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Curso ajuda atletas olímpicos a superar a maior prova

Bárbara Timo, medalha de Bronze nos últimos mundiais de Judo, e Nuno Laurentino, nadador olímpico, foram colegas no 1º curso de Empreendedorismo e Desenvolvimento de Negócio para atletas olímpicos. A iniciativa pretende ajudar estes desportistas excecionais a criarem um futuro depois da pista.
5 de Janeiro de 2023 às 16:39
Uma fotografia da turma completa dos 25 atletas olímpicos que frequentaram o curso
Uma fotografia da turma completa dos 25 atletas olímpicos que frequentaram o curso

Quando se pergunta à judoca Bárbara Timo qual o seu próximo objetivo a resposta vem rápida como uma flecha: “Paris 2024.” Nesses próximos Jogos Olímpicos de verão, Bárbara, medalha de bronze nos últimos mundiais de Judo, terá 33 anos. Ainda não sabe até quando vai participar em provas de alta competição mas, para ter ferramentas para o futuro, decidiu frequentar o 1º curso de Empreendedorismo e Desenvolvimento de Negócio para atletas olímpicos e paraolímpicos, que decorreu entre 27 de setembro e 29 de novembro. O curso foi desenvolvido pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) e para os atletas associados da Associação dos Atletas Olímpicos de Portugal (AAOP), com o apoio da Fundação Ageas e Jogos Santa Casa.

A formação ministrada a 25 grandes desportistas pretendeu “criar ferramentas para os atletas de alta competição enfrentarem o pós-carreira desportiva”, como descreveu Luís Alves Monteiro, presidente da AAOP. Uma preparação para serem futuros empresários ou gestores da marca que são eles próprios, através de uma formação académica e de alto nível em cadeiras como Estratégia, Marketing, Liderança e Gestão de Equipa, entre outras.


No caso de Bárbara Timo, depois de “Paris 2024” a judoca gostava de desenvolver uma área nada explorada em Portugal: o “treino mental para atletas”. Inspirada por um dos pilares do curso de Empreendedorismo e Desenvolvimento de Negócio, a inovação, Bárbara está a maturar uma ideia: “Uma aplicação com um plano de treino mental desenvolvido por psicólogos, treinadores, entre outros especialistas, para os atletas de alta competição aprenderem a lidar com a pressão e a tempestade de emoções criada pela expectativa de ser ou não convocado para uma prova.”




"Vou criar uma aplicação com um plano de treino mental desenvolvido por psicólogos, treinadores, entre outros especialistas, para os atletas de alta competição aprenderem a lidar com a pressão."





A judoca Bárbara Timo frequentou o curso e teve uma ideia para desenvolver uma aplicação destinada aos atletas


O nadador olímpico Nuno Laurentino gostou de sair da sua “bolha” enquanto frequentou o curso


Outro aluno do curso foi o nadador olímpico Nuno Laurentino, 47 anos, adjunto do secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Correia. Nuno Laurentino representou Portugal nos Jogos Olímpicos de verão de 1996 em Atlanta e nos Jogos Olímpicos de verão de 2000 em Sydney.

“Frequentei o curso por ter um modelo aceitável de duração para quem está a trabalhar, por ter formadores credenciados e de alto nível e porque quis adquirir ferramentas de empreendedorismo”, afirmou Laurentino. O nadador olímpico gostou, sobretudo, de sair da sua “bolha”. Admite não ter de imediato um plano concreto para desenvolver um negócio por pura falta de tempo. Mas no passado já foi empreendedor, logo depois de se ter licenciado em Desporto. “Investi em bicicletas, em hidrobikes e até abri um Vivafit, um ginásio só para senhoras, em Mem Martins.” Mas o importante, para Nuno Laurentino, é os colegas atletas irem fazer o curso quando se realizar a segunda edição, independentemente de terem já um plano de negócio ou não. “É uma excelente oportunidade que a AAOP nos dá, permite-nos a partilha com colegas que têm a mesma perspetiva de vida e dá-nos a perceção do trajeto e da necessidade de criar resiliência.”



"O desporto é um meio e não um fim em si mesmo"


Luís Alves Monteiro, presidente da Associação dos Atletas Olímpicos de Portugal, representou Portugal nos Jogos Olímpicos de Los Angeles (1984) na modalidade de pentatlo. Sentiu na pele o estigma de ser desportista e quis, com este curso, preparar os atletas para o pós-carreira.


Como surgiu a ideia de criar este curso e porquê?

Consideramos que a educação aliada ao desporto é um motor de desenvolvimento cultural. Se queremos estar preparados durante a carreira e para o pós-carreira, temos de começar já a alimentar este propósito, espalhar uma semente e deixá-la crescer, ver os frutos e dar a possibilidade aos outros de os colher, esta é a nossa missão, está acima de cada um de nós, para os atletas, pelos atletas, para a sociedade.

Tentámos contribuir para a resolução de um problema que existe, está identificado, é transversal a todos os países, que é o problema do pós-carreira e a integração dos atletas de alto rendimento, depois de uma longa carreira, no mercado laboral, ao qual na maior parte das vezes chegam tarde e sem as necessárias soft skills.


Como estabeleceram as parcerias?

Fomos à procura de parceiros de referência que têm trabalho desenvolvido nesta área, e em parceria com o Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) e com o apoio dos Jogos Santa Casa e a Fundação Ageas, criámos um Programa de Formação Executiva Avançado inédito, exclusivo para atletas olímpicos e paraolímpicos de Empreendedorismo e Desenvolvimento de Negócio com vista a desenvolver competências funcionais nos atletas para que possam, com sucesso, desenvolver o seu negócio, preparando-os para entrada no mercado executivo.

A formação visou dotar atletas, que representaram Portugal ao mais alto nível, de ferramentas para melhor enfrentarem o pós-carreira desportiva no mercado executivo.






"Esta é a nossa missão, está acima de cada um de nós, para os atletas, pelos atletas, para a sociedade."


Luís Alves Monteiro, presidente da Associação dos Atletas Olímpicos de Portugal



Entre os 25 atletas formandos já surgiram ideias para desenvolver negócios?

Sim, a ideia era, individualmente ou em grupo, nascerem e sedimentarem ideias inovadoras para a criação de um ou vários negócios inovadores. As áreas são tão diversas, como o ramo imobiliário ligado à terceira idade, nos cuidados de saúde primários, no desporto, nomeadamente em áreas de recuperação de esforço, na saúde e bem-estar animal (animais de estimação), entre outras.


Já havia atletas com cursos superiores que se inscreveram no curso para ter noções de empreendedorismo?

É sem dúvida um grupo heterogéneo pioneiro que revelou uma coragem enorme e tem desde atletas que pela primeira vez na sua vida lidaram com conceitos básicos de gestão e marketing até aos que já vinham com cursos superiores, e também alguns que tinham experiência como empreendedores.


Como antigo atleta sentiu que teve falta de apoios para construir um futuro no pós-desporto?

No meu caso específico, integrei de forma natural o mercado de trabalho e tive oportunidade de construir uma carreira internacional de sucesso em grandes empresas multinacionais, mas a minha condição de olímpico em nada beneficiou este caminho. Até tive necessidade por vezes de não revelar essa faceta desportiva em função de algum estigma existente na sociedade relativo aos desportistas.


O curso de Empreendedorismo e Desenvolvimento de Negócio vai ter mais edições futuras?

Sim, já temos a segunda edição garantida em 2023 e já com vários interessados, contamos fazer ainda mais duas edições e seguramente continuaremos a apresentar alternativas na área da formação para os atletas olímpicos.

Por Boas Causas