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O desafio de proteger os mais frágeis

O padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições Sociais, conhece como ninguém as dificuldades das IPSS
6 de Agosto de 2020 às 13:53
O padre Lino Maia conhece bem a realidade de quem está no terreno
Maria João Valente Rosa é demógrafa e professora universitária
O patologista  Sobrinho Simões  também participou no debate
O padre Lino Maia conhece bem a realidade de quem está no terreno
Maria João Valente Rosa é demógrafa e professora universitária
O patologista  Sobrinho Simões  também participou no debate
O padre Lino Maia conhece bem a realidade de quem está no terreno
Maria João Valente Rosa é demógrafa e professora universitária
O patologista  Sobrinho Simões  também participou no debate

Como presidente da Confederação Nacional das Instituições Sociais, o padre Lino Maia conhece como ninguém as dificuldades que as IPSS enfrentam no terreno. A sua experiência foi por isso chamada a contribuir para o workshop Políticas Públicas na Longevidade, organizado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), e no qual participaram vários especialistas com o intuito de delinear uma proposta para uma nova estratégia nacional para a longevidade. Ao CM descreveu os maiores desafios que se colocam atualmente às instituições.

- Perante o cenário de aumento da longevidade e envelhecimento da população, qual é a  responsabilidade das políticas públicas?

- Por um lado, são necessárias políticas de estímulo à natalidade, porque teremos progressivamente mais pessoas carenciadas de serviços e menos pessoas a produzir riqueza - em 2060, a população ativa diminuirá dos atuais 6,7 para 3,8 milhões de pessoas. Por outro lado, no que à longevidade se refere, são necessárias alterações do ambiente construído e do sistema de transportes, de maneira a que os serviços sociais e de saúde assegurem às pessoas mais velhas condições de vida autónoma e mobilidade. E são necessárias políticas de conciliação da vida profissional e da vida familiar, potenciar a intergeracionalidade, a participação  e a promoção de um envelhecimento ativo e saudável.

- E nas IPSS, em particular? Quais são os novos desafios?

- Ainda não despertamos para os desafios que a longevidade comporta. Ainda se olha para as IPSS como se fossem apenas instituições de caridade e não o principal instrumento do Estado na proteção social. E esta é uma das principais funções do Estado. Um estudo recente mostra que este se vem desobrigando da sua corresponsabilidade na sustentabilidade das Instituições de Solidariedade e que estas, nestas circunstâncias, podem desviar-se da sua matriz. Segundo um estudo da Universidade Católica (Porto), o Estado comparticipa com cerca de 39% dos custos das instituições e os utentes com 33%. Mas é importante alargar a cobertura dos serviços de apoio domiciliário; criação de condições para que os recursos disponíveis sejam maximizados garantindo o melhor retorno; garantir o  acesso a condições de habitabilidade que permitam a domiciliação dos cuidados; fomentar a formação aos cuidadores; potenciar a existência de serviços que permitam o descanso dos cuidadores, etc.

- Que lições temos de tirar urgentemente para o futuro?

- As pessoas vivem mais tempo mas com uma qualidade de vida que se vai degradando. Nas instituições, particularmente nas respostas residenciais, segundo um estudo feito pela Universidade de Évora, a maioria das pessoas idosas (96,9%) apresenta algum tipo de dependência, 67,48% necessitam de uma intervenção estruturada de cuidados e ajuda diária para o autocuidado na alimentação, enquanto 37,75% tem diagnóstico de demência. Daí urge articular saúde com Segurança Social no serviço e no apoio a estas instituições. É preciso apostar em mais recursos humanos e recursos mais especializados.

Realizador foi um bom exemplo

- Qual o idoso que mais o marcou? Porquê? O que aprendeu com essa pessoa?   

Padre Lino Maia - Não quero falar de familiares nem de pessoas que espero que continuem a viver para além de mim… Com estas considerações, a pessoa que mais me marcou foi Manoel de Oliveira. Muito ligado à paróquia em que sou pároco (Aldoar, no Porto). Nos seus 106 anos de vida, foi um homem sempre ativo, interventivo, lúcido e solidário. Com ele aprendi a sonhar enquanto viver…

- Porque decidiu ser padre?

- Em criança, o exemplo de um padre meu conterrâneo (de Guilhabreu) e que tinha sido companheiro de carteira da minha mãe despertou em mim o sonho de ser como ele: missionário e santo. Fui para o seminário com esse sonho. Quando acabei Teologia nem era missionário nem santo. Mas, perante a minha frustração, o grande bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, disse que queria que eu fosse padre. Aceitei… não sendo missionário nem santo, sou feliz e jamais pensei recuar.