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Correio da Manhã

Boa Vida
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Tomar: do convento para a cidade

O rio Nabão divide a cidade e guarda numa das margens o centro histórico por onde se chega ao convento e ao castelo.
Isabel Jordão 29 de Maio de 2019 às 16:00
Tomar
Mata Nacional dos Sete Montes em Tomar
Otília Marques é a última latoeira de Tomar
Marina de Castelo de Bode
Museu dos Fósforos
Festa dos Tabuleiros celebra-se no final de junho
Restaurante Taverna Antiqua em Tomar
Convento de Cristo em Tomar
Tomar
Mata Nacional dos Sete Montes em Tomar
Otília Marques é a última latoeira de Tomar
Marina de Castelo de Bode
Museu dos Fósforos
Festa dos Tabuleiros celebra-se no final de junho
Restaurante Taverna Antiqua em Tomar
Convento de Cristo em Tomar
Tomar
Mata Nacional dos Sete Montes em Tomar
Otília Marques é a última latoeira de Tomar
Marina de Castelo de Bode
Museu dos Fósforos
Festa dos Tabuleiros celebra-se no final de junho
Restaurante Taverna Antiqua em Tomar
Convento de Cristo em Tomar

O coração da cidade bate mais forte na Praça da República, de onde se apanham todos os caminhos, até o que vai para Santiago de Compostela.

O visitante pode subir a Calçada de Santiago para chegar ao Convento, ou desfrutar do centro histórico, construído no sopé da colina e que se estende pelas margens do rio Nabão.

Antiga sede da Ordem dos Cavaleiros Templários, a cidade de Tomar foi fundada há mais de oito séculos e destaca-se pela riqueza patrimonial, artística e cultural.

Há igrejas a merecer visita demorada - como a de São João Baptista, erguida paredes meias com a Corredoura (tradicional rua comercial) e com uma torre octogonal - e museus que ajudam a perceber a história.

É disso exemplo o Museu Luso-Hebraico de Abraham Zacuto, que foi instalado na Sinagoga, construída no século XV, quando a comunidade judia começou a chegar e formou o bairro que seria a judiaria.

Trinta e nove hectares de ar puro
Os 39 hectares de árvores, plantas e flores da Mata Nacional dos Sete Montes são um luxo de ar puro para a cidade. Também conhecida como a Cerca do Convento, de que fazia parte integrante, foi usada como área de cultivo e de recolhimento pela Ordem de Cristo. Por entre a vegetação frondosa, com ciprestes, olaias, carvalhos e oliveiras seculares, surge um templo miniatura, conhecido por Charolinha, que foi construído pelo arquiteto João de Castilho.

Trata-se de uma torre cilíndrica em pedraria lavrada, semelhante a uma das torres-lanterna do Convento de Cristo. A Charolinha está rodeada por um tanque circular que a faz parecer isolada do mundo, sendo por isso um retiro quase secreto e oculto, onde o visitante chega após transpor uma ponte de pedra.

Otília marques faz as coroas da festa
É das mãos treinadas da latoeira Otília Marques que surgem as mais belas coroas dos tabuleiros, que vão desfilar na próxima festa. As mais trabalhadas são para o cortejo dos rapazes, no dia 30 de junho, por serem mais pequenas. Encimadas pela Cruz de Cristo ou por uma pomba do Espírito Santo, as coroas são feitas manualmente em chapa de ferro laminada, com banho de estanho e pintadas com purpurina para ganharem o tom dourado.

Esta altura é de grande azáfama para a latoeira, que herdou o gosto e o jeito do pai, o mestre Américo Marques, já falecido. Só ainda não conseguiu concretizar o sonho de transformar em Museu da Latoaria as duas salas de exposição anexas à oficina, na rua de Leiria. Para já, Otília Marques faz tudo por preservar as peças que o pai foi fazendo ao longo de uma vida, para que fiquem para as próximas gerações.

Diversão na albufeira
A albufeira criada pela barragem de Castelo do Bode é um paraíso para quem gosta de tranquilidade e paisagens naturais deslumbrantes, mas também para os amantes de desportos náuticos, mais ou menos radicais.

