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Hospital Cruz Vermelha aposta na prevenção

Numa década, a Unidade de Gastroenterologia do hospital que agora pertence à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa já realizou mais de 23 mil consultas e 42 mil atos de diagnóstico e tratamento
13 de Janeiro de 2022 às 11:28
O médico José Mendonça Santos é um dos elementos da equipa clínica do hospital da SCML
O médico José Mendonça Santos é um dos elementos da equipa clínica do hospital da SCML
O médico José Mendonça Santos é um dos elementos da equipa clínica do hospital da SCML

Numa altura em que os hospitais públicos se encontram mais sobrecarregados com ocorrências e a necessidade de prestarem cuidados diferenciados no contexto da pandemia, outras unidades de saúde, como o Hospital Cruz Vermelha (HCV), da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, estão a fazer um esforço suplementar para que as situações de rastreio sejam realizadas, evitando atrasos nos diagnósticos das outras patologias.

É o caso da Unidade de Gastroenterologia do HCV, que na última década já realizou mais de 23500 consultas e mais de 42 mil exames de diagnóstico, numa área com elevado impacto na mortalidade em Portugal, pois a maioria dos tumores do tubo digestivo manifesta-se, inicialmente, por queixas discretas e que são facilmente desvalorizadas – azia, enfartamento, falta de apetite, diarreia ou, pelo contrário, obstipação.

O gastrenterologista Mendonça Santos explica que a maioria destes sintomas "corresponde a situações benignas muito frequentes" na população portuguesa.

Para outro tipo de patologias, "com sintomatologia mais forte e passíveis de maiores complicações, como a pedra na vesícula biliar (Litíase), na diverticulose, na Doença de Crohn, na Colite Ulcerosa, na Diverticulose ou nas doenças de fígado, podem ser necessários tratamentos mais complexos, com recurso a antibióticos, internamento ou até correção cirúrgica", explica. Por isso, a equipa de gastrenterologia do HCV, composta por quatro médicos com vasta experiência na especialidade, com o apoio de três enfermeiros e uma auxiliar fixa, trabalha de forma "transversal", ou seja, com ligação direta a outras especialidades como a cirurgia ou a medicina interna.

"No entanto, há doenças do foro digestivo muito mais graves e que não dão quaisquer sintomas. O caso do cancro do estômago, por exemplo, quando provoca dor ou desconforto, é porque já está num estado muito avançado. Por outro lado, o cancro colorretal raramente dá sintomas precoces e só pode ser detetado através de exames de diagnóstico", explica. Por isso, todo o cuidado é pouco e, nesta fase, já não há desculpas para adiar, mais uma vez, aquela consulta.

Um rastreio que tem de ser feito enquanto se é jovem e saudável

"Costumo dizer que o rastreio (colonoscopia) deve ser feito por todas as pessoas saudáveis, sem sintomas e com mais de 50 anos", diz o médico Dias Pereira, antigo diretor do Serviço de Gastrenterologia do Instituto Português de Oncologia de Lisboa e que atualmente integra a equipa do HCV. O tom é meio a brincar, mas o assunto é muito sério.

Os tumores do aparelho gástrico (estômago e colorretal) estão entre os mais mortais em todo o mundo, mas, sobretudo o segundo, pode ser prevenido. "O cancro colorretal tem uma progressão lenta e é dos poucos que, ao eliminarmos as lesões pré-malignas, os pólipos, podemos realmente evitar", explica.

Enfermeiros essências durante os exames

No Hospital Cruz Vermelha, o primeiro contacto dos doentes antes dos exames de endoscopia ou colonoscopia é com a equipa de enfermagem. O enfermeiro José Caseiro está na unidade de gastrenterologia desde a sua fundação, há 13 anos.

Correio da Manhã – Que tipo de dúvidas são mais colocadas pelos doentes?
– A maioria prende-se com a questão da preparação (alimentação) e da anestesia, sobretudo quando se trata da primeira vez. As pessoas pensam que vão estar três dias sem comer e que vão passar fome, o que não é verdade. Depois, há a preocupação com os resultados e, nesse campo, estamos aqui para tranquilizar e informar.

– Durante o exame, qual o papel do enfermeiro?
– O exame envolve três enfermeiros: o que auxilia o médico, o que apoia o anestesista e o do recobro. Durante o exame, o auxílio do enfermeiro ao médico gastrenterologista é essencial: a remoção de um pólipo, por exemplo, não é tarefa simples. O intestino é um órgão que está em constante movimento e é importante que o médico tenha um outro braço direito.

– É fácil formar enfermeiros nesta área?
– Há formação específica e nós no HCV também formamos novos profissionais.

Por Boas Causas

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