Num País onde a floresta ocupa mais de um terço do território, é nos viveiros, laboratórios e fábricas que se prepara a Floresta do Futuro, com o eucalipto no centro desta nova economia verde.
20 de abril de 2026 às 11:49No coração da Herdade de Espirra, em Pegões, o Sol nasce sobre estufas que são verdadeiros laboratórios vivos. Entre mãos que plantam e sistemas automatizados que regulam luz, temperatura e humidade, produz-se a matéria-prima que sustentará o setor florestal nas próximas décadas. É assim que o descreve Carmen Correia, engenheira de multiplicação de plantas no Viveiro de Espirra: “É aqui que tudo começa, nos viveiros. Através das plantas que produzimos, contribuímos para uma floresta mais produtiva, de qualidade superior e mais sustentável. Apostamos continuamente na melhoria dos processos.”
Espirra, um dos maiores viveiros europeus, produz milhões de plantas por ano, incluindo mais de 130 espécies, abastecendo tanto as áreas próprias da Navigator como um vasto conjunto de produtores florestais privados. O programa de conservação, essencial para a biodiversidade, a tecnologia de ponta e a inovação, é o coração deste trabalho. De facto, “o que nos distingue do que fazemos aqui é a produção das plantas clonais, de qualidade superior”, afirma.
Este trabalho assenta num programa de melhoramento genético iniciado há cerca de quatro décadas, com o objetivo de selecionar as melhores árvores e propagá-las por estaca, a chamada produção clonal. O resultado é uma floresta mais resiliente, mais produtiva e mais preparada para responder às exigências climáticas e ambientais que se avolumam, gerando valor ambiental e económico e dinamizando o território. Como resume a investigadora: “Hoje estamos a contribuir para uma floresta mais sustentável, de maior qualidade para o futuro.”
“Há um mito de que o eucalipto destrói. Mas o que realmente destrói é a floresta ao abandono, sem gestão, sem cuidado”
Engenheira de multiplicação de plantas no Viveiro de Espirra
Da viveiricultura à colheita e daí à fábrica, cada árvore integra um ciclo que gera valor ambiental, económico e social para o País. Em Setúbal, a fábrica da Navigator transforma a madeira do eucalipto em pasta, papel, energia e novos bioprodutos, como descreve Carlos Brás, assessor da Comissão Executiva da The Navigator Company: “Somos uma indústria baseada numa matéria-prima natural, como é a madeira, fibra de eucalipto fundamentalmente. Portanto, os nossos grandes negócios são pasta, papel, energia e, dentro do papel, temos papel de impressão escrita, papel de escritório e o papel de tissue, para uso doméstico.”
A unidade industrial funciona como um ecossistema integrado, no qual inovação, sustentabilidade e eficiência andam de mãos dadas, permitindo extrair o máximo valor de uma matéria-prima renovável. No setor energético, a fábrica é já um exemplo consolidado: “Temos, por exemplo, na energia, uma grande produção de energia elétrica a partir de biomassa florestal”, refere Carlos Brás.
A descarbonização é o eixo central deste modelo: “O nosso objetivo é reduzir drasticamente as emissões de CO2, antes mesmo daquilo que está previsto em termos de objetivos europeus”, acrescenta.
Uma transição que não é apenas estratégica, mas identitária: “Nós queremos ser uma empresa sustentável e temos de ter estas preocupações, quer ao nível do ambiente, quer ao nível das alterações climáticas e das pessoas”, criando emprego qualificado, impulsionando o desenvolvimento das regiões e alavancando economicamente o País.
Portugal é hoje referência mundial na fileira da pasta e do papel, graças a um modelo de floresta plantada que alia produtividade, sustentabilidade e inovação. A evolução do território é reveladora: o País passou de menos de 10% de área arborizada no século XIX para mais de 35% nos nossos dias, e o Eucalyptus globulus, naturalizado há mais de 150 anos, tornou-se peça central. A razão é simples: a sua produtividade, adaptação ao clima e qualidade da fibra, valorizada internacionalmente.
Para Catarina Novais, diretora de Marketing da The Navigator Company, o caminho percorrido é apenas o início de uma mudança mais profunda: “Eu acredito que tem tudo para crescer, uma vez que é um setor de base natural, é uma bioeconomia e, neste sentido, as nossas fábricas de pasta e de papel são, no fundo, biorrefinarias.”
Num mundo que procura alternativas aos combustíveis fósseis, a floresta oferece um horizonte amplo que abre portas a novos produtos e aplicações: “Há aqui uma grande panóplia de produtos que é possível explorar através da madeira e da biomassa, nomeadamente para o setor da cosmética, da medicina, também combustíveis bio e, nesse sentido, eu penso que este setor tem tudo para ser pioneiro e continuar a ser, para Portugal, uma bandeira do que melhor se faz neste País.”
O Viveiro de Espirra é um dos maiores viveiros europeus, produz milhões de plantas por ano, abastecendo as áreas próprias da Navigator e produtores florestais privados.
Persistem ainda mitos sobre o eucalipto, frequentemente descolados da realidade científica e da prática da gestão florestal, como descreve Carmen Correia: “Há um mito de que o eucalipto destrói. Mas o que realmente destrói é a floresta ao abandono, sem gestão, sem cuidado.”
De facto, a fileira portuguesa mostra o contrário: que o planeamento ativo, a investigação e as boas práticas são essenciais para criar florestas produtivas e compatíveis com a conservação do solo e da biodiversidade. Os ciclos de plantação e replantação permitem renovar a floresta, captar carbono e garantir matéria-prima para uma indústria que reduz dependências fósseis e gera desenvolvimento local.
Um programa de conservação, tecnologia de ponta e a inovação estão no coração do trabalho do Viveiro da Espirra. O resultado é uma floresta mais resiliente, mais produtiva e mais preparada para responder às exigências climáticas e ambientais.
A visão da Navigator resume esta ambição e o desafio que se apresenta ao País. Nas palavras de Catarina Novais: “A floresta do futuro não depende da espécie, mas da forma como é planeada, cuidada e integrada no território. O que estamos a plantar são soluções sustentáveis, com impacto real nas próximas gerações.”