De um projeto no Algarve para uma rede de 52 hotéis em quatro países, a história de crescimento do grupo cruza turismo, recuperação de património e investimento em regiões onde o desenvolvimento faz a diferença.
27 de junho de 2026 às 16:55Durante muitos anos, o crescimento do turismo em Portugal foi medido pelo número de visitantes. Hoje, a diferença faz-se cada vez mais pela capacidade de criar valor nos territórios, recuperar património, gerar emprego e atrair investimento para regiões que procuram novas oportunidades de desenvolvimento.
É neste contexto que o Grupo Vila Galé assinala 40 anos de atividade. Ao longo de quatro décadas, o projeto que nasceu no Algarve transformou-se numa das maiores cadeias hoteleiras de origem portuguesa, reunindo atualmente 52 hotéis distribuídos por Portugal, Brasil, Cuba e Espanha. Um percurso marcado por uma estratégia de crescimento gradual, assente no reinvestimento, numa gestão prudente e na aposta em projetos com identidade própria.
Ao contrário de uma expansão acelerada, o crescimento foi acontecendo passo a passo. Primeiro consolidou-se em diferentes regiões do país e, mais tarde, atravessou fronteiras, encontrando no Brasil um mercado estratégico. A presença em Cuba e Espanha veio reforçar a dimensão internacional da marca, sempre com uma preocupação comum: criar hotéis adaptados ao destino onde se inserem, sejam unidades de praia, hotéis urbanos, resorts ou projetos ligados ao património histórico.
Essa diversidade permitiu responder a diferentes perfis de viajantes, mas também acompanhar a evolução do turismo, procurando oferecer experiências ligadas à cultura, à história e à identidade de cada região.
Nunca foi um crescimento feito de um dia para o outro. Foi um percurso de 40 anos, sempre com uma lógica: investir em bons destinos, criar hotéis com identidade e reinvestir na qualidade
CEO do Grupo Vila Galé
Uma das áreas que mais distingue a estratégia do grupo é a recuperação de edifícios históricos. Ao longo dos anos, foram investidos largos milhões de euros em projetos de reabilitação em Portugal e no Brasil, numa aposta que, apesar de mais exigente e dispendiosa do que construir de raiz, procura preservar a memória dos lugares.
Entre os exemplos encontram-se o Vila Galé Collection Palácio dos Arcos, instalado num antigo palácio histórico, o Vila Galé Collection Elvas, primeiro hotel concluído no âmbito do programa Revive, o Vila Galé Collection Braga, que recuperou um antigo hospital, ou o Vila Galé Albacora, em Tavira, desenvolvido a partir do antigo arraial da pesca do atum. No Brasil, o Vila Galé Collection Amazónia e Ouro Preto representam igualmente essa aposta na valorização do património.
Mais do que preservar edifícios, estes projetos procuram criar novas dinâmicas económicas, gerar emprego e devolver utilização a espaços que, em muitos casos, estavam abandonados.
O impacto da atividade estende-se também às comunidades locais. Com cerca de cinco mil colaboradores, o grupo destaca que cada unidade cria efeitos para além do emprego direto, envolvendo fornecedores, produtores locais, empresas de manutenção, transportes, restauração, comércio e serviços.
Nas regiões do interior, onde as oportunidades são frequentemente mais limitadas, essa presença ganha um peso adicional. Destinos como Elvas, Alter do Chão, Serra da Estrela, Beja, Douro ou Tomar são apontados como exemplos de investimentos que ajudam a atrair visitantes, promover produtos regionais e dinamizar as economias locais.
"Um hotel pode ser uma âncora para toda uma comunidade", sublinha Gonçalo Rebelo de Almeida, referindo o impacto da atividade na criação de emprego, na valorização dos produtos locais e na dinamização económica das regiões.
A sustentabilidade surge como outro dos pilares da estratégia, combinando viabilidade económica com medidas de eficiência energética, redução do consumo de água, diminuição do uso de plásticos, digitalização de processos e valorização dos fornecedores locais. O objetivo passa por garantir que o crescimento beneficia simultaneamente o ambiente, as comunidades e a atividade económica.
Para os próximos anos, o plano mantém essa mesma lógica. Entre 2026 e 2028 estão previstos novos projetos em Portugal, sobretudo associados à marca Collection e à recuperação de património, bem como sete novos hotéis no Brasil. Uma estratégia que pretende continuar a crescer, mas privilegiando projetos capazes de deixar uma marca positiva nos destinos onde se desenvolvem.