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Empreender com sucesso

Leonor Freitas transformou a Casa Ermelinda Freitas numa das maiores empresas vitivinícolas da Península de Setúbal e investiu também no Douro e nos Vinhos Verdes
25 de Setembro de 2021 às 10:00
Casa Ermelinda Freitas
Nas diversas caves da Casa Ermelinda Freitas há centenas de barricas, onde parte do vinho repousa até ter a qualidade desejada pela equipa de enologia para ser engarrafado
Os visitantes podem usufruir de uma visita às suas vinhas, a diversos espaços da adega e ao seu museu, para sentirem melhor a história e cultura da casa
Leonor Freitas com o marido e os dois filhos
Casa Ermelinda Freitas
Nas diversas caves da Casa Ermelinda Freitas há centenas de barricas, onde parte do vinho repousa até ter a qualidade desejada pela equipa de enologia para ser engarrafado
Os visitantes podem usufruir de uma visita às suas vinhas, a diversos espaços da adega e ao seu museu, para sentirem melhor a história e cultura da casa
Leonor Freitas com o marido e os dois filhos
Casa Ermelinda Freitas
Nas diversas caves da Casa Ermelinda Freitas há centenas de barricas, onde parte do vinho repousa até ter a qualidade desejada pela equipa de enologia para ser engarrafado
Os visitantes podem usufruir de uma visita às suas vinhas, a diversos espaços da adega e ao seu museu, para sentirem melhor a história e cultura da casa
Leonor Freitas com o marido e os dois filhos

A Casa Ermelinda Freitas tem, hoje, mais de 1500 prémios conquistados pelos seus vinhos em concursos nacionais e internacionais da especialidade. O trabalho efetuado por Leonor Freitas, a atual proprietária e gestora desta empresa familiar com mais de 100 anos de atividade, e pela sua equipa tem sido destacado, ao longo dos anos, em Portugal e no estrangeiro.

A empresária transformou, em cerca de 20 anos, a pequena empresa familiar, produtora de vinhos a granel, numa das maiores empresas vitivinícolas da Península de Setúbal. Mais recentemente decidiu investir também no Douro, com a aquisição da Quinta de Canivães, com 20 hectares de vinha e, um pouco mais tarde, na região dos Vinhos Verdes, com a compra da Quinta do Minho, cujos vinhos já foram lançados no mercado.

Por todo o trabalho efetuado até agora, e pela qualidade dos vinhos que põe no mercado, não é de estranhar que Leonor Freitas tenha sido eleita Personalidade do Ano, no Prémio Nacional de Agricultura de 2019 e a sua casa Produtor Europeu do Ano no concurso britânico Sommelier Wine Awards 2020. A competição britânica premeia os melhores vinhos disponíveis nos restaurantes, bares e hotéis do Reino Unido, selecionados por um júri de 150 escanções. No evento, a Casa Ermelinda Freitas conquistou 12 medalhas, entre as quais quatro de ouro, seis de prata e duas de bronze. A grande novidade foi o ouro alcançado pelo vinho Campos do Minho, do mais recente projeto da empresa, a Quinta do Minho, na região dos Vinhos Verdes. "Esta distinção recompensa o empenho de toda a equipa e mostra, mais uma vez, que estamos no caminho certo", diz Leonor Freitas.

Em 2021, a Casa Ermelinda Freitas conquistou, entre outros, um total de 16 medalhas no maior concurso de vinhos da Alemanha, Mundus Vini 2021, onde foi o Melhor Produtor de Portugal na competição.

Momento marcante
A empresária diz que um dos momentos mais marcantes da sua vida na empresa foi aquele em que decidiu tomar as rédeas do negócio da família, logo ao seguir ao falecimento do pai, Manuel João de Freitas Jr. "Não tinha pensado vir para o mundo rural, mas não queria vender o negócio da família e empenhei-me em dar continuidade a todo o esforço e dedicação das gerações anteriores", explica.

