Barra Cofina

Correio da Manhã

Boa Vida
7

Bossa Nova: Cheirinho a Brasil dá cor a Lisboa

Esta sexta-feira, o CCB abre as portas à Bossa Nova para assinalar os 60 anos de um género que mudou a história da música brasileira.
Miguel Azevedo 18 de Outubro de 2019 às 16:00
Brasil
Brasil FOTO: Direitos Reservados
Reza a história que foi no decorrer de uma aula de Medicina, na Faculdade do Rio de Janeiro, nos anos 30, que o compositor Noel Rosa (um dos maiores sambistas da história do Brasil) ouviu pela primeira vez o termo ‘bossa’, uma gíria médica para designar uma "protuberância arredondada na superfície do crânio", que, segundo uma ciência chamada Frenologia, determina a vocação e a capacidade das pessoas.

O termo, que acabou por ser usado pelo próprio Noel Rosa no samba ‘São Coisas Nossas’ e que foi um pouco mais tarde adotado por um grupo de sambistas que se autointitulou ‘Cantores de Bossa’, passou a ser utilizada, nos anos 50, para designar tudo e qualquer coisa que fugisse fora da normalidade. Por essa altura, alguns jovens músicos cariocas, cansados de uma certa estagnação do samba, já se reuniam em saraus caseiros para encontrar uma nova forma de o tocar.

am chegando e aumentando o movimento. Dele fizeram parte, entre muitos outros, Nara Leão, Carlos Lyra, Roberto Menescal e João Gilberto, aquele que ainda hoje é considerado o pai da bossa nova. É dele aquelas que, para muitos, são as canções seminais de todo o género, ‘Chega de Saudade’ e ‘Desafinado’, este último feito de forma superior por António Carlos Jobim e Newton Mendonça.

Foi lançada em 1959, em resposta àqueles que diziam que a bossa nova era um género para desafinados. Ora, é toda esta história que é transportada esta sexta-feira para o palco do CCB num projeto da autoria dos baianos Murilo Miranda e Rodolfo Carvalho intitulado ‘60 Anos Bossa Nova’.

O projeto, que também tem edição em disco, conta, ao vivo, com as participações do Quarteto do Rio (ex-Os Cariocas), Roberto Menescal, Wanda Sá, Marcelo Caldi (pianista e acordeonista) e João Cavalcanti (cantor e compositor), representando uma referência ao encontro entre Tom Jobim, Vinicius de Moraes, João Gilberto e Os Cariocas, na década de 1960, na discoteca Au Bon Gourmet, em Copacabana, berço da bossa nova.

De ritmo calmo, influenciado pelo samba e pelo jazz, de violão ou piano, a bossa nova vai ouvir-se esta sexta-feira em Lisboa, como se estivéssemos em Ipanema, como se fosse no Rio. "Isto aqui, ô ô É um pouquinho de Brasil iá iá".  
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)