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Um projeto que apoia cuidadores informais

O Centro de Recursos de (In)Formação a Prestadores de Cuidados Informais foi criado para orientar e apoiar cidadãos ou famílias residentes na cidade de Lisboa, que integram e cuidam dos seus familiares idosos, doentes ou dependentes no seu domicílio.
17 de Janeiro de 2020 às 13:23
Centro de Recursos de (In)Formação a Prestadores de Cuidados Informais
Vários cuidadores durante uma sessão de formação
Vários cuidadores durante uma sessão de formação
Georgina Antunes, cuidadora informal
Benária Almeida, cuidadora informal
Hélder Pinho, cuidador informal
Cuidadores informais formados pelo Centro de Recursos de (In)Formação a Prestadores de Cuidados Informais
Centro de Recursos de (In)Formação a Prestadores de Cuidados Informais
Vários cuidadores durante uma sessão de formação
Vários cuidadores durante uma sessão de formação
Georgina Antunes, cuidadora informal
Benária Almeida, cuidadora informal
Hélder Pinho, cuidador informal
Cuidadores informais formados pelo Centro de Recursos de (In)Formação a Prestadores de Cuidados Informais
Centro de Recursos de (In)Formação a Prestadores de Cuidados Informais
Vários cuidadores durante uma sessão de formação
Vários cuidadores durante uma sessão de formação
Georgina Antunes, cuidadora informal
Benária Almeida, cuidadora informal
Hélder Pinho, cuidador informal
Cuidadores informais formados pelo Centro de Recursos de (In)Formação a Prestadores de Cuidados Informais
Estima-se que em Portugal existam cerca de 800 mil cuidadores informais. Pessoas cuja vida passou a girar em volta das vulnerabilidades do outro. Por isso, a pensar expressamente em quem cuida, nasceu o Centro de Recursos de (In)Formação a Prestadores de Cuidados Informais, um projeto da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa criado para orientar e apoiar especificamente cidadãos ou famílias residentes na cidade de Lisboa, que integram e cuidam dos seus familiares idosos, doentes ou dependentes no seu domicílio.

"Todos nós, num dado momento da vida, podemos vir a ser cuidadores informais", justifica desde logo Maria José Covas Moreira, diretora da unidade.

"Este é um projeto que é muito especial precisamente por ter sido concebido a pensar neles, nos cuidadores", acrescenta a responsável.

A funcionar em Alvalade, integrado no edifício do Centro de Educação, Formação e Certificação da SCML, este serviço é constituído por uma equipa interdisciplinar formada por terapeutas, psicólogos e assistentes sociais, que tem como estratégias de atuação um serviço de atendimento à população-alvo, formação à medida das necessidades manifestadas por cuidador informal, grupos de autoajuda e a articulação e promoção da rede de proximidade adequada a cada situação específica.

Desde o seu arranque, em novembro de 2017, o Centro de Recursos de (In)Formação a Prestadores de Cuidados Informais já "realizou 46 sessões de formação com 315 participações e 44 sessões do grupo de autoajuda com 259 participações", segundo a terapeuta ocupacional Helena Rosário. As sessões realizam-se "uma vez por semana, alternadamente, podendo ou não ser cumulativas, de acordo com a vontade de cada cuidador informal".

Desta forma, o centro visa chegar aos cuidadores informais de modo a produzir mudanças quer no seu autocuidado, quer na qualidade do cuidar de quem cuidam. "As diferenças são notórias! Começam a ter mais vontade de se arranjar, de se cuidar e de socializar, porque promover a socialização destas pessoas que tantas vezes se sentem isoladas é também um dos grandes objetivos do projeto", frisa a psicóloga Rosa Macedo, que integra a equipa desde o seu arranque.

Em alguns casos, quer o cuidador quer a pessoa cuidada podem já ter algum apoio de outros serviços da Santa Casa, como os centros de dia ou o apoio domiciliário. Por isso, o serviço pressupõe igualmente a cooperação com os outros serviços. "De outra forma, alguns cuidadores não poderiam vir às sessões, pois não teriam com quem deixar as pessoas cuidadas. Terem um tempo para si próprios, dizem-nos, faz toda a diferença", garante a psicóloga Rosa Macedo.
 
