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Correio da Manhã

Boa Vida
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Pedro Baptista recuperou talhas centenárias alentejanas

Fundação Eugénio de Almeida junta-se à onda dos vinhos que revivem a história.
Edgardo Pacheco 20 de Fevereiro de 2019 às 20:39
Vinhas da Adega da cartuxa, na Quinta de Valbom
Cartuxa
Vinhas da Adega da cartuxa, na Quinta de Valbom
Cartuxa
Vinhas da Adega da cartuxa, na Quinta de Valbom
Cartuxa

Qualquer dia será interessante perceber quantos vinhos de talha nasceram, digamos, nos últimos 2 ou 3 anos.

E isto porque uma categoria com muita tradição no alentejo estaria, na opinião de muitos, condenada a uma nota de rodapé na história contemporânea do vinho alentejano. Mas como a excessiva padronização dos vinhos nacionais exige novidade para atrair os consumidores, a técnica da talha funcionou muito bem.

Claro que, como seria de esperar, muita criatividade nas adegas faz com que haja vinho de talha para todos os gostos e feitios, o que deixa muita gente de Vila Alva, Cuba, Vidigueira e arredores a torcer o nariz a alguns vinhos que chegam às prateleiras.

Contudo, convém deixar escrito que a CVR Alentejana tem normas específicas para garantir que os produtores destes vinhos tenham lisura na produção dos mesmos.

Ora, uma das mais recentes novidades neste domínio é este Cartuxa Talha Bio 2017, que resulta de um trabalho cuidado do enólogo Pedro Baptista na recuperação de 29 talhas centenárias (revestimento de pez no seu interior).

Com estas fez um branco e tinto. Enquanto o primeiro resulta de um lote vasto de castas, o tinto é feito apenas com Alicante Bouschet. E isto, desde logo, é suficiente para sentirmos que este é um vinho de talha que foge ao padrão.

Não é que não se sintam as notas de fermentação em talha, mas é um vinho muito concentrado, quer na cor quer nos sabores, com destaque para a fruta bem madura.

Então quando se chega ao álcool é que as coisas doem (14,5%). Entendemos que alguma moderação seria bom conselho, mas se o mercado gosta...

Uma enoteca que presta bom serviço ao Alentejo
Há enotecas que se limitam a servir os seus vinhos com uns petiscos padronizados, mas a Enoteca da Cartuxa está muito longe deste conceito.

Aqui come-se muito bem pratos com matriz regional (mas não só), num ambiente cosmopolita e bem gerido pelo pessoal da sala.

A escola japonesa
Entre as dezenas de variantes de dietas que nascem nas prateleiras das livrarias, se calhar não é muito difícil garantir que aquela que é praticada desde sempre pelos japoneses é a mais inteligente, sensata, eficaz e saborosa).

E - mais importante - com provas que todos conhecemos (maior esperança de vida e menor incidência de diabetes).

Para os japoneses as coisas são muito claras. Podemos comer tudo, desde que não o façamos como se estivéssemos na véspera da nossa morte.

Candice Kumai, uma americana descendente de mãe japonesa e bonita (foi modelo), andou nos últimos tempos a perceber como os seus antepassados se relacionam com a comida.

Resultado, este seu ‘Bem-estar Kintsugi’ dá-nos um conjunto de receitas saborosas e notas rápidas sobre a cultura nipónica. Para os fanáticos por massas e vegetais, um livro certeiro. Custa 18,90 €.

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