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A nossa campeã no judo

A bolseira dos Jogos Santa Casa conquistou no último Campeonato Europeu de Judo uma medalha de prata. A judoca Catarina Costa é de Coimbra, estuda medicina e já é encarada como a sucessora de Telma Monteiro.
20 de Junho de 2022 às 11:51

Catarina Costa é a nova promessa portuguesa do judo. Depois de ter conquistado a medalha de prata no Campeonato Europeu da modalidade, a bolseira dos Jogos Santa Casa e estudante de Medicina na Universidade de Coimbra tem agora os olhos postos no próximo campeonato do Mundo, que decorre em outubro no Uzbequistão.


O judo foi amor à primeira vista?

A minha ida para o judo foi um acaso, desconhecia a modalidade e fui convidada no colégio a experimentar um treino pelo treinador João Abreu. Na altura, com 10 anos, adorava tudo o que era desporto e fui levada pela curiosidade de descobrir o que era o judo. Gostei muito do primeiro treino e continuei a ir, até que ao fim de algum tempo pedi para a minha mãe me inscrever. Desde aí nunca mais parei e hoje continua a ser a minha grande paixão.


Com que idade começou a destacar-se na modalidade?

Não demorou muito tempo para o meu treinador notar algo de diferente em mim, tinha uma motricidade muito boa, adorava aprender e era muito dedicada. Ao fim de dois anos fui campeã nacional de juvenis, feito que repeti no ano seguinte e a partir daí fui-me sempre destacando nos escalões por onde passei.


Quando conquistou a primeira medalha?

A minha primeira medalha foi num torneio em Coimbra, com pouco mais de dois meses de judo. Recordo-me que fiquei entusiasmada, apesar de não saber como funcionava uma competição e de ainda ser cinto branco. Ganhei dois combates e perdi dois, levei uma medalha para casa e muita felicidade.

No treino seguinte, lembro-me que recebi o cinto amarelo como recompensa da minha coragem e desempenho (tinha sido a única da turma a ir à competição).


E depois, quais as vitórias mais importantes?

Tenho várias medalhas que por diversos motivos considero importantes, a mais recente, a prata no Campeonato da Europa, a minha primeira em Europeus e que teve tanto de alegria como de superação. Outra que recordo com carinho foi o ouro no Grand Prix de Antalya em 2018, o meu primeiro hino nacional no World Judo Tour. O ouro este ano no Grand Prix de Almada também me traz boas recordações, ganhar em frente ao público português e poder ouvir ‘A Portuguesa’ com um pavilhão cheio foi uma sensação incrível.


Competir ao mais alto nível é pressão ou prazer?

É um privilégio, mas que dá muito trabalho. Faço o que gosto, tiro imenso prazer da competição e da própria preparação. Tem que estar tudo afinado, cada pormenor faz a diferença e a pressão de não podermos falhar por vezes existe. Lido bem com isso porque tento ser eu a controlá-la, só eu sei o quanto treino e me dedico para estar no nível em que estou e isso permite-me gerir melhor as emoções e a própria pressão.


Qual é o próximo objetivo desportivo?

O Campeonato do Mundo em Tashkent, no Uzbequistão, em outubro.




Catarina conquistou a prata nos últimos europeus de judo




O dia-a-dia de um atleta


Aos 25 anos, 15 deles ligados ao judo, Catarina Costa conhece bem os sacrifícios necessários para alcançar a glória no desporto e conciliar a vida desportiva com a académica. No futuro, gostava de estar ligada à medicina desportiva e, por isso, nos seus dias, não há horas para desperdiçar. “De manhã tomo sempre um bom pequeno-almoço, sigo para o treino físico (no ginásio) ou técnico e de seguida para as aulas. Almoço em casa e regresso às aulas, geralmente à tarde são práticas e assisto a algumas consultas no Hospital. Tento arranjar sempre 30/40min para dormir uma sesta, lanchar algo que me dê bastante energia e sigo para o treino principal de judo que começa às 19:30 e termina pelas 21h30/22h00”, relata. Ao chegar a casa, tenta jantar rapidamente para ainda ter tempo de rever alguma matéria. “Mas há dias em que a exaustão fala mais alto e troco os livros por uma boa noite de sono”, conta. É uma “questão de prioridades e organização”, explica a atleta. “Consoante a fase da época posso ter uma carga de treinos maior e tento que não coincida com uma fase de estudo difícil, como uma época de exames.

Treino aproximadamente 4h por dia, mas depois há o treino “invisível” que não é contabilizado como a fisioterapia, o descanso, a alimentação etc. Enquanto estudante de medicina, aproveito muito as aulas para tirar notas e absorver o máximo de informação possível, depois leio tudo no fim de semana e estudo mais afincadamente durante as épocas de exames. Acima de tudo, Catarina sonha com uma carreira da qual se “orgulhe e que ajude a inspirar os mais novos”, com a conquista de medalhas nas grandes competições (Europeus, Mundiais, Masters, Jogos Olímpicos) e no circuito mundial e, depois, com uma carreira na Medicina Desportiva. É caso para dizer que ‘tudo vale a pena, quando a alma e o talento não são pequenos’...





No ano de 2010, época em que se sagrou bi-campeã nacional de juvenis acompanhada por Nuno Delgado, uma das suas referências na modalidade


2022 Um dos principais objetivos foi cumprido: medalha de prata no Europeu. Atleta com o atual treinador, João Neto




Catarina Costa, com o seu primeiro treinador, João Abreu, no ano de 2015. Tinha então 18 anos


Catarina Costa durante a última edição dos Europeus de judo





João Neto, treinador de Catarina Costa, descreve o trabalho da atleta


“Um campeão é alguém especial”

Qual o segredo de um campeão?

Um campeão é alguém que tem excelentes resultados desportivos e também características especiais. No caso do judo é preciso ser muito rápido, explosivo, ter uma grande motricidade. Mas para além das capacidades físicas, há uma outra que não é menos importante. É preciso ter uma grande capacidade mental, porque há momentos bons, há momentos menos bons e é preciso saber dar a volta a isso rapidamente. A Catarina, concretamente, é muito inteligente também, muito persistente e muito disciplinada em tudo: da alimentação, ao descanso, passando pela monitorização do treino, o estudo das adversárias, etc.).


Quais as expetativas para a carreira da Catarina?

Já temos uma medalha europeia, o próximo grande objetivo é o campeonato do Mundo e, depois, claro, os Jogos Olímpicos. Estamos a trabalhar para isso e a Catarina tem tido bons resultados, está a fazer uma excelente época e tem condições para concretizar tudo isto.


Por Boas Causas

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