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Correio da Manhã

Boa Vida
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As bibliotecas mais bonitas do mundo

Do Canadá à China, dos EUA à Alemanha e também em Portugal. Edifícios primam pela beleza e causam expressão de espanto.
Paulo Fonte(paulofonte@cmjornal.pt) 17 de Janeiro de 2018 às 18:41
Real Gabinete Português de Leitura
Biblioteca de Alexandria
Trinity College
Mosteiro de Wiblingen
Tianjin Binhai
Biblioteca Joanina
Parlamento Canadiano
Biblioteca do Convento de Mafra
Biblioteca George Peabody
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Trinity College
Mosteiro de Wiblingen
Tianjin Binhai
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Biblioteca do Convento de Mafra
Biblioteca George Peabody
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Mosteiro de Wiblingen
Tianjin Binhai
Biblioteca Joanina
Parlamento Canadiano
Biblioteca do Convento de Mafra
Biblioteca George Peabody
Santuários da sabedoria, as bibliotecas juntam o melhor de dois mundos – a cultura expressa em livros e a beleza das instalações. Para quem apenas procura o saber nos livros, quem se delicia com a arquitetura ou, simplesmente, é um viajante curioso, aqui vai encontrar um pouco da história de algumas das mais bonitas do Mundo. Do antigo ao futurista, os próprios edifícios são verdadeiras obras de arte. 

O peso da história  
Edificada em 2002, a nova biblioteca de Alexandria, no Egito, também chamada Alexandrina, é uma referência. Não é apenas um mero local de armazenamento de livros, abriga ainda museus, auditórios, laboratórios e um planetário. Guarda a maior coleção de livros em África e a maior coleção de obras em francês no mundo árabe. A antiga biblioteca foi uma das maiores do Mundo e, séculos depois da sua destruição, o novo edifício está repleto de simbolismo. O concurso para a construção foi ganho pelo estúdio do norueguês Snøhetta, que se destacou com um projeto ousado. 

Eleita em votação 
Em 2015, a biblioteca do Trinity College, em Dublin, Irlanda, foi eleita como a mais bonita do Mundo, segundo uma votação promovida pelo site Architecture and Design. Abriu em 1592, fundada por Isabel I de Inglaterra, para fornecer leitura à população numa altura em que a Igreja anglicana se expandia. De início com um acervo reduzido, o património enriqueceu com a compra da biblioteca de James Ussher, primaz da Irlanda. Em 1732 foram inauguradas novas instalações e deram entrada mais livros. Em 1856, o tecto foi substituído por uma abóbada, o que permitiu ganhar pé-direito. 

Obra de portugueses 
Fica no centro do Rio de Janeiro, no Brasil, e já foi considerada pela revista ‘Time’ como uma das vinte bibliotecas mais bonitas do Mundo. O Real Gabinete Português de Leitura reúne o maior acervo de obras lusitanas fora de Portugal. Entre as 350 mil obras disponíveis encontra-se um exemplar da primeira edição de ‘Os Lusíadas’ (1572), de Luís de Camões, que pertenceu à Companhia de Jesus. Foi fundado em 14 de maio de 1837, com a iniciativa a partir de um grupo de emigrantes portugueses que pretendiam dar a oportunidade aos compatriotas de ampliar os seus conhecimentos. 

Um local sagrado 
A biblioteca do Mosteiro de Wiblingen, no estado de Baden-Württemberg, na Alemanha, tem a dimensão e o luxo de um lugar sagrado. Os frescos do tecto e as esculturas, dos artistas Franz Martin Kuen e Dominikus Hermenegild Herberger, contam com 1750 desenhos, o que confere ainda mais charme. À entrada, os visitantes deparam com uma inscrição em latim que significa ‘aqui estão armazenados todos os tesouros do conhecimento e da ciência’. Tem perto de 15 mil manuscritos, entre outros documentos, muitos deles do século XV. A biblioteca foi construída entre 1740 e 1750. 

Verdadeiro oceano de livros num espaço em forma de olho
A biblioteca Tianjin Binhai está localizada a cerca de 100 quilómetros da capital chinesa, Pequim. Ocupa 33 700 metros quadrados, com um luminoso auditório esférico em torno do qual as estantes, do chão ao tecto, estão posicionadas em cascata. São onduladas e utilizam-se para enquadrar o espaço, criar escadas, assentos e tectos em camadas.

Está situada ao lado de um parque, é um dos cinco edifícios culturais desenhados por um quadro internacional de arquitetos, nos quais se incluem os ateliers Bernard Tschumi Architects, Bing Thom Architects, HH Design e MVRDV.

