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Diabetes e doenças cardiovasculares: é preciso estar atento!

No Dia Mundial Da Diabetes, recordamos a importância de um diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado
13 de Novembro de 2020 às 10:14

Em Portugal, estima-se que sejam detetados, por ano, mais de 60 mil casos de diabetes. Este número é preocupante, mais ainda porque, segundo o Atlas da Federação Internacional da Diabetes de 2017, Portugal "representa uma das manchas mais escuras da Europa".

A diabetes tipo 2 é aquela que tem maior prevalência em Portugal, e as complicações poderão dividir-se entre agudas e tardias, como nos explica o doutor João Filipe Raposo, da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal e Presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia. Nas complicações agudas encaixam-se as hipoglicemias e as hiperglicemias, que poderão necessitar de apoio de urgência. 

 Hipoglicemia: descida do nível de açúcar no sangue para valores muito abaixo do normal

 Hiperglicemia: rápida e persistente subida dos valores de açúcar no sangue

Ainda que estas sejam as consequências mais amplamente divulgadas quando se fala em diabetes, são as complicações tardias aquelas que exigem uma vigilância atenta e uma prevenção redobrada. As complicações tardias estão associadas "às complicações oculares – a retinopatia diabética; às complicações renais – nefropatia diabética; às complicações neurológicas – a neuropatia diabética. São ainda muito mais frequentes nas pessoas com diabetes os AVC (tromboses), os enfartes de miocárdio e a insuficiência cardíaca, a doença arterial periférica e a esteatose hepática (fígado gordo)", explica-nos o especialista João Filipe Raposo.


A relação entre diabetes e doenças cardiovasculares

Das várias complicações, a relação entre a diabetes e as complicações cardiovasculares é a mais preocupante no nosso país. Ainda que a mortalidade por doenças cardiovasculares esteja a diminuir, os números de obesidade têm vindo a aumentar, o que abre caminho a mais casos de diabetes tipo 2. Ao haver esta correlação entre a obesidade e a diabetes, esta pode significar um aumento da mortalidade cardiovascular.

 As doenças cardiovasculares são responsáveis por mais de 50% da mortalidade dos doentes com diabetes

É necessário agir na prevenção, e sobretudo estar atento a sinais e a sintomas. Segundo o especialista, "cerca de 40% das pessoas com diabetes desconhecem o seu diagnóstico e não estão a ser tratadas". Depois do diagnóstico, a manutenção dos níveis de açúcar no sangue o mais perto possível do normal, a correção dos níveis de colesterol e da pressão arterial e o combate ao tabagismo são medidas muito eficazes na redução destas complicações, defende João Filipe Raposo.

A prevenção é o melhor tratamento para uma atuação precoce, ajudando a diminuir a mortalidade e a aumentar a qualidade de vida. No contexto atual, vive-se um momento de grandes desafios na prevenção e controlo de diabetes, com ensaios clínicos que introduzem fármacos com novos mecanismos de ação. Estes medicamentos atuam ao nível do rim, da inflamação, da parede dos vasos, e influenciam o prognóstico das doenças cardiovasculares.


Como prevenir as complicações na diabetes?

A melhor forma de prevenção nos doentes com diabetes é o controlo, como nos explica João Filipe Raposo. Os níveis de açúcar no sangue são controlados quer através da alimentação, quer da atividade física e, claro, da medicação. Além disso, o especialista defende: "O elemento mais importante é capacitar as pessoas para se tornarem verdadeiros gestores do processo de doença." Isto só é possível se cada doente tiver meios de vigilância para controlar os níveis de açúcar, podendo ajustar a alimentação, o exercício e a medicação consoante tais oscilações.

A nível de relação entre médico e doente, há também algumas estratégias integradas para um conhecimento antecipado de qualquer complicação. Controlar a glicemia, a pressão arterial, e os níveis de colesterol ajuda a manter o controlo e a detetar quaisquer alterações. Anualmente, é também necessária a observação dos olhos, dos pés e a avaliação da função renal. Facilitar as consultas de oftalmologia e os tratamentos necessários à retina é também uma forma de prevenir maiores complicações.


 "Precisamos de pensar de modo diferente em relação à diabetes"

O especialista João Filipe Raposo acredita que o modo como se pensa e se trata a doença deve ser remodelado, definindo "novos modelos de acompanhamento, que não fragmentem os cuidados prestados". Para o especialista, atualmente, adaptam-se as pessoas e a doença a estruturas de cuidados que não foram desenhadas especificamente para a diabetes.

Como mensagem-chave, João Filipe Raposo remata: "A diabetes é também (mas nunca só) um problema de responsabilidade individual." O especialista defende a responsabilidade individual de manter e melhorar a saúde, de fazer escolhas mais saudáveis. O diagnóstico precoce é passo fundamental e, depois, o acompanhamento contínuo e adequado. Equipas devidamente qualificadas, acesso a medicamentos e dispositivos de auxílio são de extrema utilidade, mas apenas poderão fazer a diferença se o doente os usar de forma correta e os integrar na sua vida, em conjunto com um estilo de vida saudável e com a prática adequada de exercício físico.

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