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Cancro do endométrio: sinais de alerta no pós-menopausa

Apesar de ser o tumor ginecológico mais frequente em Portugal, o cancro do endométrio continua pouco conhecido. Reconhecer sinais de alerta pode fazer toda a diferença

15 de junho de 2026 às 11:58

Assinalado a 28 de maio, o Dia Internacional da Saúde da Mulher é também uma oportunidade para dar visibilidade a doenças ainda pouco discutidas, como o cancro do endométrio, o tumor ginecológico mais frequente em Portugal. Apesar da sua prevalência, continua a ser pouco conhecido e frequentemente desvalorizado.

A oncologista Diana Neto da Silva, da ULS Loures/Odivelas, explica que a maioria das campanhas públicas se tem centrado noutros tipos de cancro, como o da mama ou do colo do útero, deixando uma lacuna significativa de informação. A isso junta-se a dificuldade em falar abertamente sobre sintomas ginecológicos, sobretudo numa fase da vida ainda pouco abordada: a pós-menopausa.

Ao contrário de outras doenças oncológicas, não existe rastreio populacional para o cancro do endométrio, o que torna o reconhecimento dos sinais de alarme essencial, como refere a oncologista. Neste contexto, mulheres e profissionais de saúde assumem um papel determinante na deteção precoce.

“Qualquer hemorragia vaginal após a menopausa deve motivar a observação médica, sendo considerada um sinal de alerta até prova em contrário. Nas mulheres mais jovens, perdas menstruais abundantes, irregulares ou persistentes também devem ser valorizadas, sobretudo na presença de fatores de risco associados como obesidade, diabetes ou síndrome dos ovários poliquísticos”, realça Diana Neto da Silva.

A necessidade de literacia neste tipo de cancro aplica-se também a outras especialidades médicas, enfermeiros e outros profissionais do setor. “Também os profissionais de saúde deverão estar sensibilizados para esta doença de forma a valorizar estas queixas e garan tir uma referenciação atempada para ava liação ginecológica e realização de exames, como a ecografia transvaginal”

Também os profissionais de saúde deverão estar sensibilizados para esta doença de forma a valorizar estas queixas e garantir uma referenciação atempada
Diana Neto da Silva

Oncologista na ULS Loures/Odivelas

Alerta para hemorragia vaginal

A avaliação clínica atempada e exames como a ecografia transvaginal são funda mentais para evitar atrasos no diagnóstico. Uma das características deste tipo de cancro é o facto de, em muitos casos, dar sintomas numa fase inicial, o que permite uma intervenção mais eficaz. Ainda assim, esses sinais são frequentemente ignora dos ou desvalorizados. Como sublinha a especialista, “a hemorragia vaginal após a menopausa nunca deve ser considerada ‘normal’. Este pode ser o primeiro sinal de cancro do endométrio e deve ser sempre valorizado e motivar observação médica”. Para além deste sintoma, para as mulhe res mais jovens, “devem ser valorizadas altrações do padrão menstrual, corrimento anormal, dor pélvica persistente ou aumento inexplicado do volume abdominal, sobre tudo se forem sintomas persistentes”.

Quando diagnosticado precocemente, o cancro do endométrio apresenta geral mente um prognóstico favorável, com a doença limitada ao útero e tratável apenas com cirurgia, como refere a oncologista Diana Neto da Silva. Nestes casos, o impacto na vida da mulher tende a ser menor e as probabilidades de cura são elevadas.

Pelo contrário, quando o diagnóstico é feito em fases mais avançadas, “a doença pode já ter invadido outras estruturas ou disseminado para outros órgãos, exigindo tratamentos mais intensivos, como radio terapia, até quimioterapia ou terapêuticas dirigidas”.

Impacto físico, emocional e social

O diagnóstico de cancro do endométrio numa fase avançada, “para além de enorme impacto emocional, pode gerar maior ansiedade, alterações da imagem corpo ral, fadiga e dificuldades no regresso à vida profissional, familiar e social”, salienta Dia na Neto da Silva. Apesar dos avanços científicos recentes, como a caracterização molecular da doença e no desenvolvimento de terapias como a imunoterapia, “continuam a existir desafios importantes, sobretudo nas formas avançadas da doença”. Como alerta a oncologista, “nem todas as doentes respondem da mesma forma aos tratamentos e, em muitos casos, a doença acaba por progredir”.

O futuro aponta para uma medicina mais personalizada “e ainda há necessidade de identificar novos biomarcadores que ajudem a escolher o tratamento certo para cada mulher”, por forma a ajustar a tera pêutica a cada caso. Ainda assim, “a informação e a sensibilização continuam por isso, a ser ferramentas muito importantes para reduzir diagnósticos tardios”, conclui a Oncologista Diana Neto da Silva.

Afinal, trata-se de um tipo de cancro que, quando detetado a tempo, apresenta elevadas probabilidades de cura.

Para mais informações, consulte o seu médico.

NP-PT-AOU-JRNA-260001 | 05/2026 

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