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Correio da Manhã

Boa Vida
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Vinho feito no barro

O tinto era desejado desde 1988 e exigiu muitas experiências na adega.
Edgardo Pacheco 24 de Maio de 2017 às 17:03
Cortes de Cima é uma empresa liderada pelos dinamarqueses Carrie e Hans Jorgensen
Cada garrafa de vinho destas custa 16 euros
Cortes de Cima é uma empresa liderada pelos dinamarqueses Carrie e Hans Jorgensen
Cada garrafa de vinho destas custa 16 euros
Cortes de Cima é uma empresa liderada pelos dinamarqueses Carrie e Hans Jorgensen
Cada garrafa de vinho destas custa 16 euros
A tradição diz que um vinho de talha faz-se numa grande e velha talha de barro, envernizada ou impermeabilizada por dentro. E as regras modernas do marketing dizem que é conveniente um produtor alentejano ter no seu portefólio, entre vinhos tecnologicamente evoluídos, um vinho de talha.

Afinal de contas, anda por aí uma onda de regresso ao passado e aos vinhos naturais e/ou biodinâmicos.

Sucede que, para comprovar que toda a regra tem a sua exceção, há quem, curioso e respeitador do passado, tente pegar nas técnicas ancestrais para lhes dar a volta.

A empresa Cortes de Cima, por exemplo, sempre desejou apresentar um tinto de talha, mas Hans Jorgensen nunca apreciou os resultados das fermentações em talhas tradicionais.

Mas quando, em 2012, o enólogo Hamilton Reis começou a fazer experiências, o dinamarquês ficou mais ou menos agradado. E quando Hamilton provou que um bom vinho de talha deveria, primeiro, ser feito em recipientes de barro cru (não vidrado) e, segundo, em dois vasilhames de formato diferente, tudo mudou.

O que antes era um vinho desinteressante passou a ser algo atrativo e com algum potencial de guarda.

O facto de o barro não ser vidrado permite uma troca de oxigénio muito lenta, polimerizando assim o vinho. E os dois formatos de vasilhame (primeiro uma talha aberta e depois uma ânfora com batoque) permitem que o vinho estabilize com maior segurança. Vinho de talha? Se calhar o mais correto será dizer vinho de barro. 

Revela potencial na ligação com a comida

A utilização de dois recipientes de barro cru e com formatos diferentes faz com que se desenvolvam determinadas reações físico-químicas que acabam por arredondar o vinho, tornando-o macio na boca.

Ainda assim, em termos de aromas, sentimos umas notas vegetais e terrosas muito interessantes, como que dando alma ao tinto.

Mais importante ainda, aqui não entram barricas de madeira. Agradecem os enófilos fartos de aromas de carvalho novo e agradece quem se preocupa com a gestão dos recursos florestais. Cada garrafa custa 16 euros.
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