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Lotaria do Ano Novo: a dar milhões desde 1934

“Anda à roda” no próximo dia 2 de janeiro de 2023 o bolo rei de 5 milhões de euros da Lotaria do Ano Novo da Santa Casa. Foi criada para proporcionar o sonho de uma vida melhor através dos prémios que distribui e apoiar a população mais carenciada.
29 de Dezembro de 2022 às 12:39
O pregoeiro Pedro Leandro e os colegas no momento da extração da Lotaria de Natal
O pregoeiro Pedro Leandro e os colegas no momento da extração da Lotaria de Natal

No próximo dia 2 de aneiro de 2023 é extraída a Lotaria do Ano Novo da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) que tem 5 milhões de euros para distribuir no primeiro prémio no total das 5 séries. É um farto bolo rei para os sortudos que virem os números escolhidos a sair das bolas mas menos gordo do que a Lotaria do Natal, que totalizou 12,5 milhões de euros no dia 26 de dezembro (ver caixa).

A Lotaria do Fim de Ano é assim designada quando o sorteio acontece antes de 1 de janeiro, se a extração acontecer depois dessa data, como é agora o caso, chama-se Lotaria do Ano Novo. O primeiro registo deste tradicional jogo da Santa Casa é de 30 de novembro de 1930, em pleno regime do Estado Novo, há 92 anos. Mas só passou a estar inscrita nos bilhetes a partir de 29 de dezembro de 1934. “A primeira imagem da lotaria com a designação de Fim de Ano data de 1934”, sublinha Ana Delgado, diretora de marketing dos Jogos Santa Casa. “O primeiro prémio na altura era de um milhão de escudos”.

Um milhão de escudos era, à época, uma incomensurável fortuna. É preciso lembrar a mancha de pobreza que varria o Portugal da década de 1930 do século passado, engolido pela crise financeira internacional de 1929 e pelo impacto da Primeira Guerra Mundial. Nesse contexto, as lotarias traduziam a esperança de uma vida melhor cujas receitas contribuíam para apoiar a população mais carenciada que emergia na cidade.


Sala de Extrações em 1965 no dia da extração da Lotaria do Fim de Ano


“Só a partir de 1939 é que a Lotaria, em todas as suas formas, foi definitivamente concessionada à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Começaram depois as extrações semanais com a designação de Lotaria Nacional Portuguesa, cujas receitas remetiam para a Santa Casa e outras instituições beneficiárias”, acrescenta Ana Delgado.

Na última década venderam-se 122 frações premiadas com o 1º, 2º e 3º lugar da Lotaria de Ano Novo ou Lotaria de Fim de Ano.

“Tendo sido durante muitos anos a última extração do ano e mais recentemente a primeira do novo ano, a Lotaria do Fim de Ano ou do Ano Novo, é a segunda extração mais importante no calendário anual e, por isso, tem também um estatuto relevante pela sua emissão de bilhetes, pela quantidade de prémios que distribui e pelo valor do 1º prémio, 5 milhões de euros. Para quem é premiado pode ser sinónimo de entrar com o “pé direito” no novo ano”.

A Lotaria do Natal é a mais vendida de todas: circularam 100.000 bilhetes na rua. A segunda mais representativa é a do Ano Novo com 70.000 bilhetes nas ruas.



Os prémios da Lotaria em Fim de Ano em 1934

1º Prémio de 1.000.000$00 (prémio no bilhete) | 50.000$00 (prémio na cautela)

2º Prémio de 80.000$00 (prémio no bilhete) | 4.000$00 (prémio na cautela)

3º prémio de 20.000$00 (prémio no bilhete) | 1.000$00 (prémio na cautela)



Pedro Leandro, o tenor da sorte grande

“Na extração da Lotaria de Natal, transmitida em direto pela TVI no dia 26 de dezembro, o pregoeiro Pedro Leandro, de fato escuro, cabelo aprumado e voz afinada, conduziu a “orquestra” de 11 pregoeiros que entoou os números da sorte na sala de extrações da Santa Casa, em Lisboa. Coube-lhe a ele cantar o número total de cada prémio depois de ser extraída cada bola individual: “Vinte mil quatrocentos e sessenta e dois”, entoou, quando saiu o número do 1º prémio da Lotaria de Natal, no valor de 12,5 milhões de euros. Com 54 anos, Pedro é pregoeiro desde 1990. Tinha apenas 22 anos quando começou a cantar a sorte grande. “Estava a trabalhar na Santa Casa há dois anos quando abriram concurso para pregoeiro e entrei”, recorda. Os requisitos para a profissão eram exigentes. “Tínhamos de ter boa voz, boa dicção e ter, no mínimo, 1,65 metros de altura para os homens e 1,60 metros para as senhoras”. Depois de entrar, passou por uma “formação sobre canto e dicção” já no curso da Santa Casa. Pedro gosta muito do que faz mas ainda hoje evita ver-se na televisão: “A voz nem parece a minha e ficamos diferentes. A família é que vê”, contou, entre risos.



Santa Casa quer recuperar cauteleiros


Os cauteleiros, vendedores e vendedoras das cautelas ou frações da lotaria, estão em vias de extinção e é uma profissão popular que a Santa Casa quer recuperar agora na versão século XXI. “Temos o projeto de atrair jovens para a profissão de cauteleiro porque a lotaria vive da proximidade, é um jogo de impulso”, diz Ana Delgado.

A diretora de marketing dos Jogos Santa Casa recorda os pregões mais entoados pelas ruas das cidades, tão alegres e vibrantes como “Olha a sorte grande!”, “Hoje anda à roda”, “Anda à roda, anda à roda”, “É a sorte grande a chamar, venha comprar!”, entre outros.

Já os pregoeiros são os que cantam os números que saem das esferas durante a extração da lotaria e têm uma formação de voz e de cumprimento de determinados rituais do jogo. Antigamente, era profissão só de homens, o que entretanto mudou para abranger também mulheres.

As lotarias extraordinárias, como a do Natal e a do Ano Novo ou Fim de Ano têm sempre 11 pregoeiros na sala de extrações, situada na sede da Santa Casa, no Largo Trindade Coelho, em Lisboa, popularmente conhecido por “Largo da Misericórdia” ou “Largo do Cauteleiro”.



Rainha D. Maria I concedeu a lotaria à Santa Casa

• A Lotaria Nacional completou 239 anos em novembro passado desde que foi criada por decreto pela Rainha D. Maria I a 18 de novembro de 1783. A rainha concedeu a sua exploração à SCML com o objetivo de repartir os lucros, em partes iguais, pelo Hospital Real, pelos Expostos e pela Academia Real das Ciências.

• Em 1784 foram impressos os primeiros bilhetes de lotaria (emissão de 22.500 bilhetes, a 6$40 réis cada), com a sua numeração feita à mão pelo tesoureiro da SCML, e a 1 de setembro desse ano teve lugar a primeira extração.

• O primeiro número a ser “cantado” por um dos dois meninos a cargo da Santa Casa que participaram no sorteio, no papel que hoje têm os pregoeiros, foi o 6.561. Este ritual repetiu-se por 22.500 vezes, tantas quanto os bilhetes emitidos, e por essa razão o sorteio durou 34 dias (a extração hoje dura 15 a 20 minutos).

• Só a partir de 1939 é que a lotaria foi definitivamente concessionada à SCML e assumiu um caráter permanente e oficial – extrações semanais - com a criação da Lotaria Nacional portuguesa, cujos lucros revertiam para a Santa Casa e outras instituições beneficiárias.


Por Boas Causas