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Recuperar o sentimento de entreajuda

Terceira fase do Projeto Radar já arrancou, cobrindo as freguesias que ainda não foram objeto da iniciativa da Santa Casa de Lisboa
24 de Outubro de 2019 às 09:09
Sérgio Cintra, administrador da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa responsável pela ação social
Sérgio Cintra, administrador da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa responsável pela ação social

Para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a dinamização do projeto Radar tem igualmente o intuito de fortalecer as redes de apoios informais e devolver à cidade o sentimento de comunidade.

"Sendo este um projeto pioneiro e que pretende ser mais do que um simples recenseamento, esta é uma iniciativa que pretende recuperar os laços fortes de vizinhança que existiam, quando eu era miúdo. Os meus pais não precisavam de deixar ninguém a tomar conta de mim quando saíam porque quando voltavam ficavam a saber, pelos vizinhos, se me tinha portado bem ou mal. Hoje, nada disso é possível. Continuo a morar num outro bairro de Lisboa, mas quando chego a casa é raro encontrar vizinhos e eles, mesmo que saibam que algo vai mal com os meus filhos, vão sentir-se embaraçados e não virão contar-me. O que queremos é recuperar o sentimento de entreajuda", sublinha Sérgio Cintra, administrador da Santa Casa.

Deste modo, respeitando a diversidade de atores locais e o ritmo de cada bairro, o projeto Radar promove a partilha de conhecimento e a definição de interveções conjuntas, entre diferentes organizações que na cidade têm competência para responder aos problemas.

Por outro lado, pretende-se dar a todos a possibilidade de ser parte ativa na identificação dos casos precários e no seu acompanhamento. "Os voluntários reagiram muito bem a este nosso apelo. Por exemplo, a padaria onde costumo ir buscar o pão todos os fins de semana, é um radar. Havia situações que a senhora que lá está já conhecia, mas não tinha a capacidade de dar a conhecer, de intervir para ajudar. E agora, acima de tudo, sente-se não só ouvida como envolvida. Outra faceta do projeto é também a participação de todos, ou seja, ir ao encontro das pessoas e ouvir as suas expectativas", conta.

A participação de um caso pode passar por algo tão simples como alertar para a necessidade de construção de uma rampa de acesso à entrada da porta ou no passeio para um idoso que circule em cadeira de rodas. "Temos de começar a fazê-lo rapidamente porque, na verdade, não é só pelos outros é também por nós. Quando somos novos reivindicamos, entre outras coisas, passeios largos para que os carrinhos dos bebés passem, mas quando chegarmos a velhos - o que acontece depressa - passamos todos a ter outro tipo de necessidades vitais para garantir bem-estar e qualidade de vida".