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Em busca de soluções para uma nova idade

O workshop e webinar ‘Políticas Públicas para a Longevidade’ realizado pela SCML contou com a participação de vários parceiros sociais e peritos no tema
16 de Julho de 2020 às 10:52
Ana Mendes Godinho, Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social
Ana Mendes Godinho, Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) realizou esta semana o workshop e webinar ‘Políticas Públicas para a Longevidade’. O evento realizou-se na sede, em Lisboa, mas foi transmitido em direto (por streaming) e contou com a participação de vários parceiros sociais, ‘stakeholders’ e peritos no tema que se constitui como um dos maiores desafios das atuais sociedades ocidentais.

Coube à Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, inaugurar o painel de intervenções, tendo começado por relembrar a atualidade do tema. "Basta pensarmos na evolução da sociedade portuguesa nas últimas décadas", frisou.

A Ministra fez questão de salientar que só a "participação das várias áreas setoriais" na elaboração dessa estratégia nacional pode reside uma "solução transversal" para esta problemática. Analisando cenários futuros, Ana Mendes Godinho fez ainda questão de lembrar a importância de garantir que a população se mantenha "ativa no processo de envelhecimento e cada vez mais independente, autónoma e saudável".

"É preciso criarmos uma discriminação positiva que nos ajude a encarar a nossa idade de forma diferente, que garanta a dignidades das pessoas de todas as idades", pediu, congratulando-se pelo facto desta iniciativa da SCML reunir "pessoas diferentes, com experiências de vida diferentes".

"Com este painel, espero que no final dos trabalhos tenhamos já um conjunto de critérios e de ações concretas, que nos permitam atuar e por de pé alguns projetos de forma rápida e eficaz", afirmou.

Logo a seguir ao repto lançado por Ana Mendes Godinho, o grupo de trabalho da SCML deitou mãos ao trabalho que tem uma calendarização já estabelecida.

"Contamos conseguir desenvolver o resultado deste workshop até outubro, e nessa altura, fazer uma nova reunião, que gostávamos que fosse no Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, se a Sra. Ministra nos quiser receber. Depois dessa segunda reunião, contamos ter, em Janeiro, um ‘draft’ daquilo que será o contributo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para esta Estratégia Nacional para a Longevidade" enquadrou, por seu turno, Maria da Luz Cabral, Coordenadora do Grupo de Trabalho para as Políticas Publicas na Longevidade.

E não houve mais tempo a perder. Ao longo de três dias, presencialmente ou via web, um qualificado painel de peritos esmiuçou as várias nuances que envolvem a longevidade e as questões que devem pautar uma nova visão sobre esta.

Entre estes, contaram-se Lina Lopes (presidente da Comissão de Mulheres União Geral de Trabalhadores), Idália Serrão (Administradora da Associação Mutualista Montepio Geral), Armindo Silva (Consultor da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal), Professor Sobrinho Simões (Diretor do Serviço de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto), Nuno Biscaya (Confederação Empresarial de Portugal), entre outros parceiros essenciais para a construção de um futuro melhor e mais justo para todos.

"Um país justo e coeso"

Agradecendo a adesão de todos os que se juntaram à Santa Casada Misericórdia de Lisboa neste momento, o Provedor Edmundo Martinho lembrou a sua pertinência no atual contexto: "precisamos de perceber o que é que a longevidade implica, qual o impacto que tem nas nossas vidas mas precisamos também de compreender o que é que a longevidade exige às políticas públicas para sabermos o que temos de fazer nestes próximos anos", disse.

Classificando como uma "missão elevada" – a de contribuir para princípios e soluções que visem apoiar mais e melhor um dos grupos populacionais mais sensíveis no País –, Edmundo Martinho referiu ainda que este pretende ser "um projeto fortemente inovador e transformador".

"E que surge numa altura particular do País, que deixou ver melhor as fragilidades das instituições do setor social mas também permitiu perceber todo o potencial do seu trabalho no terreno", acrescentou.

"Só espero que ao longo destes três dias, também os nossos convidados possam sentir que estão a contribuir para um país mais equilibrado, justo e coeso", rematou o provedor da SCML.

Academia partilha saberes para uma visão transversal

Ao longo dos três dias de duração deste workshop, além de diversas instituições do setor social e da concertação social, também a academia deu um importante contributo para a reflexão sobre o aumento da esperança de vida.

Da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, o professor José de São José partilhou com a audiência vários estudos realizados nos últimos anos onde se verifica a influência de vários fatores, como o género ou a capacidade financeira, na modificação das curvas da longevidade.

Tais constatações permitiram ao docente contribuir com uma série de recomendações para o trabalho futuro, tais como a necessidade de "formar os cuidadores formais e informais a vários níveis, o combate à pobreza e à desigualdade bem como a promoção da lógica da intergeracionalidade como medida de combate ao isolamento".

A socióloga e professora da Universidade de Coimbra Sílvia Ferreira, por seu turno, lembrou as consequências que a precariedade do mercado de trabalho nas gerações mais novas, com uma clara diminuição das carreiras contributivas mais longas.

"Isto terá influência no seu futuro processo de envelhecimento. São circunstâncias que implicam repensar o apoio social às gerações futuras", frisou.

A especialista afirmou que as "catástrofes naturais, as diferenças territoriais ou as epidemias" podem afetar ainda mais os idosos. E não só: "o desinvestimento nos serviços sociais feito desde o governo da Troika – e que ainda não foi totalmente recuperado - têm igualmente consequências nefastas nos cuidados e apoios prestados a este segmento da população", disse.

Lembrando a complexificação da velhice, Sílvia Ferreira sugeriu que é preciso lutar contra a "desresponsabilização do coletivo" pela questão do envelhecimento.

Ganhamos dois anos de vida numa década

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a esperança de vida à nascença em Portugal foi estimada em 80,93 anos, sendo 77,95 anos para os homens e 83,51 anos para as mulheres.

No espaço de uma década verificou-se um aumento de 1,99 anos de vida para o total da população: 2,11 anos para os homens e 1,64 anos para as mulheres. Enquanto nas mulheres esse aumento resultou da redução na mortalidade em idades superiores a 60 anos, nos homens esse acréscimo foi maioritariamente proveniente da redução da mortalidade em idades inferiores a 60 anos. A esperança de vida aos 65 anos atingiu 19,61 anos em média. Aos 65 anos os homens podem esperar viver mais 17,70 anos e as mulheres mais 21 anos, o que representa ganhos de 1,22 anos e de 1,26 anos, respetivamente, nos últimos dez anos.