Barra Cofina

Correio da Manhã

Boa Vida
8

Mónica Garnel encena peça em que a avó se estreou

Atriz e encenadora prepara a estreia de ‘Antígona’, de Sófocles, no palco do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.
Ana Maria Ribeiro 3 de Setembro de 2019 às 16:00
Mónica Garnel
Antígona
Mónica Garnel
Antígona
Mónica Garnel
Antígona
Vinte e sete anos depois de se estrear como atriz no palco do Teatro Nacional D. Maria II – na peça ‘As Fúrias’, de Agustina Bessa-Luís, sob a direção de Filipe La Féria – Mónica Garnel vai voltar à casa de Garrett para dirigir ‘Antígona’, a tragédia de Sófocles que coloca uma mulher no centro da ação. Uma mulher que recusa obedecer ao poder e que, por isso, vai ser sacrificada.

Mais interessante ainda: Garnel vai encenar a mesmíssima peça com que se estreou, no mesmíssimo Teatro Nacional, a sua avó, Mariana Rey Monteiro, em 1946. Há setenta e três anos. "É lindo", diz a encenadora. "A minha bisavó, a Amélia Rey-Colaço, escolheu a ‘Antígona’, para a estreia da minha avó e agora eu vou encenar este texto assombroso. Não podia estar mais satisfeita", afirma Mónica Garnel, acrescentando que este é "com toda a certeza, o maior desafio" da sua carreira até ao momento. Na sua oitava encenação, decidiu não entrar como atriz e ficar, ‘apenas’, de fora. A dirigir, qual maestro, a representação dos colegas atores.

"Houve uma altura em que pensei ‘ah, vou perder esta possibilidade extraordinária de fazer a ‘Antígona’ como atriz...’ Ainda pensei atribuir-me um papel, mas depois resisti à tentação. Constato que cá fora há mais insegurança", admite. "O que está a acontecer no palco escapa-me, porque é do domínio dos atores... Ao mesmo tempo espanta-me, seduz-me..."

Desafiada a encenar a peça pelo diretor do Teatro Nacional, Tiago Rodrigues, Mónica Garnel diz que abraçou o convite "com muita força", porque há muito que queria abordar o universo clássico.

"Só tive oportunidade de fazer tragédia grega quando estava a estudar no Conservatório e senti, ao reler o livro, uma sensação de espanto. É um texto que cria oportunidade para refletirmos sobre conflitos essenciais da vida em sociedade. E o que é mais extraordinário é o facto de ter sido escrito há dois mil e 400 anos!"

‘Antígona’, que tem estreia marcada para dia 18 de setembro, é um espetáculo que agradará às mulheres – pela força e coragem da sua protagonista – mas que Mónica Garnel espera que agrade a todo o tipo de público. "Estou a tentar não falhar nenhum dos múltiplos sentidos contidos no texto, para que abarque toda a gente e não exclua ninguém", diz a encenadora. "Esta é a tragédia da Humanidade. Diz respeito a todos nós."

FICHA
‘Antígona’
Texto: Sófocles
Encenação: Mónica Garnel
Interpretação: André Simões, Carolina Passos-Sousa, Diana Lara, Isaías Viveiros, João Grosso, Joana Pialgata, Laura Aguilar, Lúcia Maria, Manuel Coelho, Maurice, Paula Mora, Pedro Moldão e Pedro Russo
Música: Marta Várzeas
Cenografia e figurinos: Marta Carreiras
Luz: Rui Monteiro
Som: João Diogo Pratas
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)