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Santa Casa Neurociências premiou investigações científicas na área das Neurociências

Identificar os sinais que permitem regenerar a medula espinhal em mamíferos e analisar com detalhe os dados neurofisiológicos de pacientes com Doença de Parkinson implantados com a nova geração de neuroestimuladores, são os objetivos dos dois projetos vencedores da 10ª edição dos Prémios Santa Casa Neurociências, cuja cerimónia decorreu no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.
24 de Novembro de 2022 às 16:37
Vencedores da 10.ª edição dos Prémios Santa Casa Neurociências
Vencedores da 10.ª edição dos Prémios Santa Casa Neurociências

Os Prémios Santa Casa Neurociências atribuem anualmente 400 mil euros a projetos científicos e clínicos destinados a promover avanços no tratamento e recuperação de lesões vertebro-medulares e no tratamento de doenças neurodegenerativas associadas ao envelhecimento como o Parkinson ou o Alzheimer.

Este ano, os galardões celebram a sua 10ª edição e atingiram o marco dos 4 milhões de euros de investimento feito nestas áreas.

O investimento anual de 400 mil euros é repartido por duas distinções: o Prémio Melo e Castro, no valor de 200 mil euros, que distingue o melhor projeto que potencie a recuperação e o tratamento de lesões vertebro-medulares – área em que a Santa Casa foi pioneira no país quando, em 1966, abriu o Centro de Medicina de Reabilitação de  Alcoitão; e o Prémio Mantero Belard, também de 200 mil euros, para o melhor projeto que contribua para a compreensão das causas, prevenção e tratamento das doenças neurodegenerativas prevalentes na população idosa.


A cerimónia desta 10ª edição contou com a presença do provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Edmundo Martinho. Os vencedores foram escolhidos por um júri presidido por José Manuel Castro Lopes (vice-reitor da Universidade do Porto), do qual também faziam parte Catarina Aguiar Branco (Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação), Catarina Resende de Oliveira (Universidade de Coimbra), Cristina Januário (Sociedade Portuguesa de Neurologia), Jorge Jacinto (Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão), George Perry (College of Science, da Universidade do Texas e nomeado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa),  João Malva (Sociedade Portuguesa de Neurociências), José Ferro (Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e nomeado pela Santa Casa da Misericordia de Lisboa) e Mamede de Carvalho (Universidade de Lisboa).

Edmundo Martinho provedor da SCML na apresentação dos prémios Santa Casa Neurociências


O histórico destes galardões começa em 2013 quando a Santa Casa começou a apoiar diretamente a investigação científica e médica de excelência, financiando projetos na área das neurociências desenvolvidos em Portugal. A iniciativa tornou-se uma referência. Primeiro, com os Prémios Santa Casa Neurociências (Prémio Mantero Belard e Prémio Melo e Castro), em 2015 com o Programa de Apoio a Projetos de Investigação Científica em ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) e em 2017 com o Prémio João Lobo Antunes. Este último, com o nome do célebre neurocirurgião português, no valor de 40 mil euros, é destinado a licenciados em medicina em regime de internato médico e visa estimular a cultura científica e a investigação clínica na área das neurociências.



Prémio Melo e Castro: investigação da medula espinhal


Atribuído este ano a Mónica Mendes de Sousa e à sua equipa de investigação do i3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto, pelo projeto “TARGET: Traduzir a capacidade regenerativa de Acomys”. As lesões da medula espinhal são condições médicas sem opções terapêuticas eficazes. Os principais obstáculos para o tratamento destas condições são a formação de uma cicatriz no local da lesão e a incapacidade dos neurónios adultos regenerarem.

O grupo de Regeneração Nervosa do i3S descobriu recentemente, com o apoio da Santa Casa e da Wings for Life, que o ratinho espinhoso africano (Acomys) é capaz de regenerar e recuperar a função após uma lesão completa da medula espinhal, sendo uma exceção única nos mamíferos. O projeto TARGET pretende continuar a desvendar os mecanismos subjacentes à capacidade regenerativa da medula espinhal de Acomys. Para isso, irá ser comparada a resposta do Acomys à lesão medular com a do ratinho comum (uma espécie sem capacidade regenerativa. O conhecimento adquirido nesta análise irá permitir modificar o ambiente da medula espinhal e os neurónios do ratinho comum, por forma a tornar esta espécie capaz de regenerar. Este poderá ser um ponto de partida para o desenvolvimento de novas terapias para doentes com lesão medular.

Mónica Mendes de Sousa, do i3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto, pelo projeto “TARGET”, recebeu o Prémio Melo e Castro




Prémio Mantero Belard: investigação da Doença de Parkinson


A distinção coube a Paulo de Castro Aguiar e à sua equipa do i3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto, que se candidatou com o projeto “Melhorando a Eficácia da Estimulação Cerebral Profunda em Doença de Parkinson, com Biomarcadores Eletrofisiológicos Personalizados e Estimulação Baseada em Avaliações Quantitativas Objetivas”.

Este projeto tira partido de uma nova geração de neuroestimuladores que, além da estimulação elétrica, tem também a capacidade para registar a atividade neuronal na zona do cérebro que está a ser estimulada. A equipa de investigação reúne especialistas em neuroengenharia, doença de Parkinson (DP), estimulação cerebral profunda (ECP) e análise avançada de sinais eletrofisiológicos. O objetivo é desenvolver algoritmos “inteligentes” que otimizem os parâmetros da estimulação elétrica de acordo com as características da atividade neuronal de cada paciente. Além do i3S, este projeto conta com a colaboração de clínicos do Hospital de São João e investigadores do INESC-TEC.

Paulo de Castro Aguiar, do i3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto, recebeu o prémio Prémio Mantero Belard




Prémio João Lobo Antunes: a pressão intracraniana


David Berhanu, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e do Serviço de Imagiologia Neurológica do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, foi o vencedor desta edição, com o projeto “Optic Nerve-Sheath Anatomy and Imaging - A Surrogate for Intracranial Pressure (ON-ICP)”, que pretende revolucionar a abordagem clínica dos doentes com patologias neurológicas e neurocirúrgicas, através da utilização de técnicas neuroimagiológicas não invasivas, para determinar a pressão intracraniana. A ecografia e ressonância magnética permitem avaliar o nervo ótico que, potencialmente, poderá ser utilizado como marcador preciso da pressão intracraniana.

O projeto foi escolhido por um júri presidido por Catarina Resende de Oliveira (Conselho Nacional de Centros Académicos Clínicos), e que integrou Alexandre Castro Caldas (Conselho Nacional de Saúde), António Bastos Leite (Ordem dos Médicos – Colégio da Especialidade de Neurorradiologia); Carlos Vara Luiz (Ordem dos Médicos - Colégio da Especialidade de Neurocirurgia); Cristina Januário (Ordem dos Médicos - Colégio da Especialidade de Neurologia); Luís Duarte Madeira (Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida); Maria Alexandra Ribeiro (Comissão de Ética para a Investigação Clínica); Adalberto Campos Fernandes (nomeado pela Santa Casa da Misericordia de Lisboa) e Válter Fonseca (Direção-Geral da Saúde).

David Berhanu, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e do Serviço de Imagiologia Neurológica do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, recebeu o Prémio João Lobo Antunes

Por Boas Causas