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Há três décadas tudo mudou

Ensino profissional surgiu há mais de 30 anos. Dá mais oportunidades de educação aos jovens, fortalece Portugal, realiza cidadãos e acrescenta competência aos profissionais
14 de Setembro de 2020 às 10:58
Joaquim Azevedo, membro do Conselho Nacional de Educação
Joaquim Azevedo, membro do Conselho Nacional de Educação

O ensino profissional surgiu em Portugal em 1989. Joaquim Azevedo, o membro mais antigo do Conselho Nacional de Educação, foi um dos criadores deste ensino no nosso país. Passadas pouco mais de três décadas, pedimos ao investigador no Centro de Estudos do Desenvolvimento Humano (UCP) e professor catedrático na Universidade Católica que fizesse um balanço dos três decénios de ensino profissional em Portugal para este especial. Joaquim Azevedo diz que volvidos 30 anos, fez-se "um longo e bom caminho".

"Nunca desistimos da perspetiva de que o nosso país precisava de oferecer a uma boa parte dos seus jovens outras oportunidades de educação e formação que não apenas o ensino livresco e desligado dos contextos de vida e trabalho. Formámos quase meio milhão de jovens numa dada área técnica e profissional e isso foi importante para a sua educação de base, como cidadãos e como pessoas", sublinha Joaquim Azevedo. O professor recorda que houve "hesitações", mas assegura que nunca se levantou o pé do acelerador e essa é uma condição essencial do desenvolvimento sociocomunitário de um país. "Muitas instituições da sociedade portuguesa operaram este 'milagre', sendo muito difícil identificar outras medidas de política que tenham tido o mesmo tipo de investimento continuado por parte da elite dirigente. Hoje, estamos mais fortes como comunidade: contamos com cidadãos mais bem realizados, com profissionais mais competentes e com instituições (não só empresas) mais capazes de servir o bem comum. Basta percorrer o País e verificar como somos atendidos e servidos, como existe brio e competência profissional em tantos jovens técnicos nas mais variadas áreas."

O ingresso no ensino superior

Com o passar dos anos, o paradigma da formação profissional tem mudado. Antes, os alunos quando terminavam os seus cursos nas escolas profissionais ingressavam no mercado laboral para onde, aliás, iam mais bem preparados. Hoje, o Governo quer ver mais jovens saídos dos cursos profissionais a ingressarem no ensino superior.

Para Joaquim Azevedo, os cursos profissionais qualificam os jovens numa dada área técnica e profissional e preparam para o ingresso no mercado de trabalho. Também os qualifica para ingressarem no ensino superior, se essa for a sua vocação e integrar o seu interesse imediato. "Mas o ensino superior não pode ser colocado como o único caminho, a única forma de completar uma formação inicial. Voltamos ao paradigma do país dos doutores, incentivado pelas instituições que os produzem, não pelos interesses dos jovens nem pela realidade social."

O professor deixa um alerta, explicando que nem todos os jovens desejam frequentar o ensino superior e o conseguem fazer. E se para tal forem "empurrados", como tem acontecido, pode estar a criar-se caudais de jovens que virão a ficar negativamente marcados por um insucesso escolar que antes não tinham experimentado. A qualificação técnica e profissional que os jovens adquirem pode e deve ser completada ao longo da vida, pois nenhuma porta fica fechada. "Esse é um erro crasso, que só se consegue compreender à luz de uma luta desesperada das instituições de ensino superior para recrutarem alunos, num País que tem uma das mais baixas taxas de natalidade do mundo".

Três gerações para construir um futuro melhor

Sobre a importância deste ensino para o futuro e desenvolvimento de Portugal, Joaquim Azevedo diz que esta será uma aposta fundamental para os próximos 30 anos. "Passar de um País que nunca investiu a sério em educação e formação, como Portugal até ao fim do século XX, para um modelo de desenvolvimento baseado em pessoas educadas e profissionalmente competentes, cidadãos ativos e participativos, requer o trabalho de pelo menos três gerações (quase um século). É o tempo que demora dar a Portugal um rosto de cidadãos educados e qualificados, animados para construir um futuro melhor, com mais solidariedade e justiça."

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