A proprietária e gestora da Casa Ermelinda Freitas é da terra. Nasceu e cresceu em Fernão Pó, onde fez a escola primária. O resto dos estudos decorreu em colégios internos, pois os pais queriam que tivesse uma vida fora do mundo rural. Só vinha a casa aos fins de semana e nas férias.

Mais tarde tirou o curso de Serviço Social no Instituto Superior de Serviço Social, em Lisboa, e trabalhou durante mais de 20 anos no Ministério da Saúde, dedicando- se a áreas como a da prevenção contra o alcoolismo e das toxicodependências, etc.

Quando assumiu o lugar do pai, na casa agrícola da família, que tinha 60 hectares de vinha, trabalhavam três pessoas, incluindo Leonor Freitas. "A maior parte estava plantada com a casta tinta tradicional da região, a Castelão. Para além disso havia um pouco de cepas brancas Fernão Pires, que apenas representavam 5% do total", recorda. Naquela altura, a adega era, como muitas outras em Portugal, tradicional, estruturada essencialmente para a vinificação de tintos.

Apesar de não se sentir preparada para se envolver no projeto, abraçou-o "muito motivada". Mas acumulou prudentemente a gestão da empresa com o seu trabalho no Estado, e continuou a vender vinhos a granel, tal como o tinham feito os seus antecessores.

Capacidade de empreender
Estimulada pela sua capacidade inata de empreender, começou por alargar o seu património vitícola. As primeiras aquisições foram feitas a parentes por motivos afetivos. "Assim fui juntando, de novo, a herança partilhada da minha avó", explica Leonor Freitas. Mas depois passou a adquirir mais vinhas porque precisava, para assegurar a produção e a resposta às solicitações do mercado, que foram crescendo com o tempo. Hoje, todo o património vitícola que possui, cerca de 550 ha, fica nas proximidades da adega. E as duas castas iniciais passaram a ser mais de 30, apesar de Castelão e Fernão Pires ainda se manterem como principais variedades da empresa.

Outra das decisões essenciais ao sucesso da empresa foi fazer marcas próprias, que passou a engarrafar com o logótipo da Casa Ermelinda Freitas. "Esse foi o grande passo para o início da conquista dos mercados e da preferência dos consumidores em cada um deles", defende a empresária, acrescentando que procurou, desde o início, que os vinhos que a sua empresa lança no mercado tenham uma relação qualidade/preço elevada. Ao nível agrícola, a disponibilidade de uma percentagem significativa de vinhas velhas contribui para a produção de vinhos diferenciados, de grande qualidade, apesar da sua baixa produção por hectare.

Ainda vendia apenas vinho a granel quando visitou, pela primeira vez, a Vinexpo, em Bordéus, França, a sua primeira feira internacional. "Foi um marco da minha vida", diz Leonor Freitas, por ter sido o seu primeiro contacto com o universo dos vinhos engarrafados no mercado global. Foi o primeiro com outra realidade, onde sentiu "que tratavam os vinhos como joias". Também ficou fascinada com o cuidado que os produtores tinham com a imagem das garrafas.

Nessa altura também visitou vários châteaux, de renome, da região bordalesa, em conjunto com Jaime Quendera, o enólogo da empresa. Foi essa a primeira vez que sentiu que estava a desperdiçar o seu património. "Naquela região, as áreas de vinha dos produtores eram muito inferiores à minha, mas estavam muito mais valorizadas devido ao prestígio das marcas que eles punham no mercado", conta. Foi, por isso, que decidiu passar a vender vinho engarrafado. Para o fazer, tinha de investir em instalações e equipamentos que lhe permitissem produzir vinhos com mais qualidade. Foi o que fez.

Vinhos engarrafados
A primeira marca própria, Terras de Pó, foi lançada ainda na década de 90. Mas foi apenas quando o seu principal comprador de vinhos a granel não adquiriu a sua produção, como habitual, em 2002, que decidiu lançar-se exclusivamente na produção e comercialização de vinhos engarrafados.

