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Simpósio promove reflexão sobre o envelhecimento

A terceira edição do Simpósio Interações, organizado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, está a decorrer online. Ao longo de mais de 15 sessões, vários especialistas vão debruçar-se sobre os complexos desafios da longevidade.
18 de Fevereiro de 2021 às 08:56
Santa Casa quer explorar novos modelos para um envelhecimento ativo, integrado na comunidade e saudável
Santa Casa quer explorar novos modelos para um envelhecimento ativo, integrado na comunidade e saudável

O Simpósio Interações é uma iniciativa organizada pela Unidade Missão da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no âmbito do programa ‘Lisboa Cidade de Todas as Idades’, que já vai na sua 3ª edição. Este ano, por causa da pandemia, está a realizar online, através de um modelo de ciclos temáticos. Em entrevista ao ‘CM’, Mário Rui André, Diretor da Unidade Missão, salientou os desafios que a longevidade coloca à sociedade e lembrou a importância de refletir sobre novos modelos de assistência na terceira idade.

Que temas vão ser debatidos ao longo das sessões que integram este simpósio?

As sessões abrangem um leque variado de temas na área do envelhecimento, desde os aspetos relacionados com as representações sociais da velhice aos nefastos estereótipos idadistas que olham os mais velhos como um peso para a sociedade ou mesmo descartáveis, passando pela necessidade das empresas adotarem estratégias sociolaborais de qualificação dos processos de transição para a reforma e pelos desafios associados ao envelhecimento na era do digital. Contudo, procurar-se-á dar relevo especial à componente habitação e espaço público enquanto alavanca do paradigma do envelhecimento na comunidade.

A cidade e o urbanismo têm de ser repensados face ao envelhecimento populacional?

Na realidade a grande maioria das casas onde vivemos não têm condições nem foram pensadas para se adaptarem ao longo do nosso ciclo de vida, em particular quando perdemos autonomia ou quando temos que ficar mais tempo em casa, como ficou patente com a pandemia. Urge, assim, olhar a habitação como o local onde as pessoas querem viver o mais tempo possível das suas vidas, nas diversas circunstâncias existenciais, onde possam manter laços de interação com o espaço público, os seus direitos de participação e cidadania e receber cuidados de qualidade.

Que tipo de mudanças deveríamos começar desde já empreender nas cidades para permitir o ‘aging in place’?

Já existem muitas experiências importantes de promoção da vivência habitacional e do espaço público. Há medidas importantes como o alargamento e nivelamento dos passeios, vivência dos jardins e da proximidade com o rio, passes sociais e transportes adaptados com percursos adequados – ainda não expressivas nas zonas do interior e rurais. Contudo, a garantia da habitação adaptada ao ciclo de vida e as condições habitacionais que garantam a prestação de cuidados de qualidade, são grandes desígnios que ainda só vemos em pequenos projetos exploratórios. Talvez seja necessário um compromisso social que eleve o conceito de ‘habitação para toda a vida’ como um desígnio, tal como aqueles que foram assumidos para acabar com as barracas. Por esta razão no nosso Simpósio procurámos trazer o Presidente da Ordem dos Arquitetos, Gonçalo Byrne, e outros atores importantes para impulsionar este movimento, numa lógica intersetorial e interdisciplinar.

Acredita que a pandemia, ao fazer-nos olhar mais para os lares, pode acelerar processos de mudança?

Mal de nós se não aproveitarmos a experiência vivida com a pandemia para refletirmos e integrarmos as lições aprendidas para melhorar as políticas e alterar modelos e práticas que já vinham mostrando o seu esgotamento e falta de aderência com aquilo que as pessoas querem para viver a sua velhice.

Como deveriam ser os novos modelos de assistência residencial na terceira idade?

Devem respeitar as expectativas e desejos das pessoas. Devemos ter em consideração as muitas experiências já conhecidas, tanto a nível nacional como internacional, que exploram novos modelos enquadrados no envelhecimento na comunidade ativo e saudável, quer através de soluções habitacionais quer de modelos residenciais.

O programa integra um intercâmbio de ‘boas práticas’. Como podem estas ser promovidas?

As boas práticas servem de referencial para o que se está a fazer hoje e para a experimentação e inovação no futuro. Procurámos trazer não apenas académicos e teóricos importantes nestes domínios, mas também projetos que mostrem o que já é possível fazer na promoção de uma sociedade para todas as idades. Neste campo, é fundamental que os decisores políticos e organizacionais estejam presentes - as autarquias, as misericórdias e as IPSS’s – pois são eles que a nível local terão um papel fundamental na construção e consolidação de comunidades para todas as idades.