Inaugurada em outubro de 2017, oferece espaço para guardar 1,2 milhões de livros. "O interior da biblioteca é quase como uma gruta, uma estante contínua", disse Winy Maas, cofundador da MVRDV, uma agência holandesa fundada em 1993, explicando ainda que o edifício foi construído em "tempo recorde" – três anos.

No centro da biblioteca encontra-se um auditório esférico. "As estantes são ótimos espaços para se sentar e, ao mesmo tempo, permitem aceder aos andares. Os ângulos e as curvas estimulam diferentes usos do espaço", acrescentou Maas. As áreas destinadas a crianças e idosos estão no piso térreo. Os andares superiores recebem escritórios, salas de reuniões, de informática e terraços. Há ainda subterrâneos que guardam arquivos. É descrita como um ‘Oceano de livros’ e a ‘Biblioteca mais bonita da China’.

De forma circular
Projetada por Thomas Fuller em estilo gótico, a Biblioteca do Parlamento Canadiano, em Otava, foi inaugurada em 1876 e a sua forma circular e o uso de galerias deveram-se a uma inspiração do primeiro bibliotecário parlamentar, Alfreu Todd, que, na altura, deixou a recomendação de que o edifício deveria ser espaçoso e separado do bloco central, para proteção do fogo. As chamas são mesmo o grande inimigo da biblioteca, com incêndios em 1849, 1916 e 1952, este último deflagrado na cúpula e a danificar parte do conteúdo, devido à água e fumo. Na ocasião, os painéis de madeira foram desmontados  e o piso foi refeito em cerejeira, carvalho e nogueira. No centro da sala encontra-se uma estátua de mármore branco da jovem Rainha Vitória, esculpido por Marshall Madeira, em 1871. Em 2006, as portas reabriram após quatro anos de obras. 

Filantropo teve ideia 
Esta fantástica construção nasceu da ideia do filantropo George Peabody (1795-1869), que se dedicou ao comércio da lã em Baltimore, Estados Unidos. Em 1837 mudou-se para Londres, onde expandiu o seu negócio e criou um banco mercantil. Antes de morrer doou uma verba para fundar o ‘The Peabody Institute Baltimore’, que incluía uma galeria de arte, uma sala de concertos e a biblioteca. O instituto foi desenhado por Edmund Lind, que venceu um concurso. A biblioteca, concluída em 1878, destaca-se pela sua ampla sala de leitura, com clarabóias a 18,6 metros de altura. Na construção foi utilizado ferro, pela sua força e resistência ao fogo. A biblioteca é composta por uma coleção com mais de 300 mil títulos, a maioria dos quais datam do período entre os séculos XVIII e XX.  É hoje uma divisão da Universidade Johns Hopkins. 

Em memória de D. João V  
Construída entre 1717 e 1728, a Biblioteca Joanina está situada no Paço das Escolas da Universidade de Coimbra. Trata-se de um expoente do barroco português e o nome honra a memória do rei D. João V (1689-1750), que patrocinou a edificação. Construída de modo a exaltar o monarca e a riqueza do império, apresenta uma rica combinação de materiais exóticos. É composta por três pisos: o Piso Nobre, a face mais emblemática da Casa da Livraria; o Intermédio, local de trabalho, funcionou como casa da Guarda; e a Prisão Académica, que de 1773 até 1834 foi o local de clausura dos estudantes. O interior, trabalhado pelo artista decorativo Manuel da Silva ao longo de 40 meses, é revestido por estantes forradas a folha de ouro e decoradas com motivos chineses, que estabelecem relação cromática com os fundos a verde, vermelho e negro. 

Das mais importantes 
É considerada uma das mais importantes bibliotecas do Mundo e faz parte do palácio mandado construir em 1717 por D. João V. A Biblioteca do Convento de Mafra encerra uma coleção de cerca de 30 mil livros dispostos em estantes estilo rococó. As encadernações a couro gravadas a ouro devem-se à ação da Ordem Franciscana. Muitas das obras foram encomendadas por D. João V, já que o rei pretendia concentrar no espaço o que de melhor se imprimia. A sua autoria deve-se ao arquiteto Manuel Caetano de Sousa, o autor do projeto inicial do Palácio Nacional da Ajuda. Com 88 metros de comprimento e uma planta em cruz, os volumes vão do século XV ao XIX e cobrem todas as áreas do conhecimento. A chamada Casa da Livraria de Mafra tem entre o seu catálogo obras raras, como uma edição do século XVI das teorias do filósofo grego Aristóteles. 
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