Para além do inimaginável drama humano e das consequências na geopolítica global, o conflito na Ucrânia toca no nosso dia a dia.
09 de maio de 2023 às 17:04Artigo de opinião de Paulo Castro Rangel, eurodeputado.
Aumento do custo de vida, falta de matéria primas, de energia, falhas nos processos de produção, inflação, são realidades que voltamos a viver. A 24 de Fevereiro, um ano após a invasão da Ucrânia, a presidência do Grupo PPE reiterou em Kiev o seu inequívoco apoio político. Ali vi um povo endurecido pela sua história presente e passada. Mas que, apesar da guerra, já reconstrói o país.
Dos diversos encontros institucionais, e também dos pes- soais e fortuitos, regressei a Bruxelas com uma convicção forte: quanto mais a Rússia insiste na humilhação da Ucrânia, mais sobem a moral e a mobilização dos ucranianos. O retrato do artista de rua britânico, Banksy, é eloquente.
As negociações com o Conselho vão começar depois de o Parlamento Europeu ter aprovado um pacote legislativo para uma resposta comum aos desafios da gestão migratória. Solidariedade, humanidade e responsabilidade são o ponto de partida para garantir o tratamento e recepção dignas, salvar vidas no mar e até reforçar a migração legal de que a UE tanto necessita. Estas questões sensíveis não se podem resolver de forma isolada.
Preocupantes os sinais de ambiguidade do Presidente do Brasil na relação com Vladimir Putin e Xi Jinping. Depois de o PSD ter sublinhado esta preocupação, têm-se sucedido diversas reacções e tomadas de posição a nível global. Atenções viradas para essa grande potência, da qual se espera uma defesa firme das democracias. Prova irrefutável de que o PSD dá absoluta prioridade à relação do Brasil com Portugal e com a UE é o facto de, desde a sua criação, a presidência da delegação UE-Brasil no Parlamento Europeu ter sido sempre assumida por um eurodeputado do PSD.
Num ambiente de extremismos e mudanças geopolíticas, o mundo está mais inseguro e incerto. A esquerda no Parlamento Europeu, com os socialistas à cabeça, tem as maiores reticências quanto ao reforço de meios de cooperação policial a nível europeu que visam exponenciar a eficiência das autoridades nacionais na protecção dos cidadãos e combater a criminalidade. A posição do PPE é clara: sem segurança não há liberdade. Sem liberdade, não há Schengen.