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Correio da Manhã

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António Pires apresenta "As Cadeiras" em teatro de Almada

Luís Lima Barreto e Carmen Santos dão corpo a duas personagens eternas de Ionesco.
Ana Maria Ribeiro 19 de Outubro de 2019 às 18:00
'As Cadeiras' em exibição no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada
'As Cadeiras' em exibição no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada
'As Cadeiras' em exibição no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada
'As Cadeiras' em exibição no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada
'As Cadeiras' em exibição no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada
'As Cadeiras' em exibição no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada
Num espaço indefinido, um salão com duas janelas e várias portas, rodeado de mar, um casal de velhos prepara-se para uma grande receção. Convidaram muitas pessoas para uma festa de arromba, e embora não chegue ninguém, nem por isso estas duas personagens deixam de falar com os seus ‘convidados-fantasma’…

É assim a peça que Eugene Ionesco publicou em 1953 (depois de ‘A Cantora Careca’ e ‘A Lição’) e que o encenador António Pires começa hoje a apresentar, em antestreia, no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada.

"Foi o ator Luís Lima Barreto que traduziu e me trouxe a peça, com a proposta de a encenar", conta ao CM. "Achei muito interessante, até porque é raro ter oportunidade de dirigir atores com mais idade. O Ionesco diz que estas personagens têm 95 anos… mas fizemo-las com atores na casa dos 70", acrescenta ele, que acha que fazem falta mais espetáculos com atores mais velhos.

"De vez em quando gostava de ver, em cena, pessoas com mais idade a trabalhar. E eu próprio gostava de dirigir essas pessoas. Um ator com carreira, com peso, diz as palavras de outra maneira: a palavra chega cá fora já cheia de história."

A Luís Lima Barreto juntou-se Carmen Santos, uma atriz que podia "transmitir a fragilidade da personagem feminina".

"Estas personagens estão, como é habitual nas pessoas de 95 anos, confusas relativamente ao local onde se encontram ou ao ano em que estão, mas têm um plano: tencionam suicidar-se, porque acham que chegou o momento de pôr fim à vida. E no entanto, esta é uma peça extremamente divertida, que me deu muito prazer montar", adianta António Pires, que saltou à possibilidade de voltar a pegar num autor do chamado Teatro do Absurdo.

"Fiz Beckett há muitos anos, e poder fazer Ionesco agora foi um presente: este tipo de peça dá muita liberdade tanto aos atores quanto ao encenador. É um texto aberto. Pões lá o que quiseres", conclui.

O espetáculo, que estará em cena em Almada até domingo, segue depois para Lisboa, para cumprir carreira no Teatro do Bairro até 10 de novembro.

FICHA
‘As cadeiras’
Texto: Eugène Ionesco
Encenação: António Pires
Interpretação: Carmen Santos, Luís Lima Barreto e Rafael Fonseca
Música: Miguel Sá Pessoa
Cenografia: Alexandre Oliveira
Desenho de luz: Rui Seabra
Desenho de sin: Paulo Abelho e Miguel Sá Pessoa
Movimento: Paula Careto
Caracterização: Ivan Coletti
Duração: 90 minutos
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