Barra Cofina

Correio da Manhã

Especiais C-Studio
8
Especiais C-Studio
i
C- Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do Universo
É o local onde as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Workshop debate longevidade

Evento Políticas Públicas na Longevidade lançou as linhas mestras para uma nova visão sobre o aumento da esperança de vida
23 de Julho de 2020 às 13:12
SCML deu o mote para o arranque do trabalho sobre a longevidade
Idália Serrão, vereadora da Câmara Municipal de Santarém, participou na iniciativa da longevidade
SCML deu o mote para o arranque do trabalho sobre a longevidade
Idália Serrão, vereadora da Câmara Municipal de Santarém, participou na iniciativa da longevidade
SCML deu o mote para o arranque do trabalho sobre a longevidade
Idália Serrão, vereadora da Câmara Municipal de Santarém, participou na iniciativa da longevidade

Lançar as linhas mestras para uma nova visão sobre o aumento da esperança de vida foi um dos intuitos do workshop Políticas Públicas na Longevidade, evento que decorreu nos dias 13, 14 e 15 de Julho nas instalações da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML). Coube à ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, intervir na sessão de abertura.

Ao longo de três dias, estiveram presentes duas dezenas de oradores das mais diversas áreas profissionais, de conhecimento, associativas, confederativas e sindicais. "Um prestigiado painel que se formulou numa lógica multidisciplinar constituída por peritos, detentores de interesse (stakeholders) e parceiros sociais", lembra a SCML.

E, de facto, o workshop reuniu em torno da temática da longevidade e do envelhecimento ativo e saudável vários trabalhos de grande relevância desenvolvidos em Portugal e imbuídos num profundo conhecimento resultante de décadas de práticas profissionais, associativas, sindicais e de investigação científica.

Eliminar a distância

Atendendo às atuais circunstâncias, o workshop decorreu em formato presencial e digital, tendo a audiência, em ambos os formatos, somado mais de 600 pessoas.

Neste contexto, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tornou-se  espaço de debate, desconstrução do conceito de envelhecimento e, sobretudo, de reflexão no âmbito das práticas profissionais e sociais no domínio da longevidade. 

As diversas intervenções pautaram-se ainda pelo questionamento das práticas do passado, do presente e uma consciência de que é preciso refletir sobre o futuro.

"Ao longo do evento, ficou visível que este tema é bastante mobilizador como está cada vez mais presente nos discursos da esfera pública", pode ler-se num comunicado da SCML.

Multidisciplinar

Durante o evento, foram igualmente apresentados testemunhos e experiências que demonstraram bem a pertinência de uma abordagem multidisciplinar para os vários desafios que se colocam num futuro em que a população viverá cada vez mais tempo.

A relevância e atualidade do tema da longevidade ultrapassa as dimensões da saúde, dos cuidados e dos rendimentos económicos. 

Foi unânime a consideração de que a longevidade se encontra espelhada em todas as dimensões da vida humana e do ciclo de vida sendo, por conseguinte, um tema central nas agendas de distintas organizações representativas dos mais diversos setores sociais.

Do que foi dito, concluiu-se que para envelhecer cada vez melhor é preciso associar fatores como a mobilidade, a dignidade, a integração no tecido social e o fim de todas as formas de discriminação. É preciso, por exemplo, promover cada vez mais a permanência da população sénior na sua residência, a sua inserção na comunidade, bem como as dinâmicas intergeracionais. Mudanças que só irão fazer o bem, a um País que se deseja melhor, para cidadãos de todas as idades.

Governo lança desafio

A realização do workshop Políticas Públicas na Longevidade respondeu a um repto lançado pelo Governo e pela própria ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Ana Mendes Godinho, aliás, esteve presente no arranque da iniciativa, em que lembrou a importância de olhar para o envelhecimento de uma forma positiva e garantir que a população se mantenha "ativa no processo de envelhecimento e cada vez mais independente, autónoma e saudável".

"É preciso criarmos uma discriminação positiva que nos ajude a encarar a nossa idade de forma diferente, que garanta a dignidade das pessoas de todas as idades", pediu, congratulando-se pelo facto de esta iniciativa da SCML reunir "pessoas diferentes, com experiências de vida diferentes". 

"Com este painel de participantes, espero que, no final dos trabalhos, possamos ter já um conjunto de critérios e de ações concretas que nos permitam atuar e pôr de pé alguns projetos de forma rápida e eficaz", afirmou Ana Mendes Godinho.

Tome nota:

Ao constituir um Grupo de Trabalho para a elaboração de uma proposta para as futuras Políticas Públicas na Longevidade, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa teve como objetivo primordial corresponder ao objetivo alinhado pelo quadro de prioridades do XXII Governo Constitucional, que colocando o foco em  dois dos desafios centrais na sua governação: a demografia e as  desigualdades. Em janeiro, a SCML já deverá ter a versão final da sua proposta elaborada.

