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Hospital premiado

Hospital Arcebispo João Crisóstomo, em Cantanhede, foi um dos vencedores dos Prémios Nunes Correa Verdades de Faria 2022. O Serviço Nacional de Saúde está mais amigo dos idosos.
21 de Julho de 2022 às 10:30
Diana Rita Breda
Diana Rita Breda
Diana Rita Breda

O Hospital Arcebispo João Crisóstomo (HAJC), em Cantanhede, foi um dos grandes vencedores da edição de 2022 dos Prémios Nunes Correa Verdades de Faria, com o projeto "Hospital Amigo dos + Velhos". Promovidos pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, os prémios distinguem anualmente projetos e instituições dedicados à prestação de cuidados aos idosos e de investigação médico-científica em áreas-chave, como a cardiologia ou as doenças neurodegenerativas. Diana Breda, presidente do Conselho Diretivo da unidade hospitalar, explicou que tudo nasceu da perceção da "desadequação do sistema de saúde para prestar cuidados ajustados às necessidades das pessoas mais velhas, que representam parte significativa da população portuguesa".

"Portugal passou a ser, a partir de 2018, o quinto país mais envelhecido do mundo. Muitas vezes, os hospitais mantêm estruturas demasiado rígidas que descuram esta adaptação. Isto significa que à maior parte dos doentes crónicos complexos são ainda prestados cuidados fragmentados, episódicos e reativos através das urgências. Isso tem que mudar. No HAJC implementamos, em todas as valências do hospital, um modelo de intervenção inovador, fundamentado na abordagem geriátrica multidimensional e pluridisciplinar".

Ou seja, um modelo de integração de cuidados, centrado no doente e nas suas necessidades. "A trave mestra é a promoção da integração de cuidados através do alinhamento de stakeholders locais relevantes, desenvolvendo confiança em cocriação. As boas práticas aplicadas são inspiradas na Metodologia 4M´s do Institute for Healthcare Improvement e baseadas em quatro elementos: Motivação (ajustar os cuidados prestados ao resultado esperado); Medicação (adequar a medicação ao doente, ao seu estado e expectativas), Estado Mental (prevenir, identificar e tratar a demência, depressão e estados confusionais) e Mobilidade (incentivar a funcionalidade no idoso)", explica a responsável.



Por vontade de um grande benemérito

Os Prémios Nunes Correa Verdades de Faria, promovidos pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), foram criados em 1987 para cumprir a vontade expressa em testamento por Enrique Mantero Belard.

Nascido em 1903, foi casado com D. Gertrudes Eduarda Verdades de Faria, mulher particularmente atenta aos mais desprotegidos. Mantero Belard doou grande parte do seu património à SCML, ficando esta incumbida de atribuir três prémios pecuniários anuais a quem contribua, pelo seu esforço, trabalho ou estudo no âmbito das três categorias definidas pelo benemérito: cuidado e carinho dispensados aos idosos desprotegidos, progresso da medicina na sua aplicação aos idosos e progresso no tratamento das doenças do coração.

O valor de cada prémio é de 12 500 euros, sendo o júri composto por personalidades de reconhecido mérito no âmbito da área social e da saúde e presidido pelo provedor da SCML, Edmundo Martinho.

Muitos elogios e poucas reclamações

"Temos mais elogios do que reclamações", congratula-se Diana Breda. E o caso não é para menos, já que o projeto assenta na valorização da pessoa idosa. "Sentem-se empoderados e parceiros ativos no seu próprio cuidado, o que se verifica nos inquéritos de satisfação. As famílias também são envolvidas. Há sempre um contacto ou reunião nas primeiras 48 horas pós internamento. Nunca suspendemos completamente as visitas nem mesmo no período do confinamento"

Uma rede de apoio integrada e próxima

– Em que consiste o projeto "Hospital Amigo dos + Velhos"?
– São muitas atividades. Na componente da motivação, promovemos a interação social dos utentes e a sua adesão às atividades terapêuticas, envolvendo a família e cuidadores, incentivando visitas e outras atividades (concertos, teatro, cinema, voluntariado, cabeleireiro e estética, etc.) Enviamos uma equipa para realizar exames em proximidade, nos cuidados primários e nas IPSS.

– E na área da mobilidade e da saúde mental?
– Para aferir o estado mental aplicamos escalas, temos normas de prática clínica para deteção e tratamento de estados confusionais, de pressão e demência, com a colaboração de um psiquiatra e projetos como o "+Yoga para Todos". Para promover a mobilidade, medimos a evolução do doente através de escalas, usamos o interior e exterior do hospital e temos um Projeto de Prevenção de Quedas. Finalmente quanto à adequação da Medicação, procedemos à reconciliação terapêutica, através de uma atividade sistemática de médicos e farmacêuticos.

Por Boas Causas