Magazine’?
– O ‘Magazine’ tem meia hora todos os dias e tem duas partes: os primeiros 15 minutos com actualidade, em que entram todas as áreas e artes, e os segundos 15 são temáticos, são diferentes em cada dia da semana, literatura, música, cinema, artes de palco e artes plásticas. Estas segundas partes são feitas por produtoras externas e cada uma tem o seu editor e equipa próprias. Mas ainda que seja feita autonomamente não quer dizer que não haja uma articulação com a primeira parte do programa. Há, com certeza. Aliás, a ideia é tirar partido deste carácter dúplice do programa e potenciar esta diversidade de linguagem e de abordagens. Eu sou a cara que unifica o programa, não só introduzo o bloco temático como apareço no final com uma pequena história e as despedidas. Na primeira parte vamos ter reportagem, entrevista e agenda. Todas as modalidades estão contempladas.
– Este programa tem espaço num canal como a RTP, SIC ou TVI?
– Um programa de cultura, com meia hora e diário provavelmente não teria lugar num canal generalista privado, porque há uma preocupação com as audiências e uma pressão comercial incríveis. Julgo que não seria compatível com o projecto de uma estação como a TVI ou a SIC. E não penso que a cultura deva estar ou esteja completamente arredada dos outros canais, tem é uma abordagem distinta desta que a 2: permite, porque a vocação e a natureza da 2: é esta e o carácter de serviço público está contemplado.
– É inevitável que as pessoas comparem o seu programa com o ‘Acontece’...
– Mas eu não o faço.
– Mas o ‘Magazine’ tem sido falado como o ‘substituto’.
– Para começar o canal é novo, depois o programa é novo, tudo tem um carácter de novidade e uma natureza distinta daquilo que existiu no passado, portanto não faço qualquer comparação e não alimento qualquer comparação que seja feita por outras pessoas.
– Pensa nas audiências?
– Não e não é uma coisa na qual falemos diariamente. Há uma preocupação em chegar ao público. Não vou fazer um programa de cultura hermético e excessivamente elitista, mas também não há a tendência ou tentação de tentar chegar ao máximo de público e deste modo desvirtuar aquilo que é a linha editorial e a caracterização do programa. Aquilo que vai passar é aquilo que tem cultura, interesse e que achamos que deve ser mostrado.
– Mas quer ser vista?
– Sim, mas tenho noção de que não posso ser vista por todas as pessoas. Costumo dizer: ‘não quero tudo. Só quero tudo daquilo que eu quero’.
PERFIL
Anabela Mota Ribeiro, 32 anos, nasceu em Trás-os-Montes e vive em Lisboa há quatro anos e meio. Frequenta o 4.º ano do curso de Filosofia da Universidade Nova, escreve para o ‘DNa’ (suplemento do ‘Diário de Notícias’), para a ‘Elle’ e para a revista do ‘Reader’s Digest’. A sua primeira presença no pequeno ecrã aconteceu há cerca de nove anos, ao lado de Manuel Luís Goucha na estreia do popular programa da RTP1, ‘Praça da Alegria’. Actualmente, também apresenta um programa de grandes entrevistas no canal por cabo NTV, ‘Primeiro Plano’. Há cerca de um mês, Anabela lançou um livro, em que reuniu várias entrevistas já publicadas no ‘DNa’.
OUTROS ROSTOS
ALBERTA M. FERNANDES
Foi o primeiro rosto da SIC. No entanto, Alberta Marques Fernandes abandonou, na companhia de José Alberto Carvalho, o canal de Carnaxide quando Emídio Rangel se mudou para a direcção de programas da estação pública. Assumiu a apresentação de ‘Bom Dia, Portugal’, um programa informativo que não correspondeu às expectativas. Daí passou para o ‘Jornal 2’, sendo pivô ao lado de Carlos Fino. Este bloco noticioso transita para o novo canal com algumas mudanças.
CARLOS FINO
Pivô do ‘Jornal 2’, Carlos Fino é um dos jornalistas com grande reconhecimento em Portugal devido ao facto de ser considerado por muitos um dos principais jornalistas de guerra. Em 2003, destacou-se ao ter sido o primeiro a relatar em directo os bombardeamentos dos EUA em Bagdad. Carlos Fino esteve presente em vários cenários de guerra, o que lhe permitiu recentemente publicar o livro ‘A Guerra em Directo’, um relato das suas experiências nos vários conflitos.
Casado, tem um filho, Carlos Fino Júnior.
NUNO SANTOS
Director-adjunto de programas da RTP1, Nuno Santos regressa aos ecrãs depois de uma ausência de cerca de dois anos e meio. Vai apresentar o programa de debate ‘Conselho de Estado’, às quartas-feiras, pelas 23h00.
Na SIC, foi pivô, assumindo depois o cargo de director da SIC Notícias. Porém, zangado com Emídio Rangel, deixou o canal de Balsemão e foi para a PT, de onde seguiu para a RTP, mas só depois de Rangel sair.

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