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“O mundo do trabalho tem de ser repensado”

A SCML promoveu o workshop Políticas Públicas na Longevidade - um espaço de debate, desconstrução do conceito de envelhecimento.
20 de Agosto de 2020 às 11:21
Maria do Rosário Gama, presidente da Associação de Pensionistas e Reformados (APRe!)
Maria do Rosário Gama, presidente da Associação de Pensionistas e Reformados (APRe!)

Quando se fala de políticas públicas para a longevidade, Maria do Rosário Gama diz que "são várias as prioridades" e "todas com a mesma importância". A presidente da Associação de Pensionistas e Reformados (APRE!), que foi uma das participantes ativas no workshop Políticas Públicas na Longevidade, promovido pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, destaca "a necessidade de reorganização do sistema de institucionalização", "cujas fragilidades foram (estão a ser) evidenciadas neste tempo de Covid-19".

"São precisos mais e melhores lares com a definição de um verdadeiro ‘Sistema Nacional de Apoio aos Mais Velhos’ que aproveite e potencie a rede já existente constituída pelas instituições enquadradas pelas Misericórdias, pelas Mutualidades e pelas IPSS", afirma a responsável. Que acrescenta que os lares têm de responder – quer em quantidade quer em qualidade – às necessidades da população.

"Tem de ser garantida qualidade assistencial, preço acessível, apoios indispensáveis da Segurança Social e fiscalização rigorosa que impeça a proliferação de lares ilegais e acabe com os existentes, desde que não tenham condições."

A bem da diversidade de indivíduos e situações, juntem-se aos lares alternativas como "conceitos de habitação sénior". Maria do Rosário Gama refere, por exemplo, os "serviços domiciliários ou residências/comunidades adaptadas e/ou assistidas. Respostas diversificadas para níveis de autonomia e de dependência também diversificados."

À expressão de "envelhecimento ativo" prefere a de "envelhecimento participativo". "A população mais velha deve ser chamada a participar nas decisões que lhe dizem respeito, quer locais, quer nacionais, através de fóruns de cidadania sénior, como existem algumas autarquias ou através de consultas a organizar pelas entidades competentes", defende a presidente da APRE!.

A atividade física é "um contributo fundamental para um bom estado de saúde", mas Maria do Rosário Gama lembra que há outros meios de "uma pessoa mais velha se manter ativa". Incluindo a possibilidade de voltarem a trabalhar. "Com a melhoria das condições de saúde as pessoas atingem a chamada idade da reforma em condições cada vez melhores e com maior esperança de vida saudável. Será um desperdício de recursos dispensar o contributo de cidadãos que atingem a idade da reforma com todas as condições para continuar na vida ativa profissional, desde que assim o desejem e não contribuam para o desemprego jovem."

Repensar o mundo laboral deve, por isso, ser uma prioridade para quem toma decisões. "Terão de se encontrar formas inovadoras para que a transição não seja brusca e não se desperdice a sabedoria e experiência dos mais velhos, como seja a reforma a tempo parcial", exemplifica. A medida é tão mais importante quanto Portugal está no topo dos países mais envelhecidos do Mundo.

"Cabe aos cidadãos portugueses e às instituições criar condições para que todos, mais velhos ou mais jovens, tenham os mesmos direitos e uma vida decente. Sei que os mais velhos são parte da solução e não o problema."

Combater o isolamento´

Maria do Rosário Gama sublinha a importância de identificar os idosos que vivem isolados, e diz que esse papel cabe às juntas de freguesia, "em colaboração com a PSP em meio urbano e da GNR em meio rural".

Se é verdade que há idosos que vivem sozinhos por opção, "nos casos em que isso não acontece, é necessário um acompanhamento efetivo feito pelas Comissões Locais de Acção Social e também através do voluntariado", explica a responsável, adiantando que "há vários recursos que podem ser accionados para garantir um acompanhamento de retaguarda como, por exemplo, a teleassistência ou as pulseiras detetoras de situações anómalas".

"Sempre que possível, os mais velhos que vivem isolados devem ser encaminhados para centros de dia, centros de atividades e convívio... Se assim o desejarem", defende a presidente da APRE!.

"A sociedade tem de ser ‘sacudida’ para não esquecer que chegar a velho é um privilégio a que todos aspiram, não é um peso para a sociedade. Os jovens de hoje serão os velhos de amanhã.

Contributo da Santa Casa da Misericórdia para uma estratégia nacional de longevidade

A realização do workshop Políticas Públicas na Longevidade foi a primeira iniciativa de um grupo de trabalho constituído pela SCML para participar no desenho de uma proposta estratégica a apresentar às entidades governamentais.

O projeto responde ao desafio lançado pela própria Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, que apelou às diversas instituições de solidariedade e seus parceiros o apoio na delineação de uma nova política para o envelhecimento, objetivo alinhado pelo quadro de prioridades do XXII Governo Constitucional.

Este projeto governativo assenta em dois focos: a demografia e as desigualdades. O grupo de trabalho, liderado por Maria da Luz Cabral, da SCML, deverá ter a versão final da sua proposta pronta para apreciação em Janeiro de 2021.