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Correio da Manhã

Boa Vida
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Queijos para gostos variados

Aprendemos a distinguir as nuances de aromas, sabor e texturas quando arriscamos na compra de marcas desconhecidas.
Edgardo Pacheco 4 de Dezembro de 2017 às 21:31
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Vinho
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Vinho
Assim como acontece com os vinhos, os azeites, chocolates ou cafés, os portugueses têm um gosto tremendo em manter a fidelidade a determinadas marcas de queijo.

Podem as prateleiras dos supermercados derramar largas dezenas de marcas que muita gente compra sempre os mesmo queijos. Afeiçoam-se a um determinado sabor e pronto, vão pela vida fora a comer sempre a mesma coisa. O que é curioso, porque há poucos produtos alimentares que permitem variações interessantes de sabores e texturas por tão pouco dinheiro.

Justamente a pensar nesta questão, decidimos passar por alguns supermercados e selecionar um sortido variado de queijos portugueses, uns conhecidos e outros não; uns fresquíssimos e outros bem curados; uns com denominação de origem e outros não.

De caminho daremos algumas dicas sobre a utilização do vinho com o queijo, que é para desmontar essa ideia de que um queijo pede sempre um ‘tintinho’. Umas vezes sim, na maioria das vezes, não.

Vamos às sugestões
Cremoso e intenso
No mercado há requeijões de leite de ovelha, cabra e vaca. Cá no nosso entender nada bate um requeijão de ovelha, atendendo à gordura do leite. Este requeijão de Miguel Frade da Silva é cremoso que se farta. Ou melhor, aveludado. A 2 €. 

A riqueza do leite cru
Um conhecedor de queijos sabe que os produtos da BeiraLacte são feitos à moda antiga. Com olhos mecânicos com fartura, este é um queijo muito aromático ao primeiro corte. O seu caráter picante prolonga-se na boca. Custa 12 €. 

O equilíbrio perfeito 
Estes pequenos queijos de cabra feitos com leite nacional têm o condão de encantar com regularidade o júri do concurso Queijos de Portugal, pelo facto de revelarem sabor intenso e equilíbrio entre acidez e teor de sal. A 3 €. 

Acidez no ponto certo  
Nisa é uma Denominação de origem a partir de leites de ovelha. Infelizmente, não é muito badalada. Este Herdade da Maia feito na região do Crato é muito aromático quando se liberta e tem bom equilíbrio no que se refere à acidez. Custa 7 €.

Os misteriosos cristais crocantes
Depois de muita luta contra as poucas fábricas  existentes na ilha de São Jorge começa a chegar ao mercado queijo com 24 meses de cura embalado a vácuo. Intenso, picante e com os maravilhosos cristais crocantes. Custa 6 €. 

Saborosa descoberta  
A Mercearia da Aldeia é um projeto recente no universo queijeiro (nasceu em 2013) e, apesar de não ter produtos DOP, tem exigência nos processos produtivos. Às cegas, diríamos que este queijo de ovelha é um típtico queijo de Azeitão. A 2,5 €. 

Azeitão premiado  
Mas se o objetivo é mesmo provar um queijo de azeitão com certificação, cá está um bom exemplar, recentemente premiado a nível mundial. Estão a sentir aquele acídulo cremoso de um bom Azeitão? Pois está cá isso tudo. Ao preço de 5 €.

Amanteigado e pequeno
É preciso termos em atenção que, tecnicamente, não é nada fácil fazer um queijo amanteigado com 100 ou 110 gramas. Mas é o que temos desde 1999 com este Monte da Vinha amanteigado. O problema aqui é parar de comer. A 2,5 €. 

Cremoso, suave e guloso
Tendendo à tragédia de 15 de outubro e à fraquíssima produção leiteira das ovelhas bordaleiras, comprar queijo Serra da Estrela é fazer serviço público, só que um serviço saboroso, cremoso e suave, como sentimos neste São Gião. 14 €. 

O sabor dos velhos tempos
Antigamente, um queijo Serra da Estrela era quase sempre curado. Hoje, não.  Um Serra da Estrela Velho é um queijo cheio, quente, intenso e com notas bastante picantes. Este Vale da Estrela é dos tais que pede um vinho Madeira. 8,5 €. 

Tinto, branco e madeira
Pois é. Fala-se de queijo e muita gente começa a pensar no pão e a ver a rolha a saltar de uma garrafa de tinto.
Vejamos. Em todas as ligações de comida com o vinho devemos ter a preocupação de encontrar equilíbrios entre as partes.

Um vinho tinto novo não muito extraído fará sentido para um queijo de vaca com pouco tempo de cura, mas já estará contraindicado para um queijo Serra da Estrela Velho. Neste caso, e como o queijo será muito intenso, um vinho branco com alguma fermentação em madeira irá como que suavizar a nossa boca.

E se estivermos perante um queijo muito picante (um São Jorge), um vinho doce (Porto ou Madeira) recomenda-se.

Conheça a listagem dos melhores industriais
Todos os anos, a Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios organiza o concurso Queijos de Portugal, que tem como função premiar o que de melhor se faz com leite de vaca, ovelha e cabra, sendo que, neste caso, os queijos com denominação de origem não entram. Como estamos perante 19 categorias (cada uma com três prémios), a listagem enorme dos premiados pode ser consultada em www. anilact.pt. 
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