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Portugal conquista título na paracanoagem

Norberto Mourão e Alex Santos, atletas de paracanoagem apoiados pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa alcançaram o primeiro e o quinto lugar da classificação geral, respetivamente.
10 de Junho de 2021 às 07:53
Norberto Mourão sagrou-se campeão da Europa no Europeu de Velocidade que decorreu na Polónia.
Norberto Mourão sagrou-se campeão da Europa no Europeu de Velocidade que decorreu na Polónia.
Norberto Mourão sagrou-se campeão da Europa no Europeu de Velocidade que decorreu na Polónia.

Portugal tem, desde a semana passada, mais motivos para se encher de orgulho. Na passada sexta- -feira, o atleta de paracanoagem Norberto Mourão sagrou- -se campeão da Europa, no último Campeonato da Europa de Velocidade que decorreu em Poznan, na Polónia. É um dos atletas paralímpicos que nos irá representar em Tóquio.

O seu colega de equipa, Alex Santos, ficou em 5.º lugar na Classe KL1 masculino e conseguiu também quota para Tóquio. Ambos os atletas são apoiados pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, na sua estratégia de patrocínios ao desporto nacional como ferramenta de promoção do talento e do mérito desportivos. De acordo com Ivo Quendera, Técnico Nacional de Canoagem, "a equipa nacional envolve otros elementos (não apurados para os jogos paralímpicos de Tóquio) mas que integram esta equipa de trabalho como aposta da Federação. São eles Floriano Jesus e Hugo Costa".

Todos sem exceção são um verdadeiro exemplo de força e superação. Os primeiros paratletas portugueses que começam a dar cartas lá fora na canoagem foram Abraão Vieira e Carla Ferreira, que participaram em 2009 no Campeonato do Mundo de Halifax, no Canadá. Desde então, recorda a paracanoagem nunca mais parou de inscrever uma história de sucesso na modalidade. O técnico Ivo Quendera começou a trabalhar com Norberto Mourão, o atual vice- -campeão do Mundo, em 2011.

"Em 2016 ficou a 0,7 milésimos de conseguir a qualificação para os jogos", recorda. Mas não foi preciso esperar muito pela desforra. "Em 2019, foi vice-campeão do Mundo e conseguiu o sonhado apuramento para Tóquio", conta. Norberto Mourão, atualmente com 40 anos, sofreu em 2009 um acidente de mota que teve como consequência a biamputação. Alex Santos, de 38 anos, teve uma infeção que deixou-lhe sequelas na medula (paraplégico). Independentemente das histórias que os trouxeram até ao desporto adaptado, são verdadeiros campeões.

"Treinam entre 12 a 16 horas por semana e nem mesmo a pandemia os demoveu de perseguir resultados ao mais alto nível. Os treinos são voláteis e divididos entre a água e o ginásio. Algumas vezes fazem-se no clube, outras no Centro de Alto Rendimento de Montemor-o Velho", conta Ivo Quendera. Muitas vezes é o treinador que possibilita o transporte e as necessárias transferências do atleta, entre a canoa e o solo. Outras vezes, contam com "voluntários ou técnicos assistentes desportivos".

Todo este trabalho da Federação Portuguesa de Canoagem só é possível com a ajuda de vários parceiros: o Instituto Português do Desporto e Juventude, o Comité Paralímpico de Portugal, Jogos Santa Casa, Instituto Nacional para a Reabilitação, Autarquias, Fenacerci, clubes e várias associações da modalidade.

"Fundamental para a modalidade"

O presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, Vítor Félix, explica o papel dos Jogos Santa Casa no apoio à modalidade.

O apoio dos Jogos Santa Casa permite sonhar com outros voos?

Enquanto Patrocinador Oficial da Federação Portuguesa de Canoagem, permite organizar com maior qualidade as competições nacionais. Num ano como 2021, que a federação recebe competições internacionais (Campeonato do Mundo de Canoagem de Velocidade Juniores e Sub-23), permite-nos elevar a um patamar de excelência e criar uma imagem de marca na organização de grandes eventos desportivos internacionais e também permite mais participações internacionais.

Quantos atletas da FPC apoia?

Não é mensurável porque de uma forma indireta garante o apoio a todos os atletas filiados na nossa federação, na melhoria substancial nas nossas organizações de Campeonatos Nacionais. Existe de facto um apoio direto aos nossos atletas das equipas nacionais, na realização de estágios, na participação nas competições internacionais, na aquisição de embarcações, tanto nas equipas de Canoagem como da Paracanoagem, apoio esse que é bem justificado pelos nossos resultados desportivos internacionais.

É fácil arranjar apoios para a canoagem em Portugal?

Não. Vivemos uma situação de "monocultura" desportiva no nosso país, onde apenas uma modalidade domina a atenção da comunicação social e por consequência da opinião pública. A canoagem e as outras modalidades têm uma dependência do financiamento do Estado na ordem dos 70% a 90%, cujos valores da receita por via de patrocínios são residuais. Após a conquista da medalha da Canoagem portuguesa nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, julgámos que os patrocínios iriam chegar à nossa modalidade, mas tal não veio a acontecer, com exceção dos Jogos Santa Casa, que tem sido fundamental na sustentabilidade da nossa federação, que regista na última década um défice no financiamento por parte da Administração Pública desportiva.