De Bragança a Vila Pouca de Aguiar, Luciana Abreu pôs à prova duas ideias sobre o Sistema de Depósito e Reembolso (SDR): depois de beber uma água ou um refrigerante, o que fazer com a embalagem vazia? E será que Portugal foi o primeiro país a implementar um SDR?
06 de novembro de 2026 às 13:01A volta com a Luciana passou por Bragança e Vila Pouca de Aguiar para esclarecer estas duas dúvidas. Pelo caminho, houve respostas certas, algumas ideias por corrigir e informação que nem todos conheciam.
Uma embalagem vazia tem valor
Em Bragança, Luciana Abreu foi para a rua com uma pergunta que ainda faz parte do quotidiano de uma parte da população: “Uma garrafa de plástico ou uma lata vazia, com o símbolo volta, passa a ser lixo. Verdadeiro ou falso?” Maria, uma das participantes, respondeu corretamente: “É falso”.
A apresentadora, Luciana Abreu, com a ajuda do voltómetro, clarificou: “Exatamente, não é lixo e volta a ser um recurso com valor. Ao devolveres a embalagem estás a contribuir para a reciclagem.”
A distinção é importante. Uma garrafa de plástico ou uma lata de bebidas abrangida pela volta, identificada com o respetivo símbolo, quando é devolvida através do sistema, segue para um circuito dedicado, que permite encaminhar as embalagens para uma reciclagem de elevada qualidade e transformá-las em matéria-prima para dar vida a novas embalagens. Uma garrafa pode voltar a ser uma garrafa e uma lata pode voltar a ser uma lata, permitindo um menor consumo de matérias-primas virgens.
Uma embalagem vazia com o símbolo volta não é lixo: tem valor e pode voltar a ser matéria-prima para novas embalagens.
Portugal não foi o primeiro a adotar o sistema
Em Vila Pouca de Aguiar, a dúvida era outra: será que Portugal foi o primeiro país europeu a ter um Sistema de Depósito e Reembolso de embalagens de bebidas de uso único até 3 litros?
A resposta correta é “falso”. Mas nem todos os participantes tinham essa informação. Maria de Fátima identificou logo a razão: “Porque nos outros países já se fazia isto antes de se fazer cá.” Quando questionada sobre o que pensava da iniciativa em Portugal, mostrou-se favorável: “Acho muito bem. Faz toda a diferença”, acrescentou.
A participante relacionou a existência do sistema volta com o que observa no dia a dia. “As pessoas aproveitam [a ida ao supermercado] e trazem as embalagens”, explicou. Uma reação que trouxe a conversa para o impacto que estas mudanças podem ter nos hábitos de quem consome bebidas abrangidas pela volta.
A experiência internacional ajuda a perceber que Portugal não está a começar do zero. Os Sistemas de Depósito e Reembolso já estão implementados noutros mercados europeus e constituem uma solução que vários países adotaram para aumentar a recolha de embalagens de bebidas. A chegada da volta representa, assim, a integração de Portugal num modelo que já tem percurso feito além-fronteiras e provas dadas com taxas de recolha médias acima dos 90%.
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O SISTEMA FOI TESTADO EM PORTUGAL ANTES DO LANÇAMENTO
A implementação da volta foi precedida por projetos-piloto realizados em Portugal, que permitiram testar o funcionamento do sistema antes do seu lançamento nacional. Portugal passou, assim, a integrar o grupo de países europeus que já adotaram sistemas de depósito e reembolso para a devolução de embalagens de bebidas.
Marcelo, um dos participantes, tinha a ideia de que Portugal tinha sido o primeiro país europeu a implementar o sistema. Luciana corrigiu a resposta e aproveitou para partilhar os dados da experiência internacional. “Desta não sabia, Marcelo, mas fica a saber”, brincou a apresentadora, num momento que resume a dinâmica da rubrica: perguntar, ouvir e esclarecer, sem transformar a conversa numa aula.
Nos países europeus onde estes sistemas estão implementados, a taxa média de recolha ultrapassa os 90%.
Um modelo com décadas de experiência na Europa
Portugal não é o primeiro país a implementar um Sistema de Depósito e Reembolso (SDR). Na Europa, este modelo existe desde 1984, ano em que foi introduzido na Suécia, e está hoje em funcionamento num número significativo de países. Irlanda, Alemanha, Noruega, Finlândia e Dinamarca são alguns dos exemplos de mercados onde os consumidores já estão habituados a devolver as embalagens de bebidas e receberem o respetivo valor de depósito.
A implementação da volta em Portugal beneficia, assim, de uma experiência acumulada a nível europeu, permitindo aproveitar o conhecimento e as aprendizagens de países onde estes sistemas já fazem parte dos hábitos de consumo e de reciclagem. Aliás, antes do arranque nacional, foram também realizados projetos-piloto em Portugal, que permitiram testar diferentes aspetos do funcionamento do sistema e preparar a sua implementação.
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Sabia que...
Na Europa, este tipo de sistema existe desde 1984, ano em que foi implementado na Suécia? Portugal é 19.º país europeu a receber um SDR.
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