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Casa do Impacto procura soluções tecnológicas para apoio social

O novo concurso pretende encontrar ferramentas digitais que respondam às necessidades dos idosos afetados pelo COVID-19.
16 de Abril de 2020 às 09:13
Inês Sequeira é diretora da Casa do Impacto, ‘hub’ de empreendorismo social da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
A Casa do Impacto quer ser uma referência no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU
Inês Sequeira é diretora da Casa do Impacto, ‘hub’ de empreendorismo social da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
A Casa do Impacto quer ser uma referência no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU
Inês Sequeira é diretora da Casa do Impacto, ‘hub’ de empreendorismo social da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
A Casa do Impacto quer ser uma referência no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU

A Casa do Impacto, o ‘hub’ de empreendedorismo social da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), lançou uma edição extraordinária do ‘Santa Casa Challenge’, dirigida à criação e adaptação de ferramentas digitais que, no atual contexto, respondam às necessidades específicas dos idosos afetados pelo COVID-19, considerando que estas ferramentas são, atualmente, o meio mais célere e eficaz para garantir a informação e participação social ativa da população.

A esta edição podem candidatar-se ‘startups’ em atividade e empresas tecnológicas, em particular do domínio digital com soluções já desenvolvidas, eventualmente noutros domínios, e empresas tecnológicas de referência no mercado nacional e europeu.

"Já percebemos que vamos ter um novo ‘normal’ e que os mais idosos terão de ficar confinados e em isolamento social durante muito mais tempo. Portanto, o grande desafio passa por criar respostas e tecnologias que permitam que ajudar os mais velhos a manter as suas capacidades físicas e mentais", explica Inês Sequeira, diretora da Casa do Impacto.

As prioridades parecem-lhe óbvias: "a primeira é, sem dúvida, a comunicação. Depois, respostas que permitam aos técnicos que fazem o apoio domiciliário, por exemplo, continuar a desenvolver o seu trabalho. Mas são tantos os desafios que é difícil definir qual o mais urgente. Até porque desde que esta pandemia se propagou temos todos andado um bocadinho a ‘navegar à vista’.

Ninguém tem experiência numa situação destas e, por outro lado, o dia a dia tem-nos mostrado que as necessidades mudam muito rapidamente", refere. O ‘challenge foi lançado há poucos dias mas já resultou em contactos.

"Algumas empresas já vieram até nós. Uma das virtudes desta crise é haver imensa gente com vontade de ajudar. As empresas já não são só máquinas de fazer dinheiro. Também, mas a social responsabilidade é um valor que se foi interiorizando. E se no início, a urgência era resolver as necessidades básicas, agora já se começa a olhar para outro tipo de problemas", explica a responsável.

Neste processo, as empresas tecnológicas têm andado em paralelo com a indústria nacional: "é como aquela fábrica de bebidas alcoólicas onde agora se fabrica álcool-gel. Também as empresas tecnológicas estão a pensar rapidamente no que podem fazer neste novo contexto", frisa.

O Santa Casa Challenge é um concurso já com tradição criada em quatro edições anteriores. O seu objetivo foi desde sempre premiar soluções tecnológicas inovadoras que deem origem a dispositivos, aplicativos, conteúdos digitais, serviços web ou plataformas de comunicação, exequíveis do ponto de vista tecnológico. Após quatro edições tem-se revelado adequado para aproximar os empreendedores e as startups de base tecnológica, aos problemas e necessidades sociais, permitindo potenciar os efeitos das tecnologias da informação e comunicação na melhoria da qualidade de vida das populações mais vulneráveis.

Projeto-piloto em contexto real com os idosos

Na primeira fase do Santa Casa Challenge serão selecionadas dez candidaturas, que terão assim a oportunidade de apresentar o seu ‘pitch’ ao júri do concurso, através de uma videoconferência. Tal como aconteceu nos anteriores ‘challenges’ promovidos pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, aos vencedores será atribuído um prémio monetário.

Nesta edição estão disponíveis 100 mil euros, no total, para atribuir até um máximo de quatro projetos vencedores e a possibilidade de desenvolver um projeto piloto para validação da solução criada no contexto real e específico dos idosos residentes da cidade de Lisboa e apoiados pela instituição.

Este projeto-piloto terá a duração máxima de seis meses e realizar-se-á em equipamentos ou serviços da SCML ou junto dos seus parceiros sociais. Quem quiser participar e ocupar a quarentena com algo que pode vir a fazer a mudança junto de uma das camadas mais sensíveis da população tem de se apressar: as candidaturas decorrem até dia 29 de abril de 2020 em http://mais.scml.pt/casadoimpacto/formulario-challenge-extra-covid/.

As emoções também precisam de ser tratadas com impacto

Já está a funcionar a plataforma de apoio psicológico acalma.online, um projeto desenvolvido pela Casa do Impacto, no âmbito do movimento Tech4covid19 e com o apoio das ‘startups’ de Impacto ZenKlub, Doctorino e Hug-a-Group e em parceria com a WithCompany e a DoctorSpin. A nova plataforma, a funcionar há cerca de uma semana, já conta com mais de 230 sessões marcadas e 96 realizadas.

O projeto acalma-online oferece vídeo-consultas online de apoio psicológico especializado, sempre gratuitas, a pessoas de todas as idades e em qualquer ponto do País. Para aceder e marcar uma consulta online basta entrar em: https://acalma.online/.

Qualquer pessoa pode obter ajuda, não sendo necessário criar um registo. As vídeo- -consultas (com duração entre 30 e 45 minutos) são realizadas por psicólogos clínicos experientes e devidamente preparados.

Para marcar uma consulta, basta selecionar o profissional e agendar. Depois da confirmação, a consulta decorrerá na plataforma à hora marcada. Esta iniciativa da Casa do Impacto tomou forma pela perceção clara de que o estado de "emergência mental" caminharia a par com o estado de emergência.

Face aos números de infetados com o COVID-19 e com as estratégias implementadas para gerir a propagação do vírus, estima-se um aumento de pessoas a braços com dificuldades psicológicas, com impacto a curto, médio e longo prazo na saúde mental.

"Na imprensa internacional já se fala inclusivamente em stress pós traumático", alerta Inês Sequeira. Como resposta, criou-se a plataforma, com o apoio de vários membros da comunidade empreendedora. A perda de familiares e amigos, o isolamento social, a adaptação a novos modelos de trabalho, o confinamento a um espaço e a imprevisibilidade do futuro continuam a ser perigos reais. Mas agora, há um ‘ombro amigo’ ao nosso lado.

Empreendedorismo social para responder aos novos tempos

A Casa do Impacto nasceu em Outubro de 2018 e trata-se de um ‘hub’ de empresas e projetos que permitam efetivar políticas de responsabilidade social consequentes e impacto social e ambiental positivo.

"Apesar da Santa Casa ser uma instituição com mais de 500 anos de existência, percebemos facilmente que os problemas sociais também mudam e também se adaptam ao tempo, e que a inovação é um caminho essencial para encontrar as soluções e dar as respostas adequadas a novos problemas", explica Inês Sequeira. Por isso, a média de idades dentro da Casa do Impacto é "jovem".

Dentro deste contexto de empreendedorismo social, já nasceram na casa projetos tão meritórios como o ‘55 +’, que promove a ocupação de desempregados, ou a APAC, que trabalha com presidiários, entre outras respostas de integração e inclusão social.