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Glaucoma: um problema de saúde pública

O médico oftalmologista José António Dias deixa uma série de alertas sobre esta patologia que pode levar à cegueira.
17 de Maio de 2019 às 14:53

O termo glaucoma representa um conjunto de patologias que têm em comum uma degeneração progressiva do nervo ótico e de todo o sistema visual, levando a alterações características do campo visual e limitação da função visual, podendo levar a cegueira.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) identifica o glaucoma como a principal causa de cegueira irreversível a nível mundial. A prevalência global de glaucoma para a população acima de 40 anos é de 3,5%, sendo que em 2013 o número de pessoas com glaucoma em todo o mundo foi estimado em aproximadamente 65 milhões, aumentando para 76 milhões em 2020 e 112 milhões em 2040. Em Portugal, estima-se que existam mais de 100 mil pessoas com glaucoma e a incidência tende a aumentar no país devido ao envelhecimento e ao aumento da esperança de vida da população.

Estes dados revelam a importância desta patologia, não só ao nível da severa diminuição da qualidade de vida do próprio indivíduo, mas também ao nível das consequências para o entorno familiar e para a sociedade em geral, pelo que atualmente podemos considerar o glaucoma como um problema de saúde pública.




Tipos de glaucoma


A forma de glaucoma que representa a grande maioria dos casos em Portugal é o glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA), cuja incidência aumenta com a idade. Outras formas da doença podem ser primárias ou secundárias (associada ou consequência de outra patologia ocular, sistémica ou causada por algumas medicações), existindo também formas juvenis, infantis ou congénitas, pelo que o glaucoma pode afetar qualquer indivíduo em qualquer idade.



Fatores de risco


Existem vários fatores de risco associados ao aparecimento desta patologia. A hipertensão intraocular, a existência de familiares diretos com a mesma situação e a presença de alterações vasculares (enxaqueca, hipotensão arterial) são considerados dos mais relevantes. Existe também uma maior incidência de glaucoma entre a população de origem africana e nos doentes que, por qualquer patologia, tenham feito tratamento com corticoides.



Sintomas


Numa fase inicial, o GPAA não apresenta sintomas. Posteriormente, numa fase mais avançada da doença, o doente pode referir dificuldade de visão ou apresentar queixas associadas (dificuldade em encontrar objetos, de leitura, na condução, etc.), existindo um comprovado aumento de incidentes relacionados com as alterações insidiosas do campo visual (aumento de incidência de quedas, acidentes de viação, etc.). Numa fase ainda mais avançada, a diminuição da acuidade visual torna-se evidente, podendo levar a cegueira.



Diagnóstico


Devido à natureza assintomática da doença em fase inicial, é muito importante um diagnóstico precoce, permitindo limitar a progressão e prevenir assim as consequentes limitações funcionais.

É aconselhado, para todos os indivíduos, uma avaliação por um médico oftalmologista pelo menos aos 40 anos de idade. Mesmo que não existam nenhuns sintomas visuais, caso o indivíduo seja conhecedor de apresentar algum fator de risco, deve ser observado mais precocemente.

Quando considerado necessário, são realizados exames complementares, de fácil execução e não acarretando nenhum desconforto para o doente, que fornecem um conjunto de informações que ajudam ao diagnóstico, estadiamento e monitorização da doença.




Tratamento


Sendo feito o diagnóstico de glaucoma, o passo seguinte é estabelecer uma terapêutica adequada, adaptada a cada doente, tendo em consideração as particularidades individuais. Todas as atitudes terapêuticas visam minimizar a progressão da doença, não existindo tratamento comprovado que recupere o dano já existente, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.

A maior intervenção visa, sobretudo, a redução da pressão intraocular. Na grande maioria dos casos, este objetivo é atingido utilizando colírios, sendo que o oftalmologista procura encontrar o tratamento mais adequado para cada doente (eficaz, simples e com menos efeitos secundários).

É importante referir que para ser obtido o efeito desejado é imprescindível o rigoroso cumprimento do tratamento. Está demonstrado que uma das causas mais importantes para a progressão da doença, em doentes já diagnosticados, é o incumprimento do regime estabelecido. Se o doente se sentir desconfortável com a medicação ou se o regime de tratamento é difícil de cumprir, o doente e o oftalmologista devem procurar alternativas. Caso não seja possível atingir o objetivo terapêutico com recurso a colírios, existem opções de tratamento laser ou cirúrgico.



Inovações no tratamento do glaucoma


Podemos ser otimistas quanto ao futuro, mas primeiro – e conforme refere a OMS – é a necessidade urgente de mais ações de saúde pública para divulgar e combater o glaucoma, promovendo a deteção o mais precoce possível. É sabido que existe um período de tempo entre o início da doença e a manifestação funcional, sendo este o momento ideal para iniciar o tratamento e a oportunidade de prevenir a progressão da doença.


Novas cirurgias de glaucoma minimamente invasivas (MIGS) estão a ser desenvolvidas, usando implantes microscópicos e incisões extremamente pequenas. Sabemos também que o glaucoma partilha várias características com doenças neurodegenerativas do sistema nervoso central (SNS). Os cientistas estão a desenvolver novos tratamentos que atuam sobre o SNS, existindo a esperança de que esta medicação seja capaz de promover a saúde do nervo ótico, melhorando assim a sua função.



Voltar atrás no tempo é possível?


Atualmente não é possível restaurar a visão, mas futuramente poderemos fazer uso de células estaminais no tratamento do glaucoma – podem ter o potencial de impedir a progressão da doença, protegendo o nervo ótico, e podem substituir tecidos que se degeneraram com a doença. Por outro lado, a ciência da medicina regenerativa espera ser capaz de promover novas fibras nervosas (substituindo as irreversivelmente danificadas pelo glaucoma) ou induzir a regeneração das danificadas. Estes tratamentos ainda estão em fase precoce de investigação.

Enquanto os cientistas trabalham no avanço do tratamento do glaucoma, a sociedade deve, conforme refere a OMS, participar ativamente na necessidade urgente de ações de saúde pública para divulgar e combater o glaucoma, promovendo a deteção extremamente precoce da doença, de forma a manter a visão, permitindo aos doentes com glaucoma uma vida altamente funcional e com a melhor qualidade de vida possível.


José António Dias, médico oftalmologista


Texto publicado originalmente em eunomeumelhor.essilor.pt, a plataforma que melhora vidas melhorando a visão. Aqui vai encontrar outros artigos de especialistas relacionados com saúde visual, luz azul, segurança rodoviária, crianças e radiação UV.