Correio da Manhã

As livrarias preferidas do escritor Jorge Carrión
Foto Ricardo Rocha
Ler Devagar, no LX Factory, em Alcântara
Foto Sérgio Lemos
Jorge Carrión esteve em Lisboa a apresentar o livro 'Livrarias'.
Foto Direitos Reservados
Green Apple books, em São Francisco, é um vasto labirinto onde os leitores se demoram a ler
Foto Direitos Reservados
Em Nova Iorque, a Mcnally Jackson permite aos clientes imprimirem os livros de um catálogo de 700 obras
Foto Direitos Reservados
A Librairie des Colonnes consagrou Tânger como cidade-refúgio dos escritores ocidentais.
Por José Carlos Marques | 10:30
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Um roteiro pelas lojas que não se consegue esquecer.

Desta vez, Jorge Carrión veio a Lisboa para apresentar ‘Livrarias’, o livro em que reúne histórias pessoais e um longo ensaio sobre as relações entre autores, livros, e livrarias. Nesta visita, o autor catalão não tinha previsto ir à Ler Devagar (foto em baixo), umas das suas preferidas. "É uma livraria única no mundo. Pela quantidade de livros, que faz dela uma das maiores; porque a loja é dona de todos os livros que vende, no que é a única que conheço; pelos eventos culturais. Talvez seja a que está mais perto de ser a livraria ideal", conta Carrión. Não gosta de listas, mas faz um top 5 das inesquecíveis, onde acrescenta a Green Apple (São Francisco), Shakespeare and Company  (Paris), McNally Jackson Books (Nova Iorque) e a Des Colonnes (Tânger).

Estantes que guardam o saber do Velho e do Novo Mundo   
Na sua extensa viagem por todos os continentes, Jorge Carrión destaca as livrarias que não lhe saem da memória. Evoca duas lojas americanas. A Green Apple Books, em São Francisco, abriu em 1967 e Carrión apresenta-a como "a casa onde ir para quem anda à procura de respostas". Em Nova Iorque, a McNally Jackson é uma livraria familiar que tem um máquina de imprimir livros. Do outro lado do mundo, em Marrocos, o autor destaca a Des Colonnes, de Tânger, ponto de confluência dos grandes escritores do século XX. 

Boa tecnologia   
É uma pergunta inevitável para um bibliófilo: Estará o livro condenado a desaparecer? "Há de desaparecer um dia, como tudo está condenado a desaparecer, mas não conheço uma melhor tecnologia para ler e tomar notas do que um livro impresso", diz Jorge Carrión. E não é por não ter experimentado outras. "Durante anos usei o tablet para ler. Cheguei à conclusão de que não fixei praticamente nada dos livros digitais que li. O livro é uma experiência física, o sublinhar, o manusear, assim se constroem as memórias". O escritor crê que os augúrios sobre a morte das livrarias são  exagerados e acredita que "a geração do YouTube vai descobrir o papel". Quando crescer.  

As três gerações de um mito  
Fundada pela americana Sylvia Beach, a primeira ‘Shakespeare and Co’ abriu em Paris nos anos 20 e era casa de Hemingway, Fitzgerald ou Joyce. Fechou com a ocupação nazi. Outro americano, George Whitman, trouxe o nome para um novo espaço. Com camas para quem lá quisesse dormir e encontrar os escritores da ‘geração beat’ americana. Hoje é a filha de George, Sylvia Beach Whitman, que mantém o mito vivo.

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