Banhada pelo rio Zêzere, guarda a água que abastece a região de Lisboa, formando um lago gigante. Ali é sempre com o pé na água - que tem uma boa temperatura para banhos junto às margens - que se descobre toda a sua beleza.

Do lado de Tomar, no Casalinho, fica a Marina de Castelo do Bode, com capacidade para estacionamento de 70 barcos de recreio até 7,20 metros. Além do bar e das zonas de lazer, dispõe de oficina para apoio às embarcações. Está aberta todo o ano, organiza passeios de barco, a Dornes, por exemplo, e acolhe eventos náuticos, com destaque para o wakeboard, wakesurf e ski.

Museu dos Fósforos: Mostra de 127 países
As caixas e as carteiras cabem na palma da mão e parecem multiplicar-se ao longo das salas do Museu do Fósforo, no Convento de São Francisco.

O Museu abriu em 1989, mas as mais de 80 mil caixas e carteiras de fósforos que estão disponíveis para visita começaram a ser colecionadas na década de 50, por Aquiles da Mota Lima. O filumenista, que morreu em 1984, reuniu peças de 127 países, entre as quais uma coleção mexicana que reproduz 250 quadros célebres e outra alemã de instrumentos musicais.

Há também caixas da Rússia com filmes e vedetas, das Canárias e de Itália com joias e pedras preciosas e do Japão a reproduzir mitos e artes lendárias, entre muitas outras. A entrada é gratuita e o visitante é convidado a fazer uma viagem pelos vários continentes, através da história contada nas caixas de fósforos.

Festa dos Tabuleiros: Flores vivem em papel
Única no mundo, a festa dos tabuleiros realiza-se de quatro em quatro anos. A próxima será de 29 de junho a 8 de julho - e os preparativos vão já na reta final.

O colorido da festa vem sobretudo das flores de papel, que decoram os tabuleiros e as ruas por onde o cortejo passa, no centro histórico da cidade. Desde há vários meses que dezenas de voluntários preenchem os tempos livres a transformar o papel em belas flores.

Organizada em honra do Divino Espírito Santo, é uma festa de oferendas, simbolizadas no pão e no trigo que ornamentam os tabuleiros transportados à cabeça.

Ceia medieval a velas
Um edifício com origem medieval, que já foi mercearia, talho e padaria, deu lugar a um restaurante temático que recria a época medieval. Do original, foi mantido o forno comunitário e uma argola em ferro onde o moleiro prendia o burro quando trazia a farinha, para além das paredes em pedra.

Aberto desde 2012, o Taverna Antíqua situa-se no centro histórico de Tomar e desafia os clientes a uma "experiência gastronómica e cultural" à luz de velas e tochas, a única iluminação do restaurante, conta o proprietário, Emanuel Rosa. Na ementa há sopa de castanhas com cogumelos, tábua de queijos e enchidos, espetadas de moelas e perninhas de rã, entre outros petiscos.

Património da humanidade foi casa de infantes e reis
Declarado monumento ‘património da humanidade’ em 1983, o Convento dos Cavaleiros de Cristo de Tomar está integrado no Castelo Templário sobranceiro à cidade.

A sua arquitetura abrange várias épocas, da arte românica aos estilos gótico e manuelino, passando pelo renascimento e maneirismo, até ao barroco.

Foi casa do Infante D. Henrique, que mandou construir dois claustros. São do tempo de D. Manuel I e do seu filho D. João III os claustros quinhentistas, mas foi D. Filipe II, que se tornou rei de Portugal nas Cortes de Tomar, quem mandou concluir o claustro principal e deu início ao Aqueduto dos Pegões, concluído por Filipe III.

Edificado pelos Templários a partir da Charola, o Convento deu abrigo à Ordem de Cristo a partir do século XIV. No entanto, o templo de planta redonda tem matriz na igreja que o imperador Constantino construiu sobre o Santo Sepulcro, em Jerusalém.

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