O ombro amigo que faltava nos momentos difíceis

Georgina Antunes tem 66 anos e, até há cinco anos, cuidava do pai e da mãe em sua casa. Agora, tem apenas a mãe a seu cargo, com 90 anos. Durante muito tempo arcou sozinha com tudo. "Foi muito complicado. Tive inclusivamente de afastar-me do trabalho para poder tomar conta deles, já com perdas cognitivas, incontinência, etc. Chorei muito", conta.

Só quando o neurocirurgião a proibiu de pegar em pesos muito elevados, sob o risco de deixar de andar, pediu ajuda à Santa Casa para realizar a higiene da mãe. Foi através do serviço de apoio domiciliário que chegou ao Centro de Recursos, onde encontrou vários ombros amigos, ouvidos atentos e, sobretudo, onde percebeu que "não era a única no Mundo com aqueles problemas".

Ali, conheceu, por exemplo, Benária Almeida, 76 anos, com uma filha de 40 com paralisia cerebral, ou Helder Pinho (64 anos) que vivia com a mãe, ou Maria Paula Pires (67 anos) e uma mãe de 97 acamada. Alguns, como Maria José (61) já não faziam "mais nada senão chorar" até que, graças ao projeto, descobriu dentro de si a força e as soluções para continuar.

Intercâmbio na formação também cuida dos cuidadores 

O Centro de Recursos e (In)formação a Prestadores de Cuidados Informais funciona no mesmo edifício do Centro de Educação, Formação e Certificação, em Alvalade. Este último é frequentado por adultos interessados em desenvolver competências e aumentar as suas qualificações escolares e profissionais, sendo dada prioridade aos grupos mais vulneráveis e desprotegidos da população residente na cidade de Lisboa e concelhos limítrofes.

Aqui decorrem percursos formativos, escolares e profissionais, nas áreas de restauração/hotelaria, cuidados de beleza, entre outros, que permitem aos cuidadores informais usufruírem, por exemplo, de uma ida ao cabeleireiro, à manicura/pedicura, almoço-convívio. "No fundo é um miminho que de vez em quando lhes damos, para poderem ficar mais bonitos ou experimentar uma iguaria, além de alguns passeios no exterior", revelou Rosa Macedo. 

Uma realidade que é cada vez mais comum

A realidade dos cuidadores informais é cada vez mais comum, pelo aumento da longevidade. Para muitos, cuidar dos seus é encarado como uma missão. "Estes cuidadores informais optam pela permanência da pessoa cuidada no seu domicílio, percecionando que a institucionalização diminui a qualidade de vida", explica Rosa Macedo.

Transversalmente, a Santa Casa pretende contribuir para "a dignificação e visibilidade do papel dos cuidadores informais" através de iniciativas como a elaboração de tutorias, a participação na feira do cuidador e o dar voz e tempo de antena desta temática em programas de rádio. "Agora começa-se a falar mais neles… mas nós, na Santa Casa, já atuávamos junto dos cuidadores informais antes do atual enquadramento jurídico", remata Rosa Macedo.

Formação

Visa capacitar os cuidadores informais a melhor forma de cuidar, fornecendo um leque de conhecimentos teóricos e de estratégias práticas numa intervenção formativa/educativa. As temáticas a abordar nas sessões são determinadas pelas necessidades particulares de cada grupo, nomeadamente "posicionamentos e transferências, adaptações no ambiente físico, nutrição e qualidade alimentar, estimulação cognitiva, apoios sociais e aspetos jurídicos. Pretende-se aumentar a eficiência no desempenho das tarefas do cuidar, minimizando o seu desgaste físico e psicológico", explicou Helena Rosário, terapeuta ocupacional de projeto. A multidisciplinaridade do cuidar exige que a formação seja conduzida por técnicos das áreas das várias temáticas.

Grupo de autoajuda

Trata-se de um espaço onde todos são convidados a partilhar opiniões, ideias, sentimentos e experiências, com vista à prevenção do isolamento e da exaustão de quem cuida. Até porque quem cuida tem de estar bem. "Alguns chegam só para a formação e depois acabam por integrar mais tarde também o grupo de autoajuda porque aqui encontram uma rede de apoio emocional. E se às vezes ao princípio é difícil falarem, depois vão percebendo que não estão sozinhos e que não são os únicos a passar por aquelas dificuldades", frisa a psicóloga.