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Bicicletas com asas: pedalar para vencer cada dia

Veículos recuperados são entregues a jovens carenciados para que possam trabalhar e estudar. Desde a sua criação, em 2018, o projeto já entregou mais de dez bicicletas.
2 de Junho de 2022 às 13:24

Tudo começou na freguesia de Marvila, em 2018, quando o Centro de Promoção Social da PRODAC instalou naquele bairro uma oficina comunitária para a recuperação de bicicletas. Desde então, o projeto ganhou ‘asas’ e até já chega a pequenos negócios e pessoas que precisam da bicicleta para cumprir o dia-a-dia, seja para ir trabalhar ou estudar.

“Percebemos que a nossa comunidade tinha dificuldade em reparar as bicicletas e que quando se avariam e as pessoas não têm possibilidade de a arranjar, acabam por ficar ‘estacionadas’. Foi por isso que nasceu a cicloficina comunitária”, explicou Cristina Simões, diretora do centro. Depois veio a pandemia e a necessidade de (re)inventar as rotinas. “Apesar dos confinamentos, o projeto não só se manteve-se como até assumiu maior importância, porque as pessoas procuraram mais atividades ao ar livre”, recorda.

“O interesse e a adesão da comunidade foram enormes. Depois da cicloficina, vieram outras atividades: uma escola para aprender a andar de bicicleta, passeios em grupo, o projeto ‘Pedalar Não tem Idade’ - que permite levar os mais idosos a passear em bicicletas adaptadas. Às tantas, outro dos técnicos do PRODAC, Júlio Santos, lembrou-se das pessoas que não tem capacidade de adquirir uma bicicleta, mas que precisam para o dia-a-dia”.

Assim nasceu, finalmente, o projeto ‘Bicicletas com Asas’. “Houve um primeiro projeto-piloto, desenvolvido com uma outra equipa da Santa Casa, que trabalha com jovens em autonomização, nomeadamente refugiados que chegaram a Portugal desacompanhados. Foi nesse contexto mais controlado que começámos a experimentar a ideia”, explica a responsável.

O processo é simples: a bicicleta é entrega ao jovem mediante a assinatura de um compromisso, no qual o utente se compromete a usar a bicicleta durante um ano e, caso deixe de a utilizar, devolve-a. Nesse período de tempo pode utilizar a cicloficina e participar em todas as atividades do centro que envolvam as bicicletas.

“A integração nas atividades em torno da bicicleta é também muito importante para os jovens em autonomização, pois eles precisam de uma rede e de socialização, porque são jovens que estão desenraizados”, lembra a diretora do PRODAC. Dois anos depois do arranque, Cristina garante que tudo funcionou “muito bem”. A primeira bicicleta foi entregue em 2020 e, desde então, já ‘voaram’ outras dez. O projeto está agora a ser alargado à comunidade de Marvila, também com igual sucesso. A SCML fez recentemente uma campanha para angariou 35 velocípedes.




Cristina Simões é diretora do Centro de Promoção Social da PRODAC




Ligar as pessoas à cidade


Luís Reis é atualmente técnico de intervenção comunitária do Centro de promoção Social da PRODAC – Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, em Marvila, onde trabalha há 24 anos. Tantos anos na freguesia, fazem com que conheça “muito bem” os jovens da comunidade.

“Vi muitos crescerem”, garante. Mas em 24 anos também muita coisa mudou na zona oriental de Lisboa. “Diria até que mudou tudo, quando aqui cheguei ainda existia o antigo Bairro Chinês, um bairro enorme de barracas. Entretanto, vieram os processos de realojamento de 1998 e 2000 e, só por causa disso, a comunidade mudou muito. Mudou a habitação, mas também veio nova população, oriunda de outras zonas da cidade de Lisboa, o que deu a este território maior diversidade”.




Luís Reis é técnico no Centro da PRODAC há mais de 24 anos



Bicicletas levaram a comunidade a pedir um jardim com ciclovia



As condições de vida físicas melhoraram, mas “o sentimento de pertença enquanto comunidade ainda se vai construindo”, lembra Luís.

Os técnicos notam que existe um certo preconceito em relação às zonas de habitação social. “Até há bem pouco tempo, por exemplo, Marvila não tinha ciclovias. Aliás, o serviço de bicicletas partilhadas (Gira) não chega à freguesia. A comunidade quis rebater essa ideia e no âmbito do orçamento participativo pediu um novo jardim e ciclovias”, conta.

“Não fazemos nada sozinhos. Enquanto técnicos estamos constantemente a olhar para este território para tentar identificar oportunidade e para arranjar soluções para os problemas, mas ouvimos as pessoas e os parceiros. Percebemos que, quando a voz é dada às pessoas, elas têm boas ideias e sabem muito bem aquilo que é preciso”, afirma, por seu turno, Cristina Simões. Uma dessas ideias irá precisamente em breve tornar-se num jardim, com acessos para velocípedes, para reforçar a ligação ao resto da cidade.



Centro aceita as suas doações

Tem lá em casa bicicletas ou acessórios a apanhar pó e sem perspetivas de uso futuro? A Cicloficina do Centro de Promoção e Ação Social da PRODAC procura bicicletas, trotinetes de todos os tipos e tamanhos (a funcionar ou a precisar de reparação), capacetes e outros equipamentos de proteção, luzes, correntes, para-lamas, entre outros.

Quem quiser entrega este tipo de equipamentos e veículos deverá contactar diretamente a Cicloficina Crescente (Centro de Promoção Social da PRODAC) através do telefone218 310 950 ou do email cps.prodac@scml.pt.





Ricardo Cardoso, voluntário e utente ‘Bicicletas com Asas


“Vou longe e mais depressa”

Como aderiu ao projeto ‘Bicicletas com Asas’?

Cresci aqui neste bairro, sempre acompanhei as atividades da Santa Casa na PRODAC (ATL e grupo de jovens) e, como os transportes estão cada vez mais caros, aderi. Até agora estou muito contente, porque não só poupo muito dinheiro como até chego mais depressa ao trabalho.


Em que ramo trabalha?

Faço extras em vários restaurantes e a bicicleta é uma mais-valia porque em vês de andar de metro e de comboio a mudar de linha, faço o trajeto mais depressa pela ciclovia. Consigo até mais trabalho, porque posso ir mais longe.


Além de beneficiário, também é voluntário?

Sim, nos meus tempos livres ajudo quem quiser vir à ciclo oficina para aprender a arranjar a bicicleta ou quem quiser começar a andar e precisar de alguma orientação. E cada vez há mais gente a aderir.


Por Boas Causas

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