Na altura "foi um grande susto para mim, que dependia da venda a granel", conta Leonor Freitas, explicando que "eram produtos de qualidade, certificados para Indicação de Proveniência Regional (IPR) ou Denominação de Origem Protegida (DOP) como vinhos reserva pela câmara de provadores da Comissão Vitivinícola Regional de Setúbal". Dois dias depois de ser informada e de meditar sobre o que iria fazer para solucionar o problema, decidiu criar mais marcas e passar a vender também vinhos em bag in box. "Fi-lo de forma envergonhada, pois a imagem deste tipo de embalagens, na altura, não se coadunava com vinhos de qualidade", revela, acrescentando que a opção foi correta, pois a comercialização de vinhos de qualidade, dentro de bag in box, foi a principal razão do sucesso inicial da empresa, fora e dentro do País.

O formato foi tão bem aceite onde entrava que começaram a aparecer pequenos revendedores, na empresa, a quererem comercializá-lo, a nível local, em diversas zonas do País. Hoje são algumas dezenas em território nacional. Para eles, a empresa criou a marca M.J. Freitas, vendida em restaurantes e cafés, que não se encontra na distribuição moderna. Ainda hoje é a marca mais vendida em bag in box.

Nas diversas idas ao estrangeiro, à procura de novos mercados e clientes, Leonor Freitas começou a verificar que os consumidores internacionais não queriam vinhos da casta Castelão, e sim das variedades de origem francesa mais divulgadas, como as tintas Syrah e Merlot. Como queria produzir vinhos diferentes e precisava de exportar, plantou castas internacionais, mas também as portuguesas mais conhecidas lá fora, como a Touriga Nacional ou a Tinta Roriz. "É preciso mostrar, primeiro, vinhos de castas conhecidas, que funcionam como cartões de visita, para depois apresentar os nossos", explica Leonor Freitas, acrescentando que, depois de os provarem, os estrangeiros gostam, e ficam admirados com a qualidade dos vinhos produzidos em Portugal.

Apesar de ter, hoje, uma oferta alargada, com várias gamas, Leonor Freitas não considera que o consumidor se baralhe com isso, até porque o objetivo foi disponibilizar vinhos para todas as bolsas e todas as ocasiões. E apesar de a sua vinha ter, hoje cerca de 30 castas, e a Casa Ermelinda Freitas comercializar diversos vinhos monocasta, a empresária que continuar a ser a "Senhora do Castelão de Palmela".

Explica que os solos arenosos onde se desenvolvem os seus vinhedos são os mais apropriados para a casta e que, por isso, ainda mantém 170 hectares de vinha velha. É da mais antiga, com 70 anos, que sai o topo de gama da empresa, o Leo d’Onor, vinho que só sai em anos de qualidade excecional desta parcela. "Tem uma produção pequena, de cerca de duas toneladas de uva por hectare, muito inferior às mais recentes, que é de 10 toneladas/ha, mas nota-se a estrutura, o maduro, a diferença do vinho", defende.

O desafio da competitividade
Para Leonor Freitas, o principal desafio da sua empresa é manter a competitividade, com base na qualidade dos vinhos que põe no mercado. Por isso, a formação e atualização das equipas e a aposta em novas tecnologias é uma constante, tal como a contratação de pessoas com conhecimentos e capacidades para ajudar a empresa a superar os desafios de um mercado fortemente concorrencial e sempre em evolução. Como a inovação é essencial à diferenciação e, por consequência, à manutenção da capacidade competitiva, a Casa Ermelinda Freitas procura lançar, todos os anos, produtos distintos. "Foi o caso do Vinha do Torrão Reserva Branco, um vinho diferenciado com base na casta Alvarinho, que já se encontra no mercado", explica Leonor Freitas, acrescentando que há ainda outra novidade, o Terras do Pó Branco Reserva, produzido com base na casta Sauvignon Blanc.