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Voluntariado resiste em tempo de pandemia

Assinala-se esta semana o Dia Internacional do Voluntariado
9 de Dezembro de 2021 às 14:39
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa conta atualmente com 350 voluntários em vários equipamentos
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa conta atualmente com 350 voluntários em vários equipamentos

Na semana em que se assinala o Dia assinala o Dia Internacional do Voluntariado – instituído pelas Nações Unidas em 1985 e comemorado a 5 de dezembro – a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) homenageou os seus 350 voluntários.

Luísa Godinho, diretora da Unidade de Promoção do Voluntariado da SCML, fez um balanço da atividade, "essencial numa sociedade que continua a ter muitas desigualdades" mas "mais difícil"de pôr em prática desde que a pandemia mudou os moldes da proximidade e da interacção com o outro.

– No momento atual, qual a dimensão da importância que o voluntariado tem na SCML?
– O voluntariado é imprescindível para melhorar a qualidade de vida das pessoas complementando a ação dos profissionais. Não há uma sobreposição de tarefas, mas sim uma complementaridade. A ação da Santa Casa é muito abrangente, porque atenta não só às necessidade básicas, mas também às necessidade emocionais e psicológicas de uma população mais vulnerável e fragilizada. E nestas dimensões de apoio – como por exemplo, no combate à solidão, na dinamização de atividades em Estruturas Residenciais para Idosos, hospitais ou em centros de dia, no acompanhamento escolar de crianças e jovens – a implicação dos voluntários é essencial.

– A pandemia alterou muito os moldes em que o voluntariado é exercido nos equipamentos da SCML?
– Temos atualmente 350 voluntários. Muitos estiveram parados durante a fase mais agudada pandemia. Em muitos casos foi possível desenvolver uma atividade online ou telefónica de modo a continuar a apoiar os beneficiários. Neste momento, alguns ainda não puderam regressar presencialmente por razões de saúde ou outros motivos pessoais, mas uma parte significativa já voltou a desenvolver a sua atividade onde tal é possível. Há locais onde ainda não é possível reintegrar presencialmente voluntários como o caso de alguns Centros de Acolhimento Infantil e Serviços de Apoio Domiciliário. Temos actualmente um modelo híbrido: há voluntariado presencial onde é possível e on-line onde não é.

– Durante o tempo em que estiveram afastados, voluntários e utentes manifestaram a falta uns com os outros?
– Muito. Por parte dos utentes quem o contacto com os beneficiários é absolutamente essencial, sendo mesmo o aspeto que mais valorizam, pelo que procuram estar próximos, na forma possível, respeitando as normas da DGS e os Planos de Contingência, dos equipamentos e serviços, quando presencial. Quando esta hipótese não foi possível usaram o telefone ou o on-line. Ainda esta semana tínhamos uma homenagem preparada na forma presencial aos nossos voluntários que acabou por ser feita remotamente...

– Qualquer um, que queira, pode ser voluntário da SCML?
- É preciso ter motivação, interesse, uma vontade genuína de ajudar de forma desinteressada, disponibilidade emocional e tempo. Muitas vezes procuram-nos jovens com muita vontade mas têm falta de tempo para assumir um compromisso com a regularidade que o voluntariado implica. Talvez não seja, ainda, para eles, o momento ideal. Na nossa unidade, recebemos as inscrições, fazemos as entrevistas, a seleção e o encaminhamento. Há uma formação inicial, mas depois o voluntário é sempre acompanhado no terreno por um técnico. O combate às desigualdades económicas, sociais, educacionais e culturais é uma missão de todos - entidades, parceiros, técnicos e voluntários. Mas todos somos poucos. Devemos lembrar-nos das palavras de Madre Teresa de Calcutá: "Tudo aquilo que não se dá, perde-se."

António Veríssimo, voluntário há cinco anos

"Momentos que não se esquecem"

António Veríssimo viveu a vida toda "a 120 quilómetros/hora porque não podia dar mais". Só depois da reforma, o ex-empresário ‘tropeçou’ na missão do voluntariado.

"Para mim foi muito difícil, de repente, não ter nada para fazer. Um dia fui visitar um antigo colaborador à Mitra, quando passou por nós uma psicóloga e ele lançou a deixa: ‘Ó senhora Dra, este tipo é que era bom para vir cá fazer voluntariado!’

Ela começou a falar comigo, a incentivar-me, e daí a dois dias estava a inscrever-me. Hoje, três vezes por semana, António dirige-se às Erpi’s da SCML para conduzir o projeto ‘Música das Palavras’.

"A ideia inicial era fazer a análise da evolução dos tempos através dos jornais, mas um dia fiquei sem matéria e li dois ou três poemas", recorda. Os utentes reagiram tão bem que hoje leva poemas, canções e até já faz programas em vídeo para partilhar nas tertúlias: "Não sou pago mas recebo muito. Há sorrisos, gestos, uma lágrima ao canto do olho, que não se esquecem".

"Recebo muito mais do que dou"

Joan Renato Concha nasceu no Peru, mas vive em Portugal há 10 anos. Foi por cá, quando ainda estudava na faculdade que uma amiga lhe falou no voluntariado da SCML: "Andava há muito tempo a pensar nisso e quis aderir."

Hoje dá explicações e apoio escolar a crianças dos 7 aos 17 anos de um dos centros de acolhimento para crianças e jovens em risco da Santa Casa. "São crianças como as outras e querem ser vistas como as outras. Na pandemia, infelizmente, tive de interromper este apoio mas custou-me muito. Já sentia a falta deles. Não tenho qualquer dúvida que recebo mais do que dou. Essa é a parte importante do voluntariado".

Por Boas Causas

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