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Roberta Metsola

Presidente do Parlamento Europeu
9 de Maio de 2022 às 11:38
Presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, com o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante a visita à Ucrânia - 1 de Abril de 2022
Presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, com o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante a visita à Ucrânia - 1 de Abril de 2022


Artigo de opinião de Roberta Metsola, Presidente do Parlamento Europeu.

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"A Paz Mundial não pode ser salvaguardada sem a realização de esforços tão criativos quanto os perigos que a ameaçam. O contributo que uma Europa organizada e viva pode trazer à civilização é indispensável para a manutenção de relações pacíficas". Esta célebre citação da Declaração Schuman, de 9 de maio de 1950, pertence a um dos arquitetos do projeto de paz europeu, Robert Schuman, então Ministro dos Negócios Estrangeiros de França. Setenta e dois anos mais tarde, mantém-se plenamente verdadeira, agora mais do que nunca.

A invasão ilegal da Ucrânia, por parte do Kremlin, fez com que a guerra tenha regressado, infelizmente, ao nosso continente. O terror, a morte e a destruição têm vindo a dizimar por completo aquelas que eram, ate há bem pouco tempo, cidades pacíficas. Os alvos militares de Putin não conhecem limites e atingem indiscriminadamente as principais localidades ucranianas e a sua população. Muitos de nós pensava que estes cenários permaneceriam confinados a páginas de livros da nossa história comum. Mas uma vez mais assistimos ao flagelo de ver europeus forçados a fugir do seu próprio país, em números nunca vistos desde a Segunda Guerra Mundial. E lamentavelmente, esta guerra não corresponde em nada ao que é retratado pelo Kremlin.

Quando Putin decidiu invadir a Ucrânia, decidiu atacar os valores e princípios basilares do nosso modo de vida europeu. E apostou na desunião da Uniao Europeia, quando confrontada com uma guerra às suas portas. E quero ser clara: a forma como escolhermos responder a esta agressão irá definir o nosso futuro enquanto Europa. É por isso que precisamos de nos manter unidos pela Ucrânia.




O Parlamento Europeu, que é a Casa da Democracia Europeia e representa legitimamente os cidadãos europeus, tem estado e continuará a estar empenhado e solidário com a Ucrânia. Ao visitar Kyiv no início de abril, quis mostrar esse empenho e solidariedade. Pretendi mostrar que não estamos somente ao lado da Ucrânia nas redes sociais, nos telefonemas ou em vídeos - mas, sim, que estamos com a Ucrânia em Kyiv. E ao adotar sanções económicas sem precedentes contra a Rússia, ao prestar ajuda humanitária e militar à Ucrânia, ao dar espaço à sociedade civil ucraniana para operar a partir das instalações do Parlamento Europeu, ao acolhermos de braços abertos aqueles que fogem a tanques – estamos a mostrar que o nosso compromisso vai muito para além de declarações e resoluções.

Nas décadas recentes, crescemos confortáveis com uma certa garantia de que a paz e a democracia prevaleceriam no nosso continente. No entanto, o papel que a Europa desempenha num mundo em rápida evolução está a mudar, tem aliás de mudar, e esta guerra veio acelerar esse sentimento de urgência. A União deve reavaliar o seu papel e as suas prioridades. Este é o nosso momento.

Temos de trabalhar para um futuro que nos permita viver sem depender do gás fornecido pela Rússia. Isto deve tornar-se parte integrante do nosso debate sobre a autonomia estratégica da Europa. Isso implica reinvestir massivamente nas energias renováveis e diversificar o nosso aprovisionamento energético, matérias nas quais alguns Estados-membros, entre os quais se encontra Portugal, têm já um longo caminho percorrido.

Precisamos ainda de aumentar o investimento no setor da defesa e em tecnologias inovadoras que nos permitam avançar para uma verdadeira União de Segurança e Defesa, reforçando os nossos laços com a NATO. Afirmo com orgulho que aquilo a que temos assistido nos últimos meses, no que diz respeito à coordenação europeia, solidariedade e unidade entre Instituições e Estados-membros, não encontra precedentes no projeto europeu. E esta unidade, esta determinação, este contributo que uma Europa organizada e viva pode trazer aos nossos cidadãos, como referia Schuman, deve pautar os nossos dias de hoje em diante.

Assim, neste Dia da Europa 2022, renovemos o compromisso de Schuman com a promoção da paz duradoura, liberdade e democracia. E com este compromisso, saibamos permanecer ao lado da Ucrânia. Saibamos permanecer unidos pela Europa.

Carta da Europa