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A doença renal crónica e a nefrologia

A doença renal crónica (DRC), antes chamada insuficiência renal crónica, é uma patologia cada vez mais frequente nas sociedades desenvolvidas, associando-se frequentemente a um estilo de vida sedentário
17 de Janeiro de 2020 às 07:05


Redigido por Dr. João Sousa Torres (OM51757), nefrologista no Trofa Saúde Hospital na Amadora
Existe um aumento inerente de doenças cardiovasculares, sendo a própria DRC um fator independente para o aumento desse risco (enfarte agudo do miocárdio, AVC, insuficiência cardíaca, doença vascular periférica, entre outros).
As causas da DRC dividem-se em doenças específicas do rim (localizadas) e sistémicas, ou seja, que envolvem todo o organismo, sendo o rim um dos órgãos afetados. As doenças sistémicas com maior repercussão no rim são a diabetes mellitus e a hipertensão arterial (HTA), ambas muito frequentes em Portugal. Quando a DRC progride para o estádio mais avançado é necessária técnica de diálise ou transplantação renal para assegurar substituição da função filtrativa do rim.
Os dados nacionais de 2018 revelam que a diabetes e a HTA são as duas causas mais frequentes de início de diálise, com 31,5% e 13,9% dos casos, respetivamente. Infelizmente, Portugal é um dos países do Mundo com maior prevalência de DRC com evolução para diálise, com mais de 12.000 doentes em tratamento (1.264 por milhão de habitantes em 2018). A diálise tem importantes limitações na vida dos doentes, apesar dos muitos avanços entretanto conseguidos.
A classificação da doença renal é feita de acordo com duas análises: o valor de creatinina no sangue e da albumina na urina. A creatinina é uma substância produzida pelo nosso organismo e libertada na corrente sanguínea, sendo eliminada exclusivamente pelos rins.
Sendo assim, na DRC, a creatinina deixa de ser devidamente eliminada, e o seu valor sanguíneo aumenta.
Quanto à presença de albumina na urina, esta é residual desde que a função renal esteja conservada. Em casos de diabetes ou outras doenças que interfiram com a filtração renal, o rim deixa passar várias substâncias do sangue para a urina, uma das quais a albumina.
Apesar de estas alterações serem identificáveis em análises de rotina, a DRC não é sintomática (não apresenta sintomas) até uma fase muito avançada da doença, altura em que existem poucas intervenções preventivas disponíveis, sendo de crucial importância a sua identificação precoce.
A nefrologia é a especialidade da medicina que se dedica em particular a esta população. A ajuda especializada, aliada a um estilo de vida saudável, como uma alimentação equilibrada e exercício físico regular, é crucial na modificação deste paradigma. Nos casos mais avançados da doença, o papel do nefrologista reveste-se de maior importância podendo adiar a entrada em diálise ou, nos casos em que não é possível, fazer uma transição informada para diálise ou transplantação renal.