Barra Cofina

Correio da Manhã

Especiais C-Studio
6
Especiais C-Studio
i
C- Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do Universo
É o local onde as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Residência para idosos com mérito cultural

Casa Faria Montero, no Restelo, faz um trabalho personalizado com os seus utentes, que estão ligados à cultura.
27 de Outubro de 2022 às 11:29
Obras recentes de ampliação e renovação dotaram a Casa Faria Mantero, no Restelo, de novos aposentos residenciais
Neli Monteiro é a atual diretora da Residência Faria Mantero
Obras recentes de ampliação e renovação dotaram a Casa Faria Mantero, no Restelo, de novos aposentos residenciais
Neli Monteiro é a atual diretora da Residência Faria Mantero
Obras recentes de ampliação e renovação dotaram a Casa Faria Mantero, no Restelo, de novos aposentos residenciais
Neli Monteiro é a atual diretora da Residência Faria Mantero

Numa pequena praça escondida no coração do Restelo, emoldurada pelo verde frondoso do arvoredo, ergue-se uma casa acastelada, que em tempos foi pertença de Enrique Mantero Belard e da sua mulher, Dona Gertrudes Verdades de Faria. Sempre atenta aos mais desfavorecidos, humanista por princípio e muito ligada às artes, D. Gertrudes tinha um desejo: que, após a sua morte, ali passasse a funcionar uma Estrutura Residencial para Idosos (ERPI) que se tenham distinguido pelo mérito cultural. O sonho foi tornado realidade em 1986 e desde então, por ali já passaram, nos últimos anos de vida, figuras como a pintora e ilustradora Maria Keil, a fadista Teresa Tarouca, a escritora Olga Gonçalves, o poeta e ensaísta António Ramos Rosa ou o pintor Barata Moura.

Uma casa feita à medida da personalidade e das vontades de cada um que lá mora. "Esta é, por várias razões, uma residência muito especial. Tem poucos utentes, fazemos um trabalho muito personalizado e porque os seus utentes são pessoas ligadas à cultura, à escrita e às artes e algumas delas ainda mantém as suas atividades profissionais. É uma ERPI de porta totalmente aberta. As pessoas têm liberdade para sair, para ir ver espetáculos, para dar aulas, para fazer os seus passeios", afirma Neli Monteiro, diretora da Residência Faria Mantero (RFM).

Em breve, a capacidade da RFM vai ser aumentada, disponibilizando mais três apartamentos de tipologia T0+1, os quais proporcionam mais conforto e autonomia aos futuros residentes. A dinâmica da casa é diferente de um lar tradicional. "Cada quarto é diferente, específico e muito centrado nos interesses da pessoa", ilustra a responsável. Pinta-se na varanda, há jornais do dia na sala e muitos livros na biblioteca. Há pouco tempo, um recital de ópera animou o serão.

Para alguns desses eventos convidam-se os residentes de outras ERPI da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, para promover o convívio. A Covid-19 não passou por ali. "Tomámos medidas, organizámos as equipas para minimizar os contactos com o exterior e acabou por ser período tranquilo", lembra.

Neli Monteiro congratula-se por ver o sonho dos beneméritos concretizado e poder fazer um acompanhamento muito personalizado a cada um dos residentes: "Já fui diretora de outro lar com características completamente diferentes, com mais de meia centena de utentes e uma equipa muito grande. O desafio é atender e apoiar cada um com as suas especificidades e vontades. Não quer dizer que as pessoas que estão aqui sejam diferentes das que estão noutros lares. Todos têm as mesmas necessidades, mas aqui temos verdadeiramente esta oportunidade."


Vida e arte continuam


Teresa Abecasis tem, todas as manhãs, lugar cativo no imenso varandim com vista para o jardim da RFM. É ali que ultima uma aguarela, figurativa da paisagem envolvente e que traça planos para a aula que mais tarde irá lecionar no atelier de uma amiga também apaixonada pela pintura.

Teresa tem 72 anos. Mas não parece. A alma é de menina, como a de quase todos os artistas. Cedo aprendeu as técnicas e pintura, formou-se em Decoração de Interiores pela Fundação Ricardo Espírito Santo e criou o seu próprio atelier em Sintra – Azul Cobalto.




Em 2004 sofreu dois aneurismas que lhe roubaram a memória. Ali, na Casa Faria Mantero, onde vive há oito anos, sente-se em família. "A sobrevivência do que eu tive é de apenas quatro por cento. Enquanto estive a ser operada, a capela do hospital esteve cheia de amigos a rezar por mim. Por isso é que estou aqui. Aliás, por isso é que estou encantada por estar aqui, nesta casa", refere.

Apesar de sofrer de amnésia, o que lhe rouba a autonomia, Teresa mantém a sua atividade profissional: pinta, faz exposições e dá aulas, mas vive em segurança e rodeada por quem pode e sabe apoiá-la.




Condições específicas para admissão

Na Residência Faria Mantero, podem ser admitidos candidatos de ambos os sexos, desde que reúnam cumulativamente os seguintes
requisitos:
1 - Residência no concelho de Lisboa;
2 - Ter idade igual ou superior a 65 anos;
3 - Não ter familiares diretos (ascendentes ou descendentes) ou, caso existam, seja manifestamente impossível a coabitação ou deles receber o
apoio de que necessita;
4 - Ser necessitado, em virtude de escassez dos seus recurso económicos ou de qualquer outro tipo de desproteção social;

Admissão implica ser residente no concelho de Lisboa

5 - Ser uma pessoa que, pelas suas características pessoais – personalidade e história – seja considerada detentora de um bom nível cultural e de reconhecido mérito, nomeadamente por se ter distinguido no meio artístico, científico, literário ou social. Esse reconhecimento deverá ser devidamente comprovado, recorrendo para o efeito a instituições idóneas que o possam certificar.
6 - Os custos associados são calculados consoante os rendimentos e despesas do utente.



Por Boas Causas