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Campanha alerta para perigos das quedas

A grande maioria das quedas na terceira idade ocorre em casa. As sequelas podem causar perda de autonomia e qualidade de vida
24 de Setembro de 2020 às 11:07

Em ano de pandemia, o alerta ganha ainda mais peso. Sob o mote "Não Caia Nisso", a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT) e com o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), alerta mais uma vez para os cuidados que os mais velhos devem ter na prevenção de quedas. De acordo com a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT), as quedas são responsáveis por 70% das mortes acidentais nesta faixa etária. Cerca de 30% dos idosos já caíram alguma vez, sendo que 8% dessas quedas provocam lesões graves com risco de morte.

Sabe-se ainda que 28% das mortes nas pessoas idosas ocorrem por consequência direta das quedas. Por isso, durante a apresentação da campanha, o médico ortopedista Carlos Evangelista, coordenador do Grupo de Estudo de Ortopedia Geriátrica da SPOT, explicou que este projeto pretende ser "uma chamada de atenção para riscos que podem ser evitados" e que ocorrem, geralmente, em casa.

O especialista aproveitou também a ocasião para alertar para a importância da prevenção, enumerando alguns comportamentos de forma a evitar este tipo de quedas: "ter uns tapetes que sejam anti aderentes e que protejam da queda, ter o telefone sempre por perto, ter luzes de presença noturnas para não andar no escuro e ter a preocupação sobre o que podemos comer ou não", disse.

Muitas outras medidas de prevenção dependem dos próprios idosos. "Ter hábitos que promovam uma melhor saúde é também fundamental para atenuar os riscos. O exercício físico mantém o tónus muscular e o equilíbrio, tal como ter uma alimentação saudável e equilibrada alguma atividade mental que promova a estimulação cognitiva", acrescentou o coordenador da área de geriatria.

Múltiplas causas

Para este tipo de ocorrências concorrem fatores díspares, como a regressão visual e auditiva, as dificuldades de mobilidade e a perda de capacidade mental. A queda pode também acontecer por causas relacionadas com o meio que rodeia o indivíduo.

Atendendo a esses fatores, é possível adaptar os espaços para que a circulação se torne mais fácil e segura, sobretudo em casa (ver página seguinte). Na rua, os idosos devem evitar trajetos com muitos obstáculos, escadas e trânsito.

Quanto menos o idoso arriscar, mais fácil será proteger-se. A consequência mais grave e mais frequente das quedas é a fratura, particularmente grave na terceira idade devido à diminuição da densidade óssea. Qualquer fratura provoca um grande impacto na vida da pessoa, nomeadamente na perda da sua autonomia, pois após uma queda qualquer pessoa sente receio de voltar a cair.

Uma experiência negativa só levará ao aumento do problema: a tendência natural para o sedentarismo leva à diminuição da massa muscular, e tem como consequências a diminuição da autoestima e muitas vezes a deterioração do estado cognitivo.

Lar doce lar esconde os maiores riscos de acidente

A casa é o refúgio onde a maioria dos idosos passa grande parte do seu tempo mas, por vezes, também encerra os maiores perigos. Para que o risco de queda seja menor, devem ser tomadas algumas medidas.

Na nossa casa acumulamos muitos objetos e memórias. Mas uma peça colocada num lugar que impede a passagem, embora supostamente arrumada, pode tornar-se um perigo para a circulação. Se houver escadas interiores, pondere a instalação de uma cadeira mecânica para subir e descer.

No quarto, evite os tapetes e as carpetes colocadas ao lado da cama, porque potenciam facilmente as quedas. A existirem, devem ser antiderrapantes. Use sempre vestuário confortável e adequado, que não dificulte os movimentos.

A sala é geralmente um sítio onde se passa muito tempo, sendo igualmente utilizada para momentos de descanso e laser. Lê-se, costura-se, vê-se televisão, brinca-se com os filhos e netos. Mas, por vezes, ficam algumas coisas para trás: livros, revistas, brinquedos, fios de eletricidade ou, até, cabos de energia dos computadores fora do lugar, potenciando o risco de quedas.

A cozinha é outro espaço que habitualmente se usa várias vezes ao dia e onde os perigos espreitam. Primeiro que tudo, é preciso ter cuidado com os líquidos derramados, as temperaturas elevadas dos utensílios e com os tapetes.

A regra serve para toda a casa mas é especialmente importante na cozinha. Deve ser um espaço com boa circulação, onde bancos e cadeiras devem estar arrumados. É também fulcral evitar ter louças em armários altos.

O ideal é estarem à altura dos olhos. A luminosidade é outro fator importante, devendo-se privilegiar a luz natural ou, em caso de necessidade, a artificial, com luminosidade, para permitir a visualização de riscos.

Na casa de banho, as águas derramadas podem levar a escorregadelas e desequilíbrios. Deve manter-se o chão seco e usar tapetes antiderrapantes ao sair do banho, enxugando os pés em primeiro lugar.

Em casos de mobilidade reduzida, em que o indivíduo use auxiliares de marcha, devem desimpedir-se os acessos.

No acesso à casa de banho, sempre que possível, devem existir barras de apoio fixas na parede, que permitam ao indivíduo deslocar-se com maior segurança. Um alteador de sanita pode ser um auxiliar para indivíduos recém-operados, quer à anca, quer aos joelhos, e também para os indivíduos que sofrem das articulações ou de fraqueza muscular.

Um banco ou uma cadeira de banho devem também ser considerados, privilegiando-se o banho sentado. A substituição da banheira clássica por um poliban, melhora o acesso ao banho.

11 dias no hospital à custa de lesões

Os problemas de saúde que os indivíduos com mais de 65 anos enfrentam são diversos e complexos mas as sequelas provocadas pelas quedas representam um encargo financeiro cada vez maior, quer para o indivíduo quer para a sua família, e encetam graves consequências para a sua autonomia e bem-estar.

Em Portugal, estima-se que entre 2000 e 2017, em cada cem hospitalizações de indivíduos com mais de 65 anos, pelo menos três tiveram como causa direta uma queda.

Em média, cada um destes acidentes dá origem a internamentos com uma duração superior a 11 dias.

A grande maioria deixou lesões irreversíveis. Mesmo quando não há necessidade de internamento, a maioria das ocorrências requer assistência médica. Por isso, uma queda nunca deve ser encarada como algo banal na terceira idade.

Revista gratuita com vários conselhos

A campanha ‘Não Caia Nisso foi apresentada no Seminário Longevidade: Conhecimentos e Práticas na SCML’, que decorreu no Teatro Thalia a 22 de setembro.

Este encontro interno juntou vários especialistas na área da longevidade. Através do formato de mesas redondas, foi promovida a articulação, discussão e amplificação de um conjunto de práticas e boas práticas desenvolvidas pelos vários serviços da SCML na área da longevidade.

A campanha deste ano é acompanhada por uma revista com uma edição especial com várias recomendações sobre a Covid-19. A edição conta com o Alto Patrocínio da Presidência da República e terá distribuição gratuita em todo o país em misericórdias, lares, centros de dia e balcões dos CTT, com o intuito de chegar ao maior número possível de pessoas entre o público-alvo.