"O paradigma já mudou há algum tempo"

Idália Serrão, vereadora da Câmara Municipal de Santarém e membro da administração da Associação Mutualista Montepio, lembrou neste workshop que o paradigma da velhice já mudou há muito. "Antes, os meus pais sabiam que podiam contar comigo para eu os levar a uma consulta. E eu sabia que podia contar com eles para conciliar a minha atividade profissional com os filhos, pois eles podiam tomar conta deles. Hoje, com as mudanças do mercado de trabalho, da economia, com filhos que são trabalhadores globais e emigram, pais e filhos ficaram sem rede", lembrou. Ainda assim, Idália Serrão salientou que a longevidade é um desafio que tem de ser abordado de forma positiva. "Não pode haver uma perspetiva estática do envelhecimento, mas antes uma abordagem que vá ao encontro da expectativa e do desafio que é viver mais anos", sublinhou.

Para isso, há questões que são verdadeiramente fundamentais. "Temos de fazer cumprir direitos e não nos remetermos apenas aos serviços mínimos. Questões como a autodeterminação, por exemplo, são direitos humanos fundamentais", disse.

Idália Serrão afirmou ainda a importância de começar desde cedo a educar para as questões relacionadas com as mudanças demográficas e a longevidade, para promover uma "maior compreensão e tolerância entre gerações", e também para a necessidade de "ensinar a poupar".

"A poupança complementar é fundamental para uma maior qualidade de vida na idade da reforma, sobretudo num tempo em que as carreiras contributivas estão a diminuir", acrescentou.

"Políticas públicas devem promover um envelhecimento saudável"

Constança Paúl, coordenadora da Unidade de Investigação e Formação sobre Adultos e Idosos (UNIFAI) e diretora do Programa Doutoral de Gerontologia e Geriatria das Universidades do Porto e Aveiro, foi uma das intervenientes no terceiro e último dia deste workshop.

Na sua intervenção lembrou algumas das dimensões principais do envelhecimento nas atuais sociedades ocidentais: "O paradigma do envelhecimento ativo ‘versus’ o envelhecimento saudável; as consequências económicas do envelhecimento; o papel das estruturas sociais e da sociedade civil; o papel da tecnologia ao serviço do envelhecimento e ainda as questões relacionadas com a saúde, o bem-estar e a fragilidade", afirmou.

A especialista da Universidade do Porto fez questão de frisar que o envelhecimento é atualmente uma realidade "complexa", e, por isso, elencou as prioridades que devem guiar os planos de ação no futuro no âmbito das diretrizes públicas no contexto da longevidade.

"As políticas nacionais devem ser estabelecidas no âmbito da promoção de um envelhecimento cada vez mais saudável, o que pressupõe um reforço das capacidades nacionais para reformular políticas e ainda o combate ao idadismo (discriminação pela idade), baseada em evidencias", rematou.

"A pobreza continua a afetar a população idosa em Portugal"

"A longevidade não é uma doença. É um desafio que podemos ganhar", afirma o professor de Economia do ISEG Carlos Farinha Rodrigues.

"Basta olhar para a pandemia que atravessamos atualmente para perceber que a longevidade exige um olhar particular do Estado, que deve reforçar a sua capacidade de regulamentar as instituições. O apoio que estas prestam ainda não é suficiente, deixa muita gente de fora e, embora muitas façam um excelente trabalho, outras ainda mantêm um certo grau de amadorismo", alertou Carlos Farinha Rodrigues, que dedicou grande parte dos seus estudos à relação entre o envelhecimento e pobreza.

"Embora tenhamos tido uma evolução muito positiva nos últimos anos, resultado de reformas e carreiras contributivas mais consistentes, a pobreza ainda é um problema na nossa população mais idosa. Basta dizer que ela afeta cerca de 25 por cento da população acima dos 75 anos, que vive sozinha e que maioritariamente é formada por mulheres", relembrou.

Além disso, faltam políticas que apelem e promovam a participação dos idosos, lembrou o especialista. "E não estou a falar de trabalhar, mas de atividades que promovam a inclusão social, a partilha de conhecimentos e as ligações intergeracionais", explicou.

Provedor Edmundo Martinho: momento de "reflexão"  

"Condição é mais importante do que a idade"  

A sessão de encerramento do workshop, que decorreu na emblemática Sala das Extrações, contou com a participação do Provedor da SCML, Edmundo Martinho.

Na sua intervenção, o provedor salientou que "a importância das políticas públicas tem de situar-se na condição de cada cidadão e não na sua idade" e lançou um repto ao envolvimento da sociedade e de todos os profissionais da instituição que lidera nesta mudança de paradigma.

"O workshop foi um momento único de concentração de toda a gente e de todas as organizações que no País são relevantes" na área da longevidade, disse em jeito de balanço.