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Novo consumidor do retalho faz contas a tudo

O que influencia as escolhas dos consumidores, como é que estes planeiam as suas compras e que fatores determinam as escolhas das lojas e dos produtos? O retrato de um consumidor que compara mais, compra com maior prudência e faz contas a tudo será apresentado esta sexta-feira na conferência “O Novo Consumidor do Retalho"

15 de outubro de 2026 às 09:00

O mais recente estudo sobre o comportamento do consumidor, promovido pela DECO e realizado pela Behavioral Insights Unit da Católica Lisbon School of Business & Economics, revela que o contexto socioeconómico resultante dos vários fatores geopolíticos continua a influenciar a forma como as famílias compram, escolhem produtos e gerem o orçamento familiar.

Os números mostram que o consumidor português está mais cauteloso. Mais de metade dos consumidores afirmam ter perdido poder de compra nos últimos 12 meses e 77% dizem estar preocupados com o aumento do custo de vida. A maioria reconhece que teve de alterar hábitos para conseguir acomodar o impacto da subida dos preços.

83

%
Dos consumidores procuram promoções para reduzir as despesas

A alimentação surge como a despesa que maior impacto teve nos orçamentos familiares no último ano. Seguem-se os custos com energia, combustíveis e habitação, áreas que continuam a concentrar as maiores preocupações dos consumidores portugueses.

Perante este contexto, fazer compras deixou de ser um ato rotineiro. É cada vez mais um exercício de gestão financeira. O estudo revela que a maioria dos portuguese procuram várias estratégias comerciais, compara preços entre loja e privilegia produtos que apresentem uma melhor relação qualidade-preço. Muitos admitem comprar apenas o essencial e adiar compras consideradas menos urgentes.

Mas a realidade do novo consumidor não se resume à poupança. O estudo identifica também uma crescente exigência por parte dos portugueses em relação às marcas e aos retalhistas.

72

%
Dos consumidores sentem maior controlo dos gastos quando compram em lojas físicas.

Hoje, os consumidores pesquisam mais, planeiam melhor e analisam de forma mais crítica a informação disponível. A maioria compara preços e presta atenção à informação apresentada nas embalagens antes de tomar uma decisão de compra.

A qualidade mantém-se, aliás, como um dos fatores mais valorizados. Para a maioria dos consumidores, não basta encontrar o produto mais barato, mas sim encontrar o melhor equilíbrio entre preço, qualidade e confiança.

Sustentabilidade em segundo plano

A preocupação com a sustentabilidade continua presente no discurso dos consumidores, mas tem um peso reduzido quando chega o momento de decidir o que colocar no carrinho de compras. O estudo mostra que fatores como o preço, as promoções e a qualidade continuam a determinar a maioria das escolhas. Embora muitos portugueses afirmem valorizar produtos mais sustentáveis e práticas empresariais mais responsáveis, a disponibilidade para pagar mais por essas opções permanece limitada.

25

%
Dos consumidores mostram disponibilidade para pagar mais por produtos sustentáveis.

Num contexto de pressão sobre os rendimentos, o orçamento continua a sobrepor-se às preocupações ambientais. A sustentabilidade é importante, mas raramente é o principal motivo de compra.

Loja física continua a dominar

Apesar da crescente digitalização do consumo, os portugueses continuam a privilegiar as lojas físicas para a maioria das compras. A possibilidade de observar diretamente os produtos, controlar melhor os gastos e beneficiar da proximidade e rapidez do serviço continua a ser apontada como uma vantagem importante face aos canais digitais.

Mais de sete em cada dez consumidores admitem sentir maior controlo sobre as despesas quando fazem compras presencialmente. As conclusões do estudo serão debatidas na conferência “O Novo Consumidor do Retalho”, que reunirá representantes da distribuição, da produção agroalimentar, da academia e das associações de consumidores para refletir sobre os desafios que se colocam ao setor num contexto de profunda transformação dos hábitos de consumo.

