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Correio da Manhã

Boa Vida
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Gatos mutantes perdem carisma no grande ecrã

Musical ‘Cats’ chega com pompa e circunstância mas os efeitos especiais, que tornam os felinos em humanoides digitalizados, acabam por comprometer o resultado final.
Rui Pedro Vieira 28 de Dezembro de 2019 às 16:00
'Cats'
‘Armados em Espiões’
‘Jexi’
'Cats'
‘Armados em Espiões’
‘Jexi’
'Cats'
‘Armados em Espiões’
‘Jexi’
O musical estreou há 38 anos em Londres, mas tornou-se um fenómeno global quando a Broadway pegou nele e o tem exibido anos a fio. ‘Cats’, já nos cinemas portugueses, ganhou agora a forma de filme e parece ter tudo para singrar: um elenco de luxo, que inclui Taylor Swift, Idris Elba, Judi Dench ou Ian McKellen; um orçamento chorudo (de mais de 85 milhões de euros) e pejado de efeitos digitais; e a música de Andrew Lloyd Webber, inflacionada por novos números e temas inéditos.

No entanto, esta produção falha em quase todas as frentes, sendo que a principal fragilidade está, precisamente, na tecnologia que insiste em tornar os felinos em humanoides artificiais, num trabalho de digitalização que afasta qualquer esforço de empatia.

‘Cats’ é muito simples em termos narrativos: limita-se a apresentar personagens excêntricas e peludas, enquanto é preciso decidir qual delas vai ascender a uma outra dimensão para representar a tribo Jellicle e viver uma nova vida. É apenas isso, num penoso exercício cheio de coreografias excessivas e dotes vocais, que muitas vezes ultrapassam o limite do suportável.

Depois de receber um Óscar por ‘O Discurso do Rei’ (2010) e apostar no musical na obra ‘Os Miseráveis’ (2012), o realizador Tom Hooper viu-se a braços com as críticas logo que o trailer deste ‘Cats’ foi parar às redes sociais. Múltiplas vozes condenaram o aspeto visual do filme, o que forçou o cineasta a refazer várias cenas até 36 horas antes da estreia mundial. O esforço de última hora pouco valeu, já que ‘Cats’ respira falhanço por todos os poros.

OUTRAS ESTREIAS
‘Armados em Espiões’
Sátira aos filmes de espionagem, numa animação produzida pelo mesmo estúdio que criou a saga ‘Idade do Gelo’ ou o mais recente ‘Ferdinando’. A premissa assenta num espião de elite que se vê a braços com um feitiço que o transforma em pássaro. Para seguir a sua missão de salvar o Mundo, tem de confiar num jovem viciado em tecnologia.

‘Jexi’
Comédia simpática sobre os dias de hoje em que a tecnologia pode ditar todos os passos. Adam Devine é Phil, um jovem viciado no telemóvel que liga muito pouco aos afetos e ao contacto com os outros. Tudo promete mudar quando uma nova aplicação se assume como ‘treinadora de vidas’ e assistente virtual, capaz de mudar as rotinas.
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