Barra Cofina

Correio da Manhã

Especiais C-Studio
6
Especiais C-Studio
i
C- Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do Universo
É o local onde as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Segunda oportunidade para quem sai da prisão

A Reshape é uma ‘start-up’ criada em 2015 e agora apoiada pela Casa do Impacto, o ‘hub’ da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que apoia projetos no âmbito da ação e empreendedorismo social
20 de Janeiro de 2022 às 12:22
A equipa de Reshape com alguns beneficiários do projeto
Alguns dos projetos fabricados
O projeto está instalado na Casa do Impacto, em Lisboa
A equipa de Reshape com alguns beneficiários do projeto
Alguns dos projetos fabricados
O projeto está instalado na Casa do Impacto, em Lisboa
A equipa de Reshape com alguns beneficiários do projeto
Alguns dos projetos fabricados
O projeto está instalado na Casa do Impacto, em Lisboa

A Reshape surgiu em 2015 com o objetivo de dar a quem está ou esteve preso a possibilidade de se transformar e reintegrar na sociedade depois de cumprida a pena. O projeto é uma das ‘start-ups’ que atualmente germinam na Casa do Impacto, o ‘hub’ de empreendedorismo social da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Duarte Abrantes da Fonseca, um dos seus fundadores, explica como funciona o projeto.

– Quantas pessoas a Reshape já apoiou até agora?
– Mais de 200 pessoas, entre a Academia Reshape, o Gabinete Reshape e a Reshape Ceramics.

– Como é feito esse suporte?
– Nem todas as 200 pessoas tiveram o mesmo tipo de apoio. Idealmente todas teriam passado pelo seguinte processo: em primeiro lugar participarem na Academia Reshape, um programa de desenvolvimento pessoal e de competências sociais. Esta Academia é implementada em meio prisional (neste momento nos Estabelecimentos Prisionais de Vale de Judeus, Alcoentre e Caxias), por voluntários que são formados e treinados pela nossa equipa. Depois desta formação, cada beneficiário deve, idealmente, ser acompanhado nos últimos meses antes da libertação. Digo idealmente porque nem sempre isso é possível, uma vez que alguns são transferidos, ou são libertados sem que saibamos com antecedência (e a Covid não veio ajudar neste processo).

Este acompanhamento individual do Gabinete e do Programa de Mentores passa por criar um plano de vida, por perceber quais os objetivos e começar-se a trabalhar para se alcançar esses mesmos objetivos. Fazemos parte do Programa Incorpora, da Fundação La Caixa, que nos permite trabalhar em rede com mais de 60 organizações sociais do país inteiro e ter acesso a um leque muito vasto de oportunidades de trabalho para os nossos beneficiários. Temos um negócio social próprio, a Reshape Ceramics, remuneramos de forma justa desde o momento zero todos os beneficiários.

Do que se trata?
– Neste negócio empregamos pessoas que estão presas (EP de Caxias) ou que estiveram (Atelier em Arroios), para produzirem peças de cerâmica únicas e feitas à mão. Neste momento vendemos uma grande parte da nossa produção para fora de Portugal, com revendedores em sete países.

Com que tipo de dificuldades se deparam no dia-a-dia?
– Penso que será transversal à maior parte das organizações sociais: a falta de recursos. Por outro lado, o sistema prisional é complexo, que mexe com a segurança, com questões legais e com muitas vidas, e o nosso trabalho depende da articulação com os diversos serviços.

– ‘Um mundo onde ninguém volte à prisão’. O que fazer para alcançar este objetivo?
– Acreditamos que as penas privativas devem ser vividas o mais próximo (sempre que possível) do que são as rotinas em sociedade habituais. Para "normalizarmos" as rotinas só o poderemos fazer através de casas de pequena dimensão, por oposição às grandes instituições prisionais, inseridas nas comunidades (com relações bilaterais e por isso Depende de Todos) e onde o tratamento é diferenciado, pois todos somos únicos e diferentes e com necessidades distintas.

Dito isto, o nosso próximo passo passa por colocar em prática este tipo de suporte social residencial através de casas de transição e de saída.

Partilhar energias para transformar o mundo

– Como surgiu a hipótese de ficarem integrados na Casa do Impacto?
– Soubemos que a Casa do Impacto ia abrir e surgiu exatamente na altura em que estávamos a começar a profissionalizar a equipa e, portanto, queríamos encontrar um escritório com uma comunidade ativa e cheia de energia, que era o caso da Casa do Impacto. Na altura tínhamos apenas uma pessoa em part-time a trabalhar, por isso decidimos candidatar-nos e acabamos por ser aceites.

Que vantagens estão inseridos num ‘hub’ como a Casa do Impacto?
– O grande benefício, para além da partilha de informações sobre o que se passa no nosso setor, é a energia partilhada. Lançar uma organização e querer transformar o mundo a resolver problemas sociais complexos é muitas vezes desgastante e desmotivador. Ter uma casa, cheia de pessoas amigas, que passam pelo mesmo, ajuda a que nos sintamos mais apoiados e a sonhar com a grande visão que um dia vamos conseguir atingir. Para além disso surgem imensas ideias de possíveis projetos conjuntos futuros para desenvolvermos em prol daqueles que estão ou estiveram presos.

Por Boas Causas

}