77

%
Dos consumidores estão preocupados com o aumento do custo de vida
João Nabais, presidente da DECO
João Nabais, presidente da DECO FOTO: DR.

João Nabais: “Os consumidores esperam ação e respostas concretas”

O presidente da Associação de Defesa do Consumidor (DECO), João Nabais, considera que o consumidor português está mais informado, mais atento e menos tolerante a práticas que dificultem a comparação de preços e produtos.

O estudo mostra que a preocupação financeira está a mudar a forma de comprar dos portugueses. O que exige hoje este consumidor das empresas de retalho?

Exige, antes de mais, transparência. É um consumidor que já não compra por impulso nem por hábito: compara, planeia e faz contas. Mais de 80% planeiam as compras e quase 70% consultam o preço por quilo ou por litro para comparar produtos. Mas o consumidor está a fazer isto sozinho, no corredor do supermercado, um trabalho que devia estar facilitado.

Por isso, pede três coisas muito simples: preços claros e fáceis de comparar, honestidade nas embalagens e rigor na caixa. O consumidor de hoje não procura apenas o mais barato. Procura a melhor relação qualidade- -preço. A mensagem para o retalho é clara: a confiança conquista-se com transparência.

Como é que o consumidor português se está a comportar perante o atual contexto económico?

Com cautela e muita disciplina. A grande maioria está muito ou extremamente preocupada com o custo de vida e mais de metade sente que perdeu poder de compra no último ano. Quando o orçamento aperta, os consumidores procuram promoções, compram apenas o essencial e optam pelos produtos mais baratos.

Existe ainda uma parte significativa que adia compras. Esta pressão tem vindo a crescer e a DECO sente isso todos os dias através dos pedidos de apoio de famílias com dificuldades financeiras.

Que mensagem estão os consumidores a deixar aos decisores políticos?

Uma mensagem muito clara: os portugueses não aceitam que o aumento dos preços seja tratado como uma fatalidade. Reconhecem que há fatores externos, mas atribuem também responsabilidades às políticas económicas. Os consumidores esperam ação e respostas concretas.

Evento

CONFERÊNCIA | O NOVO CONSUMIDOR DO RETALHO 16 DE OUTUBRO CENTRO CULTURAL DE BELÉM | LISBOA

Programa: 09h30 - 10h00 | Receção e registo dos convidados • 10h00 - 10h15 | Sessão de Abertura Oradores: Pedro Moreira, DECO; Pedro Marraco, Mercadona • 10h15 - 10h45 | Apresentação do Estudo Rita Coelho do Vale, Behavioral Insights Unit, Universidade Católica de Lisboa • 10h45 - 11h00 | Coffe Break • 11h00 - 12h00 | Painel de Debate “Da terra ao Carrinho: Quem Paga a Fatura? Host e Moderadora: Catarina Caria Oradores: José Duarte, Vice-Presidente da CAP Gonçalo Lobo Xavier, Diretor-Geral da APRD João Nabais, Presidente da DECO • 12h00 - 12h20 | Sessão de Encerramento Pedro Machado, Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços

QUEM PARTICIPA?

João Nabais Presidente da DECO.

Lidera uma das principais associações de defesa dos consumidores em Portugal e será um dos protagonistas da apresentação do estudo.

Rita Coelho do Vale

Professora e Diretora do Behavioral Insights Unit da Católica-Lisbon SBE, e uma das especialistas nacionais em comportamento do consumidor. Fará a keynote da conferência.

Pedro Barraco

Diretor da Cadeia Agroalimentar da Mercadona em Portugal. Participará no debate sobre a evolução das expectativas dos consumidores e os desafios do retalho.

Gonçalo Lobo Xavier

Diretor-geral da APED, associação que representa o setor da distribuição.

José Duarte

Vice-Presidente da CAP, levando ao debate a perspetiva dos produtores agrícolas e agroalimentares

Pedro Moreira

Especialista ligado às áreas do consumo e do retalho, integrando o painel de discussão sobre as tendências que estão a transformar o mercado português

Ouça a sua rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8